Capítulo 12 - O Homem (Parte 02)

998 Words
Assim, com os olhos escuros sempre gentis e cálidos, ele se tornara não apenas seu amor e seu amante, mas também seu porto seguro, onde ela sabia que sempre encontraria apoio e acalanto. Mesmo que o amor e a paixão por ele já estivessem presentes em seus pensamentos desde o início, ele pôde perceber que eles de nada influenciaram a maneira como a admiração e o carinho que ela sentia por ele foram crescendo mais e mais, a cada dia de convivência. Não por pena, por simpatia ou por benevolência daquela mulher maravilhosa... Mas sim porque ela considerava que ele era um bom homem. Gentil, sensível e bondoso. Alguém que inspirava nela admiração, companheirismo e adoração... Simplesmente por quem ele era e por seus atos. Porque, para Bella, Edward era um homem digno. E, por mais que ela já tivesse lhe dito aquilo com palavras antes, ver aquilo em sua mente lhe provocou uma emoção tão poderosa que ele quase precisou se ajoelhar para conseguir contê-la dentro do peito. Porque, ao se ver dentro da mente de Bella, ele não viu apenas o homem que ela amava e por quem tinha sentimentos distorcidamente positivos. Ele conseguiu se ver como um homem digno de ser feliz. Digno de seu amor. Digno de ter uma família novamente. Digno de estar com os Cullen. Digno de parar de sofrer. Digno de perdoar a si mesmo. E aquelas certezas dela sobre ele eram tão concretas que não pareciam pensamentos. Pareciam quase um espelho. Um reflexo de como ele realmente era. E, por um segundo, ele sentiu que aquele era verdadeiramente ele. Que ela estava certa. Que ele já tinha sofrido o suficiente e que poderia fazer mais do que simplesmente se arrepender de suas ações passadas e viver mergulhado para sempre em um mundo de remorso, como penitência. Ele era digno de lutar por aquilo que o fazia feliz. Lutar para ter paz. Ter a companhia de seus pais. Ter a mulher que amava para sempre, sem sentir como se estivesse cometendo um pecado. E tudo aquilo o fez soltar um soluço estrangulado diante da força da emoção que o tomou, fazendo seu corpo quase dormente pender para a frente, automaticamente aninhando sua cabeça contra o peito de Bella, que prontamente o abraçou, enquanto murmurava ternamente. - Isso ajudou você a se ver com clareza? Você está sempre com tanta dor, arrependido pelo que fez, que não percebe como isso é o que te faz merecedor de ser feliz. É isso que vai fazer com que Carlisle e Esme fiquem felizes por você ter voltado para eles. Porque você pode até não acreditar ainda, Edward, mas você é esse homem que eu te mostrei. O homem que eu amo. – mesmo ainda imerso em seu choro sem lágrimas, ele ergueu os olhos para encarar o sorriso incrivelmente amoroso que ela lhe lançou – O mesmo homem que passou décadas em um mundo terrível de mortes e carnificina e nem mesmo isso foi capaz de muda-lo. De torna-lo tão c***l e sádico quanto os homens que ele caçava. Ao contrário, ele se tornou ainda mais sensível ao fato de que cada vida humana importa. Você não percebe? É isso o que eu vejo e que os seus pais também vão ver: que o filho que eles amam ainda é um homem maravilhoso e que finalmente voltou para eles. – delicadamente, ela o afastou um pouco para poder acariciar seu rosto com ambas as mãos, com seu lindo sorriso amoroso se ampliando ainda mais - Não importa o que você fez ou o que deixou de fazer, Edward. Para nós, apenas uma coisa importa: você. Um novo soluço irrompeu do peito dele e Edward se abraçou ainda mais a ela, abalado não apenas pela imagem na mente dela. Mas também pelo que a imagem na mente dela havia feito com ele. Porque, pela primeira vez, ele se sentiu verdadeiramente dominado pela confiança e as certezas de Bella sobre ele. Não apenas resignado de que poderia desfrutar de seu amor até que, provavelmente, algum dia, ela viesse a deixa-lo, ou simplesmente agradecido de que um ser tão indigno quanto ele havia sido agraciado com uma mulher tão magnífica quanto ela. Ele sentiu que poderia parar de sofrer por ter tudo aquilo. Parar de se sentir como se fosse um impostor, prestes a ser desmascarado... Um demônio prestes a macular um anjo... Ele sentiu como se realmente pudesse parar de se ver como um monstro. Por vários segundos, ele apenas chorou um pouco no peito dela, incapaz de falar diante da torrente de sentimentos que o estava soterrando. Tão intensa que, por algum tempo, ele apenas se permitiu afogar-se nela. Finalmente, quando emergiu, a esperança e a alegria – e não apenas isso, também a paz – o estavam preenchendo tão completamente que ele apenas foi capaz de focar os olhos nos de Bella e lhe dar um sorriso trêmulo. - Eu te amo. – ele sussurrou, seu amor por ela tão intensamente presente naquelas três pequenas palavras que Bella arfou de surpresa. – Obrigado. - Quer dizer... Que você acredita em mim agora? – seu adorável rosto se abriu no que ele teve certeza que era o maior sorriso que ele já a vira dar. - Sim, meu lindo raio de luz. – ele se endireitou para poder abraça-la contra seu peito mais uma vez – Você me salvou mais uma vez. Acredito em você. - Isso quer dizer que você vai me levar para conhecer os seus pais? – ela sorriu, brincalhona, mas ele pôde reconhecer a expectativa brilhando em seus olhos. - Sim, meu amor. – ele riu, sentindo sua alma leve como nunca antes – Assim que você estiver pronta, nós iremos até os Cullen. – com os olhos ardendo de lágrimas de alegria inexistentes, ele abraçou sua companheira mais uma vez, sentindo a luz dela finalmente dissipar por completo toda a escuridão que havia dentro dele. - Nós vamos para casa.
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