Capítulo 05 - Laila
Tudo pronto para ir a Itália, combinei com Rafael e ele irá passar aqui em casa para me buscar, iremos no jatinho da empresa, é mais seguro e rápido.
Mando mensagem para Vic, avisando que logo estarei lá para matar a saudades dela e do meu sobrinho lindo. Terminei de guardar as minhas coisas e começo a ficar tensa, minhas mãos frias, meu coração acelerado, afinal ir para Itália significa que encontrarei um certo Tiozão gostoso, estamos a um tempo sem nos ver, na verdade desde que descobri sobre o passado dos meus pais e seu cargo dentro da máfia, meio que me afastei de todos, precisava entender toda esta loucura, já conversei muito com a Vic e ela me explicou como as coisas funcionam, até admiro algumas coisas e leis que o Fillipo impôs após se tornar capô, ele realmente é muito justo, mas ainda assim a vida deles é viver constantemente em perigo, afinal traidores e inimigos sempre existiram.
Bom, esta é a vida da minha irmã agora, sei que ela e meu sobrinho estão muito bem protegidos, isso é o que acalma o meu coração. Agora Giovanni já é outra história, esse leva o personagem, o papel dele a sério, sempre um ogro, rude e petulante, bem como um homem com poder deve ser e por isso o quero longe de mim, se ficar perto perco o controle, pelo menos quando estamos sozinhos, já que esse jeito dele me excita da mesma forma que me irrita.
Lembranças do dia que fui para Itália pela primeira vez :
— Você vem comigo. - m*l desci do jatinho e o i****a já começou a me irritar
— Desculpe, mas eu vim com a minha irmã e irei com ela, não entro no carro de estranhos. - ignoro o que diz e digo séria, sem tirar os olhos dos seus, porém ele dá um passo à frente e ficamos mais colados.
- O casal precisa ficar só e você vai comigo já está decidido - Dá a ordem, e antes que eu rebata ele me puxa e me leva para o outro carro. A vaca da Victoria invés de intervir me deu tchauzinho.
Assim que entrei no carro o encarei com sangue fervendo tamanha a raiva que senti.
- Mas que p***a você pensa que está fazendo - disse e cruzei os braços na altura dos meus s***s, na hora foi impensado, mas quando vi o olhar dele para o meu decote, meu sangue ferver ainda amais, porém agora não era de raiva. Para ajudar o Brutamontes não disse e colocou o carro em movimento e isso me deixou ainda mais p**a.
- Você se acha né, mas eu não vim para Itália para ficar com você de olho em mim e no meu pé eu vim me divertir e conhecer pessoas novas, da minha idade já que sou só uma menina né - debochei provocando por conta do que disse quando nos beijamos. Ele ainda ficou calado, mas eu não consegui.
- Você é um i****a mesmo, devia se tratar deve ser a velhice chegando né, tiozão - alfineto, sei que não suporta quando o chamo assim. Percebi que chegamos, então aproveito que o infeliz está mudo e me viro para sair, mas suas mãos fortes, quentes seguram meu braço, o que faz eu me virar e olhar direto nos seus olhos que estavam escuros. .
- Você diz que não é uma menina, mas está agindo igual a uma, batendo o pezinho. - me provoca, e antes que eu debata novamente, ele continuo - Te garanto que este tiozão aqui te deixa muito mais encharcada que muitos menininhos - sua voz rouca, seu toque fazem meu corpo estremecer internamente, fico nervosa porém acabo gargalhando, não darei o gostinho da vitória a ele
- E eu te garanto que nunca nenhum menininho me deixou na mão, eles vão até o fim. - rebato, puxo o meu braço rapidamente e sai do carro feito bala.
Provoquei além da conta o Tiozão naquele dia.
Deixo as minhas lembranças de lado e pego no sono, só pedindo a Deus que desta vez não o encontre no hangar novamente.
***
— Chegamos, Bela adormecida — Rafael me acorda após o nosso voo de quase oito horas, como estava cansada, logo peguei no sono.
— Humm, se não me acordasse acho que dormiria mais oito horas — Digo me espreguiçando e ele sorri.
— Isso significa que está precisando descansar e nada como uma viagem para recarregar as energias — comenta e sorrio para ele.
Me levanto, vou até o banheiro que fica no final do jatinho super luxuoso do meu cunhado. Jogo uma água no rosto e volto para a poltrona em busca das minhas coisas. Pego minha bolsa, meu telefone e desço. Olho em volta e, como sempre, três carros nos aguardam. É desta vez nada de Giovanni. A segurança aqui na Itália é ainda mais rígida. Caminho até o carro do meio, onde quem me recebe é o chefe de segurança do Fillipo. Como devem estar em casa, ele mesmo veio me escoltar.
— Boa noite, Dimitri, como vai? — o cumprimento, e ele disse que está bem. Ele abre a porta para mim, eu entro e, em seguida, Rafael entra do outro lado. E assim seguimos, com um carro à nossa frente e um atrás. Sinto-me importante, porém receosa. Ainda não estou acostumada com este mundo. Vou admirando a estrada florida a caminho da mansão dos Rossi. Esta cidade transmite paz, ela é linda e me traz boas lembranças. Já fico até pensando nos lugares que quero visitar no centro de Palermo.
Saio dos meus pensamentos ao avistar os portões da grande mansão, rodeada de seguranças fortemente armados, o que me faz sentir um calafrio. Acredito que Rafael percebe, pois carinhosamente toca na minha mão. Nos olhamos e sorrimos um para o outro.
— Ainda não me acostumei com tudo isso — digo com sinceridade.
— Normal, mas sei que um dia irá… poder, determinação, força e coragem são características que caminham com você, assim como uma liderança que está enraizada aí dentro, só aguardando o momento certo para te tornar uma mulher tão poderosa quanto a sua irmã neste meio obscuro. — suas palavras parecem ter duplo sentido, fico meio confusa e antes que continuemos a nossa conversa, a porta do carro se abre.
Seguimos para dentro da casa, onde fomos recebidos pela Soraya, uma senhora maravilhosa, avó do Fillipo, Rafael a cumprimenta e depois ela se vira para mim.
— Oh, minha menina está ainda mais linda — elogia e me abraça, ela é um doce de pessoa
— Estou igual, a senhora que está mais radiante — Digo devido a tudo que vem acontecendo na sua vida ultimamente, afinal, está criando o bisneto.
— Sim, ando muito feliz e pelo que percebo, você não está mais com aquele brilho de menina no seu olhar, está tudo bem, querida? — sorrio para o seu comentário, sempre observadora e sábia
— Estou ótima, porém, aquela menina teve que amadurecer devido a alguns acontecimentos, só estou me adaptando a algumas coisas, mas fique tranquila, estou sim muito feliz com a minha vida.
Comento para acalmá-la, mesmo que por dentro eu ainda tenha muitos temores, muitas questões m*l resolvidas, uma sensação de angústia que não passa e nem sei se um dia passará. Caminhamos até a sala e a cena que vejo faz meu coração se acalmar, ver a Vitória feliz, após tudo o que passou, me deixa radiante.
Victoria está de joelhos no chão brincando com seu filho Lorenzo, sua barriga já está aparecendo também, afinal, a maluca está grávida novamente, agora de gêmeos. Fillipo está sentado na poltrona fumando seu charuto, admirando a cena à sua frente. Nem parece aquele homem sério, todo-poderoso, neste ambiente. Enfim, isso significa que, mesmo que fora de seu lar ele tenha que ter punhos de ferro, dentro de sua casa escolheu ser só o marido e pai de família. Acabo sorrindo e me emocionando.
— Boa noite, Laila! — Fillipo me cumprimenta, tirando-me do transe. Nisso, Victoria repara que cheguei.
— Olha só quem chegou, filho! — Dou boa noite ao meu cunhado, ao mesmo tempo em que Vic se levanta com Lorenzo em seus braços.
— Victoria, amor, cuidado, olha sua barriga — Fillipo a repreende por levantar sozinha e pegar o filho no colo. Lorenzo é um bebezão fofuxo.
— Fillipo, estou grávida e não inválida — Acabo rindo, pois esta aí está sempre com a língua afiada, fora que sempre foi independente.
— Está vendo, Laila, o que tenho que aguentar desta teimosa? O médico já falou que ela precisa descansar e tomar alguns cuidados, afinal, são dois agora dentro da sua barriga — Fillipo explica, meio que dando uma cutucada, e Victoria revira os olhos.
Rafael e eu sorrimos com esses dois. Aproximo-me da Vic e nos abraçamos, aproveito e tiro Lorenzo do seu colo. Nem preciso de esforço, pois ele mesmo se joga para o meu colo e, claro, ela resmunga.
— Ah, seu traíra, ela chega e você me abandona — Victoria e seus dramas .
— Sou a tia preferida, se acostume — debocho e todos nós acabamos rindo. Rafael aproveita que ela se levantou e a cumprimenta, nisso, meu pequeno se alinha no meu colo e acaricio a sua cabecinha.
— Deixa a Luciana ouvir isso — Rafael me provoca e eu o ignoro.
Me perco ali no seu cheirinho, no seu carinho, quando percebo que o ambiente muda, vejo que Fillipo se levanta e só então olho para onde a Vic está olhando com um sorriso travesso nos lábios. Neste momento, meu coração dispara e minhas mãos suam, nossos olhares se encontram e como sempre ele mantém a sua postura ereta, sua feição séria, porém,seu olhar gélido e penetrante, são direcionados a mim. Como sei que na frente do Fillipo ele mantém seu posto de fodão, só o ignoro, como ele sempre faz comigo.
— Boa noite a todos! — diz com a sua carranca.
— Boa noite, Giovanni, feliz que tenha aceitado meu convite para vir jantar — Olho para a Vitória e a fuzilo com olhar, mas claro que ela me ignora. Ele vai se aproximando, cumprimenta o Fillipo com aperto de mão e se vira para ela.
— Sim, fiquei feliz pelo convite, obrigado, só não sabia que estavam com visitas — diz se dirigindo a mim — boa noite, Laila — sempre cordial e frio ao mesmo tempo.
— Boa noite! — o cumprimento sem muita emoção, se é para ser frio, também sei ser. — acho que o Lorenzo dormiu, — aviso a Vic que olha para ele e diz que realmente o pequeno dormiu.
— Vou colocá-lo no berço, Vic, logo desço para jantar. — aviso e antes que ela me impeça dizendo que chamaria a babá, me retiro com meu pequeno, ficar perto do Gian é estressante.
Vim para Itália para descansar e matar a saudade da minha família, não deixarei este i****a me irritar.