Capítulo 01
─ Saville, seu pai vai nos m***r. ─ digo, alarmada.
Meu tio é um homem reconhecido por sua paciência, até que ele a perde e se torna como um touro bravo.
─ Ele só vai nos m***r se ele ficar sabendo e ele só vai saber se você contar. ─ ela me lançou um olhar perspicaz ─ Você não vai contar, não é? ─ ela piscas os olhinhos, sabendo como me conquistar.
─ Não tente me ganhar com olhares doces. ─ reclamo.
─ Por favor priminha. Eu estou indo encontrar o amor da minha vida. ─ ela fala, seus olhos brilhando.
Saville tinha conhecido no último festival um pequeno comerciante chamado Karan. Era nítido a química entre eles desde o primeiro momento. Porém, eles tinham medo da reação do meu tio se revelassem o romance, uma vez que Karam não possui muitas posses e não era o sonho de genro que meu tio tinha.
Porém não se pode negar que eles estavam apaixonados.
E eu, boba como sou sempre, entrava nas armações que Saville inventava para encontrar seu amado. Ela sempre inventava uma desculpa para sair e como ela não tinha permissão para sair sozinha eu era usada como acompanhante e disfarce.
─ Aisha, estamos combinadas? ─ ela perguntou quando estávamos próximas ao ponto de encontro.
Suspirei.
─ Tudo bem. Mas essa será a última vez que eu vou me envolver nessas suas armações. Seu pai me deu abrigo quando eu mais precisava, me sinto como se estivesse traindo a confiança que ele depositou em mim.
─ Não estamos fazendo nada demais e você é família, nunca que iríamos te deixar sozinha no mundo. ─ ela fala sincera.
─ Eu amo você, pequenininha. ─ falo, a puxando para um abraço rápido.
─ Eu também te amo. ─ ela fala, devolvendo meu abraço.
─ Agora se fosse você eu correria. ─ digo, a soltando ─ Temos 20 minutos para voltarmos pra casa.
─ Não precisa nem falar duas vezes.
E assim Saville saiu apressada. Ela era nova, apenas 19 anos, sempre foi superprotegida pela família. Ela não entende nem metade de toda a maldade do mundo. Ela é um espírito livre e é bom ver que ela encontrou alguém tão apaixonado pela vida quanto ela, alguém carinhoso que a tratará sempre bem.
Eu vim da parte p***e da família, era prima de Saville de quinto grau. Quando meus pais morreram num acidente eu não tinha mais ninguém a quem recorrer. Eles poderiam fingir que não me conheciam porém escolheram me estender a mão e me criar como um m****o importante da família. Eu sou um pouco mais velha de Saville, 22 anos, mas posso dizer que vi de perto toda a dor e tristeza que o mundo pode trazer.
Por este motivo eu me sentia um pouco endividada com meu tio e pagava está dívida ajudando nas tarefas domésticas e cuidando de Saville o máximo que eu podia, servindo como mãe e irmã mais velha para ela.
Eu não tinha grandes sonhos para minha vida, porém não tenho a intenção de viver o resto da minha vida na casa do meu tio. Assim que Saville estiver encaminhada, Feliz e que eu sentir que minha divida foi paga irei seguir a minha vida, quem sabe encontrar um amor também, ter uma casinha pra chamar de minha...
Até uma miserável pode sonhar.
Comprei alguns mantimentos que me foram pedidos, andei por algumas lojas, olhei algumas vitrines dando tempo mais que necessário pra minha prima poder aproveitar seu tempo com seu amor.
No caminho de volta ela parecia estar flutuando em outro universo, quieta, então dei-lhe o tempo que ela precisava, sabia que no tempo certo ela se abriria comigo.
─ Ele me pediu em casamento. ─ ela falou quando estávamos quase na porta de casa.
─ O que? ─ questiono, alarmada.
─ Ele disse que não vai mais esperar nada, que me ama e que está pronto pra viver esse amor comigo. E que se meu pai não permitir nos fugiremos juntos e viveremos do nosso amor.
─ E como você está com tudo isso?
─ Eu estou radiante. Eu o amo tanto, desde o primeiro momento em que eu o vi sabia que ele seria o amor da minha vida. É como se o conhecesse de uma vida passada.
─ Isso é muito lindo Savi. ─ digo, mas no fundo estou preocupada.
Essa história de casamento e fuga... a vida não é o conto de fadas que Saville imagina.
─ Eu sei. Só espero que não tenhamos que chegar no estágio da fuga. Partiria o meu coração ter que abandonar papai e você.
─ Fique tranquila. ─ tento pensar positivo ─ Seu pai nada mais quer do que seja feliz. Tenho certeza que ele permitirá a partir do momento em que ver vocês juntos. Era o destino de vocês se encontrarem.
─ Você acha? ─ sua voz parece esperançosa e eu torço para que eu esteja certa.
─ Tenho certeza Saville. Estou tão feliz por você pequenininha. Venha me dá um abraço. Você será muito feliz e...
─ Posso saber o que deixou minhas meninas tão feliz?
Saville me olhou com completo pânico.
─ Só coisas bobas de garotas, tio. Nada com que deva se preocupar. Prometo. ─ falo, evitando a confusão.
─ Ótimo. ─ ele respira fundo.
Saville me olha aliviada e se adianta para mudar de assunto.
─ E como foi a sua reunião de negócios, pai?
─ Não saiu exatamente como eu planejava mas nada fora do esperado de uma família como os Abdalas.
─ E porque não os esquecemos e seguimos nossa vida como sempre a levamos? ─ Saville perguntou esperançosa.
─ Porque o único jeito de não ser atropelado e empurrado a uma vida de miséria por eles é se associando a eles. Mas nós conversaremos sobre isso depois, agora eu só quero uma refeição tranquila com as princesas dos meus olhos.
─ Vou pedir pra servirem em 20 minutos, tio. Pelo menos nos dá um tempo para tirarmos a poeira da rua.
─ Obrigado, Aisha. Não se atrasem. ─ E ele se despediu com um beijo na testa da filha.
─ Ufa, você me salvou. ─ Saville fala quando já estamos longe do meu tio.
─ E quando é que eu não te salvo, Saville? Agora se apresse pro banho.
Ela se afasta de mim rindo.