Capítulo 07

1141 Words
Conforme Onur tinha me avisado, minhas coisas realmente já estavam no quarto. Peguei uma roupa confortável e me dirigir até o banheiro. E esperei. Esperei pelo que parecia ser uma eternidade e nada. Não que eu estivesse ansiosa para o que estava por vim, porém o fato de ficar trancada aqui, sem notícias, sem saber o que esperar era ainda pior. No que eu julguei ser três horas uma senhora entrou no quarto trazendo uma bandeja com lanches variados. Cerca de meia hora depois ela voltou para leva-la de volta. Apesar de tentar uma interação com a senhora, fui completamente ignorada, ela manteve seu olhar a todo tempo no chão. Na falta do que fazer fucei a mala que minha prima instruiu que fosse deixado no quarto das núpcias e me surpreendi ao encontrar uma cartinha. Oi priminha, Já estou com saudades de você. Essa casa não é a mesma sem você (não preciso que você saia dela para saber isso). Escrevi essa carta para você sentir como se eu estivesse sempre com você, como se carregasse um pedaço de mim com você. Espero que não demore muito a encontrá-la. E quanto a mim, não se surpreenda se me descobrir usando suas roupas ou dormindo em sua cama, para m***r as saudades que eu sentirei de você farei essas loucuras e outras mais. Pra mim você sempre será mais que uma prima, você será a irmã que sempre quis ter mas nunca tive. Te amo muito, Te guardo para sempre em meu coração! Saville Apertei a carta com força no meu peito e chorei, aquilo que eu ainda não tinha chorado e que estava preso em meu peito e acabei dormindo. Voltei a despertar com a mesma senhora de antes abrindo a porta com o meu jantar. Já tinha virado noite e eu continuava sem saber o que me aconteceria. Seria a primeira vez que eu faria uma refeição importante sozinha. Terminei a minha refeição e resolvi tomar outro banho, me preparar para dormir e orar para ter sono depois de dormir a tarde inteira. Assim que terminei de me arrumar sentei em frente a uma penteadeira e desmanchei o penteado em meu cabelo, os deixando solto e comecei a desembaraça-lo. Se estivesse em casa Saville me ajudaria com este serviço. A porta se abriu de novo, mas eu não dei muita importância pensando que seria a senhora pra buscar a bandeja do jantar, e já que ela não estava aberta ao diálogo me mantive concentrada no serviço. -Espero que tenha encontrado formas de se manter ocupada. – disse uma voz grassa atrás de mim. Nem precisei me virar para ver quem era. Pela voz eu reconheci, além de ser possível ver seu reflexo atrás de mim, no espelho. Ele parecia mais casual, com calca de moletom e blusa de linho. -Venha cá, deixe-me ajuda-la com isso. – ele falou estendendo a mão. Entreguei-lhe minha escova e ele continuou o trabalho de onde eu estava. Ele parecia super concentrado na tarefa de desembaraçar meu cabelo e neste momento ele nada mais parecia do que um garotinho perdido. - Onur conversou com você? - ele falou me olhando através do reflexo. -Sim. -Espero que tenha passado todas as regras. Mantive o silencio. -Odeio indisciplina, não me subestime e nem teste o limite do meu bom humor. Não pensarei duas vezes antes de castiga-la. Entendeu? -Sim. -Ótimo, siga as regras e não teremos problemas. Ele pousou a escova ao meu lado na penteadeira e enrolou meu cabelo em suas mãos, abaixando-se para cheirá-lo em seguida. Eu sentia como se algo dentro de mim estivesse explodindo em pedacinhos, não sabia dizer o que estava sentindo porém, sabia que não era nada que eu tivesse sentido antes. Porém, quando ele foi se aproximar de novo para cheirar meu cabelo eu fiz um para afastá-lo e vi quando algo no seu rosto se transformou. -Não sabia que eu era tão repulsivo assim.- ele falou com uma careta. Continuei retesada na cadeira, observando ele se afastar e tirar sua camisa, revelando um corpo bem torneado. -O que? - ele falou soltando uma gargalhada debochada depois- Não me diga que o meu torso desnudo também a ofende? -Eu...- sussurrei, incapaz de formular uma resposta congruente. Ele deu as costas para mim e se jogou na cama. Continuei sentada, confusa sobre o que deveria fazer a seguir. -Dance para mim. - ele falou tirando um aparelho do bolso. -Como? -Dança, sabe? Movimentos que se faz com o corpo seguinte o ritmo de uma música. -Eu sei, mas... -Você não sabe dançar? -Sei... -Ótimo, então qual é o problema? Dance para mim. Respirei fundo três vezes. Ele soltou a música do celular e, apesar de não conhecer, eu conseguir pegar a batida dela bem rápido. Está é a coisa mais incrível da dança, tudo que você precisa para desenvolvê-la é deixar o corpo se guiar pelo ritmo. Eu sempre gostei de dançar, desde pequenininha. Sempre foi algo que tive facilidade para fazer, sempre tive domínio sobre o meu corpo para realiza-la com maestria. Comecei a dançar focada, inicialmente, completamente na música, porém minutos depois mudei minha atenção para Farid. Sempre gostei de plateia, de ver o olhar de admiração nas pessoas que me assistiam, porém está seria a primeira vez que eu dançaria para alguém que não fosse da minha família. E para primeira vez eu parecia estar me saindo muito bem. Já no meio da música eu tinha me livrado de todas as minhas dúvidas e medos. Farid me observava atentamente. Parecia que ela absorvia cada um dos meus movimentos, toda sua atenção voltada para mim. E, contrariando a minha própria natureza, eu estava adorando este tipo de atenção. Assim que a música terminou permaneci parada o olhando, e ele, por sua vez permaneceu deitado na cama me olhando. -Amanhã logo cedo alguém virá busca-la. - ele falou se levantando da cama, após alguns segundos de silêncio. – Agora você pode dormir ou fazer qualquer coisa que queira, desde que permaneça no quarto. Fiquei surpresa e aliviada ao mesmo tempo, achei que ele fosse me obrigar a me entregar para ele hoje, mesmo tudo em mim mostrando que eu não estava preparada para este momento, pelo menos não agora. Mas, o que eu não queria admitir, era que lá no fundo, eu sentia uma pontinha de decepção. -Obrigada. – sussurrei em resposta. Ele caminhou até ficar cara a cara comigo. -Eu não estou fazendo isso por você e sim porque eu estou cansado demais para lidar com os problemas e inseguranças de uma garotinha que m*l saiu das fraldas. Porque perder meu tempo te adulando se eu tenho outras vinte e duas mulheres prontas para me satisfazer. – ele abriu um sorriso doentio- Tenha uma boa noite mi amor! E ele saiu sem nem ao menos olhar pra trás.
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