Capítulo 03

968 Words
Não preciso nem dizer que estes foram os dias mais corridos de toda a minha vida. Assim que amanheceu meu tio já mandou um funcionários para transmitir para Farid que sua proposta tinha sido aceita e então a verdadeira loucura começou. Meu tio, seja como forma de compensação ou realmente por causa do casamento, tinha me arrastado para todo e qualquer tipo de loja a fim de comprar todas as coisas que ele considerava importantes para o enxoval de uma mulher. Não é como se eu estivesse empolgada com o casamento, logo não me importava muito este tipo de coisa. Acabava por ficar com meu tio a tarefa de comprar a maioria das minhas coisas. Ou seja, acabei tendo as coisas mais inúteis do mundo no meu enxoval. Minha maior tristeza tinha sido Saville. Por mais que eu tentasse me aproximar dela ela encontrava uma forma de me afastar, eram os meus últimos dias com ela em muito tempo, não queria passar eles brigada. Ela se sentia traída de certa forma, se recusava a entender que eu estava fazendo tudo por ela. Eles precisavam desta “união” para salvar a empresa, mas meu tio nunca permitiria a sua filha uma vida infeliz. E cá estava eu, na minha última noite na casa do meu tio, jantando somente com ele em um silêncio altamente desconfortável onde nenhum dos dois parecia estar muito interessados na comida. -Tio – tomei a inciativa- com sua licença irei me retirar para os meus aposentos. Amanhã será um longo dia e ainda tenho que arrumar o restante das minhas coisas... -Licença concedida. -Boa noite. -Aisha- ele me chamou quase no fim da sala- Tudo bem se não quiser mais ir. Ainda dá tempo de mudar de ideia. Lhe respondi com um único sorriso triste. Terminei de arrumar todas as minhas coisas que ainda estavam fora da m*l, estava na última pilha quando uma fresta da porta do meu quarto foi aberta. -Será que eu posso entrar? Abri um sorriso, o primeiro verdadeiro em quatro dias. -Claro Savi. Você sempre pode entrar. -Vejo que já terminou de arrumar suas coisas. -Aham. Eles devem vim logo cedo busca-las. -Então é amanhã que você vai embora. -Sim. -Vou sentir sua falta. -Eu também, minha linda. -Me perdoa por ter agido como uma i****a com você esses dias. Eu estraguei minha última chance de passar um tempo com você. -Hey, não fala assim. Eu ainda estarei aqui perto, pode ir me visitar sempre. -Se seu marido permitir. -Ele não a de se importar. -Não queria que se sacrificasse por nós. -Não será sacrifício. Morarei em uma casa linda, enorme. -Que nunca será realmente sua casa. -Ganharei joias e roupas deslumbrantes. -Terá que dividir a atenção do seu marido. -E todo o conforto? As viagens, festas... -Nunca experimentará o amor. Travei por alguns momentos. -Quem precisa de amor quando terei todas essas coisas legais. -Você sempre me disse que não precisava de muito pra ser feliz. Que ficaria feliz vivendo em uma casinha com um p***e trabalhador dois filhos e um cachorro. -Pare de usar o que eu disse contra mim. Venha aqui, Savi. – falei batendo em minha cama. – Eu vou ficar bem. Sempre conseguir me adaptar as diferentes etapas da minha vida. -E que vai te proteger nas noites de tempestades? -Ora, já passou da hora de superar esse trauma bobo. -Se você quiser, podemos... -Shiu, pequenininha. Vamos deixar as coisas do jeito que estão. -E como eu vou viver sem você? – ela falou já chorando. -Ora, daqui a pouco você também estará saindo desta casa e construindo sua família... Não é como se fossemos ficar grudadas o resto da vida. -Se for muito r**m você pode fugir e vim morar com a gente. -Pode ter certeza disso. -Tenho algo para você. Feche os olhos. – ela tampou meus olhos com as mãos. - Não vale espiar. -Só não deixa eu me bater em nada, por favor. -Confie em mim. Bom, eu sei que este não é seu casamento dos sonhos e que não será nas situações ideais mas você será uma noiva amanhã e só se vive esse momento uma única vez na vida. Nada mais justo do que dar-lhe pelo menos esse pequeno prazer, um gostinho do que você sempre sonhou. – Ela destampou meus olhos assim que chegamos ao seu quarto e eu me deparei- Eu espero que você goste, foi o que eu achei de mais bonito nesse tempo curto, mandei ajustar com as últimas medidas que você tirou na costureira. Gastei minhas economias nele, Said me deu uma pequena ajuda também. É o nosso presente para você. E então, você gostou? – ela me perguntou cheio de expectativas. -Se eu gostei. Eu amei, é perfeito, o bordado, o brilho... Você não deveria ter gastado o seu dinheiro comigo. -Era o mínimo que eu poderia ter feito por você. -Eu nem sei se será adequado... Não sei nada sobre os tramites da cerimonia mas deve ser algo bem simples pelo período de tempo. E além do mais, o cara já casou outras 22 vezes. Já não deve aguentar mais toda essa palhaçada. -Bom, aí o problema já é dele. Você deve e vai se sentir especial amanhã. Abracei ela forte. -Obrigada por isso. Não conseguiria passar por tudo amanhã pensando que você me odeia. -Eu não te odiaria nem se quisesse. Agora já está tarde, amanhã será longo... Dorme comigo essa última noite? -Com absoluta certeza. Nos jogamos na cama e corremos para debaixo da coberta, tal como fazíamos nas noites de tempestade. -Aisha? – Saville perguntou depois de um tempo. -Uhm? -Você está com medo? Suspirei. -Completamente apavorada. E assim adormecemos em nossa última noite juntas, ambas perdidas em pensamentos e preocupações sobre o que o futuro me reservava.
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