capitulo 38

877 Words

tereza Ver Glauco algemado, de cabeça baixa, ouvindo o juiz pronunciar “vinte e nove anos” mexeu comigo de um jeito que eu não esperava. Não era alegria, tampouco pena. Era uma espécie de luto estranho — pelo homem que eu acreditei existir um dia e que, no fim das contas, nunca passou de miragem. Saí do tribunal com a respiração curta. Vanessa caminhava ao meu lado, a mão dela quase sempre roçando meu braço bom, como quem avisa: estou aqui, não solto. Eu quis agradecer, mas as palavras ficaram presas na garganta, sufocadas por lembranças contraditórias: primeiros beijos num parque de bairro, as promessas de “a gente contra o mundo” — e depois a primeira bofetada, a primeira ameaça, o primeiro roxo escondido. No táxi de volta ao meu apartamento, encostei a testa no vidro e pensei: “Chega

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