Vanessa Dizem que a memória humana seleciona o que guardar. Talvez por isso, quando fecho os olhos agora, não vejo o sangue na sala nem o clarão do disparo. Vejo Luci e Theo correndo pelo corredor branco do hospital e gritando “mamãe!” tão alto que até a enfermeira sorriu atrás da máscara. Meu peito ainda dói quando respiro fundo—costelas lembram do estrondo que quase nos levou—mas a alegria deles cabe inteira onde antes só cabia medo. Luci subiu na beirada da cama, depositou um desenho no meu colo: Um castelo rosa no alto de um prédio, quatro janelas e um sol gigantesco sorrindo. No topo, eu, Robert, Theo e ela. “Nossa casa nova”, explicou, os olhos brilhando. Theo, sempre prático, quis conferir cada curativo: — “Pontos internos absorvíveis?” — “Sim, doutor”, respondi, rindo. Qu
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