Vejo a placa enferrujada balançando no cruzamento: “Bem-vindo a Luna Mesa, Novo México. Pop. 712.” Setecentas e doze almas, contando a minha – ou o que restou dela. A estrada de terra levanta poeira vermelha que gruda nas lentes do meu óculos escuros. Abandonei o SUV alugado um quilômetro atrás, perto de um desvio seco. Daqui a duas horas parte um ônibus interestadual que corta o deserto até Ciudad Juárez. De lá, avião clandestino rumo a Mérida, depois Belize. É o último roteiro que o coiote me vendeu. A mala prateada pesa mais que chumbo. Três milhões de dólares em notas pequenas embrulhadas a vácuo. Dinheiro que cheira a hospital e a sentença de morte. Dinheiro que comprei com a vida de uma mulher que eu deveria proteger. Sofia. Minha Sofia… Sinto o chiado dela quando puxava ar, o e

