Foram quatro horas de cirurgia para Vanessa. Eu fiquei sentado, conexão IV pingando no meu braço, a cabeça latejando. O tempo dançava entre segundos lentos e saltos relâmpago. Cada bip do relógio de parede soava como conta-gota de tortura. O detetive Collins voltou às 07:40 com café — decente, apesar do hospital. — Médico-chefe disse que sua esposa está terminando a sutura hepática. Perfuração, mas não fatal. Algumas fraturas. Está viva, sr. Demian. Foi então que a tensão transbordou. Eu chorei silenciosamente, rosto entre mãos enfaixadas. Doeu mais que as costelas quebradas. Collins me deu espaço e saiu. Agradeci com um aceno. Reencontro nas UTIs Por volta das 09:20, uma médica — doutora Anjali Patel — veio me buscar: — Podemos levá-lo à recuperação. Ela está sedada, mas estável.

