Livio A cela fedia a desinfetante vencido e suor antigo, mas eu já nem percebia mais. O tempo aqui dentro te ensina a ignorar os cheiros, os barulhos, os rostos. O que não dá pra ignorar são os fantasmas. E o meu tinha nome. Taylor. Ou melhor... Vanessa. Desde o dia em que o verme do Glauco soltou aquele nome, que esse inferno aqui não me segura mais. Aquela foto, amarelada, com o sorriso dela... o mesmo olhar. O mesmo jeito de quem finge ser doce, mas tem veneno correndo nas veias. Ela me feriu. Ela me traiu. E agora, saber que está viva, bem, criando uma filha, como se o passado tivesse sido apagado? — Não — murmurei, sozinho. — Isso não vai ficar assim. Naquela manhã, recebi a visita que esperava. "Cachorro Louco", meu velho irmão de guerra. Não de sangue, mas de faca. Se algu

