Um dia após o outro

1730 Words
Após o enterro de Carla, Leithan voltou para sua casa, mas tudo parecia tão vazio em sua vida. Nada mais era como antes, nada jamais voltaria a ser como antes, pois a falta da esposa corroía em seu coração como se uma faca de dois gumes estivesse espetada em seu peito. Ele entrou em casa e cada objeto ali lembrava sua bela Carla, cada móvel, cada enfeite, quadros, o jardim, tudo lembrava ela. Aquilo fez com que o homem soltasse um berro estrondoso, sendo ouvido por todos na mansão e fora dela. Os empregados correram para ver do que se tratava, mas quando chegaram na sala, se depararam com o patrão sentado ao pé do sofá abraçado a uma foto de Carla em um porta-retrato. — O que aconteceu, senhor? Está precisando de alguma coisa? — perguntou Carmem, a governanta. Mas ela já sabia muito bem onde era a dor sentida pelo homem à sua frente. — O que preciso você não pode me dar, Carmem. — Ele respondeu levantando os olhos para a mulher de pé. — Como eu vou conseguir viver sem ela? Como vai ser a minha vida de agora para frente? — O senhor tem o seu filho. Lembre-se de que a dona Carla o pediu que cuidasse dele. — comentou agachando-se e segurando a mão de seu jovem patrão. — Viva para o pequeno Lohan, transfira todo esse amor que o senhor sente pela dona Carla, para o seu filho. O senhor vai se sentir melhor, pode acreditar. ♥♥♥ Os dias fora passando e Leithan não conseguia superar a perda, mas isso não estava afetando apenas ele, a corporação sentia os efeitos negativos de sua ausência. Isso por que Leithan já não foi mais ao trabalho e passou a beber com frequência, tendo que ser recolhido das ruas em diversas situações. Por conta desses motivos, Karl articulou com os demais acionistas que afastasse mesmo que temporariamente, Leithan de suas funções, colocando-o assim como o segundo na empresa e o próprio Karl passaria a ser o primeiro. Mas houveram objeções. O modo de vida de Karl não era aprovado por parte dos acionistas que o achavam infantil demais para assumir o comando da maior empresa no ramo da construção civil de toda América, sendo assim, eles optaram por fazer uma votação e o nome mais cotado para substituir Leithan era o de Thruman O´Neill. Lógico que Karl não gostou nenhum pouco. — DESGRAÇADO! — exclamou jogando um copo contra a parede de seu escritório, após a reunião. — Como eles puderam fazer comigo? Justo agora que a Carla morreu e eu pensei que as coisas se tornariam mais fáceis! — comentando consigo mesmo. — Mas isso não vai ficar assim, não vai mesmo. Karl pegou seu terno e o vestiu, em seguida ele saiu do escritório sem dar satisfações e rumou para a casa de Leithan. Chegando lá ele o avista deitado no sofá da sala e com uma garrafa de uísque sobre o peito, o CEO se encontrava completamente bêbado. — Para com isso, Leithan! — falou arrancando a garrafa das mãos do homem que estava deitado. — Veja o que está fazendo consigo mesmo. Você que era nisso que a Carla iria querer que você se tornasse? — ME DEIXA! — gritou o CEO, dando um empurrão em Karl. — Eu não quero saber de mais nada, eu só quero é poder definhar em paz! — AH, É!? Mas você não percebe que está afundando todos a sua volta junto com você?! — respondeu Karl, imperiosamente. — Pensa um pouco, Leithan, você com esse seu sentimento mesquinho está acabando com a vida de todos a sua volta. Mas eu vou te dar um conselho, se você não aceitar as coisas como elas são, todos vão se afastar de você, cara! Cambaleando, Leithan vai até à mesa de bebidas e apanha outra garrafa, ele ri de forma debochada de Karl e vira de frente para o sócio. — E você acha que eu me importo? Eu quero mais é que todo mundo se exploda. — respondeu tentando abrir a garrafa, não conseguindo, ele a atira contra a parede, espalhando estilhaços e vidro misturados à bebida, por toda parte. Mas o homem mais alto começa a chorar feito uma criança e cai de joelhos no chão, Karl vai em seu auxílio. — Eu sei que você amava a Carla, todos nós a amávamos, mas ela se foi. Dói dize isto, mas ela se foi. — comentou abraçando-o. — Mas você continua vivo e o seu filho também. A empresa também precisa de você, Leithan, mas antes... a senhora deve descansar e deixar que eu cuide de tudo até que se levante novamente. Leithan aceitou o abraço de Karl e chorou no seu ombro por alguns minutos, era tudo o que o segundo na empresa queria. Se tivesse o aval do CEO, ele poderia conquistar o tão sonhado comando da Corporação Angelus. E foi o que aconteceu, depois de ter se acalmado, Leithan pediu a Karl que retornasse no dia seguinte para que os dois pudessem conversar a respeito do futuro da empresa, o segundo aceitou de bom grado e retornou para a sede da Angelus aquela mesma tarde. ♥♥♥ No dia seguinte, Karl chegou bem cedo à mansão de Leithan onde o mesmo já o aguardava. O inverno se aproximava e o frio já se fazia presente na região, mas isso não foi obstáculo para que o homem mais baixo fosse atrás de seus objetivos. Cegando lá Karl explicou a Leithan o que os acionistas estavam planejando, ele não gostou do fato de O´Neill assumir seu lugar e assinou um termo colocando o sócio em seu lugar temporariamente. — O´Neill é ambicioso e eu sei muito bem o que ele e o Travis andam aprontando nas minhas costas. — Ressaltou com desconfiança, Karl gostou do que ouviu. — Faça o que for necessário, mas não deixe que O´Neill assuma o controle da Angelus, eu conto com você! — Você sabe que sempre pode confiar em mim. — respondeu Karl, apertado firme a mão de Leithan. — Saiba que em mim você sempre irá encontrar um amigo. Karl se despediu de Leithan e retornou para a empresa, chegando lá convocou uma reunião com os principais acionistas e comunicou da decisão de Kilmoth, O´Neill e seus colegas não gostaram e propuseram uma votação para que fosse escolhido o substituto temporário de Kilmoth. Houve uma discussão, mas o conselho acabou ficando com a razão e a votação foi confirmada e agendada para aquele mesmo dia. Karl não quis avisar Leithan do que ocorria dentro da Angelus, mas ao entrar em seu escritório, ele pegou o telefone e avisou que não queria ser incomodado por ninguém. Em seguida ele fez outra ligação, o que soou bastante misteriosa: “Aquilo que eu estava planejando para Kilmoth, a senhora irá executar com outra pessoa. Mas faça ainda hoje”! E desligou o telefone logo em seguida. Karl Simon permaneceu em seu escritório até a hora da reunião. *** Na sala de reuniões, todos se faziam presentes, menos O´Neill. O executivo havia saído rapidamente para resolver um assunto pessoal, mas comunicou via celular que já estava a caminho e que poderiam começar sem ele. Foi uma coisa rápida e a maioria optou que o comando da empresa ficasse com O´Neill, o que soou como músicas aos ouvidos de Travis, melhor amigo de Thruman, pois ele ambicionava juntamente com o amigo a roubarem a empresa das mãos dos dois sócios, mas as coisas não saíram muito do jeito que eles queriam. —O que está havendo, José? Por que você está acelerando desse jeito? — O´Neill perguntou estranhando a velocidade do veículo em que estava. — Não sou eu, patrão. O carro está sem freio. — respondeu o motorista tentando parar o carro. Mas não conseguia de forma alguma. *** Ainda na sede da Angelus, todos aguardavam a chegada do mais novo comandante da empresa, mas o que chegou em seu lugar foi uma terrível notícia. Anna entrou na sala de reuniões e comunicou que O´Neill havia morrido em um trágico acidente depois da ponte do Brooklin. Um lúgubre silêncio tomou conta do local e uns olhavam para a cara dos outros, tentando entender o que de fato estava acontecendo naquela empresa. Seria algum tipo de maldição? Primeiro foi a esposa de Leithan e poucos dias depois foi a vez de Thruman O´Neill. O que mais estava faltando acontecer para deixar as coisas ainda mais bizarras por ali? — É difícil até acreditar numa coisa dessas. — argumentou Karl. — Você tem certeza disso, Anna? — Sim, senhor Simon. O senhor O´Neill morreu no local e o motorista José, este se encontra em estado grave, ainda estão efetuando o resgate deles, pois o acidente foi muito violento — respondeu Anna, de forma objetiva. — Mas a senhora sabe o que poderia ter causado esse acidente, Anna? — desolado, Travis perguntou. — Não se sabe de nada até então, a única coisa que sabemos foi através de uma testemunha que relatou ter visto o carro do senhor O´Neill, colidir violentamente contra um poste. — concluiu a secretária. Karl disse a Anna que ela poderia se retirar. Mas o que os acionistas amigos de O´Neill ficara pensativos, era que no documento assinado por todos eles, caso Thruman não conseguisse assumir, Karl Simon tomaria o cargo principal se tornando assim o CEO temporário. Apesar de tudo aquilo soar muito esquisito, eles optaram por cuidar primeiro do velório e só depois pensar na empresa. Leithan também recebeu com desolação a notícia da morte de O´Neill, por alguns momentos ele também começou a pensar que de fato a Angelus possuía algum tipo de maldição, mas Karl o admoestou de que aquilo tudo não passava de uma terrível fatalidade e que Thruman era acostumado a pedir que José acelerasse em seus trajetos. ♥♥♥ Três dias após o sepultamento de O´Neill, Karl chegou na Angelus com um largo sorriso no rosto e parou de frente à mesa das secretárias. — Anna, me leve um café imediatamente na minha sala. Ah... e antes que eu me esqueça, na minha nova sala!
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