A dor do Adeus

1498 Words
A agonia no coração de Leithan era imensa por não saber como ajudar sua esposa, mas o problema era que Carla estava prestes a dar à luz num ambiente que nem na mais remota hipótese, era o adequado para aquele tipo de procedimento. Mesmo assim, a mulher disse que ele era a única esperança dela ali e que confiava plenamente em seu marido. Então, Leithan tirou a camisa que vestia ficando apenas com a regata branca que usava por baixo. Ele a amarrou na cabeça fazendo da mesma uma touca e Carla encostada na parede, abriu as pernas e começou a fazer força. — Amor, eu não entendo muito dessas coisas, mas você está dilatando. Acho que não vai ser muito difícil. — Ele disse, achando tudo aquilo muito estranho. — Eu vou fazer conforme as aulas, você fique atento ao nosso bebê. Carla começou a fazer força assim que as contrações aumentavam, ela seguia gritando por conta da dor e aquilo deixava Leithan cada vez mais nervoso. Tudo parecia normal para um parto, até que algo anormal aconteceu, o marido notou que começava a sair muito sangue de Carla e pelo o que ele sabia, sangramentos na hora do parto não era um bom sinal. — Escuta, amor. A senhora não vai mais fazer força, entendeu? A senhora vai ficar aqui e eu vou correndo até em casa buscar um carro para te levar ao hospital. — disse ele com a voz trêmula. — Mas Leithan, eu sinto que ele já está quase nascendo. — Não! Não insista, por favor. Você está sangrando e eu sei que isso não é bom. — Insistiu ele. — Eu vou correndo buscar o carro e vamos para o hospital imediatamente! Carla assentiu, mas seu marido nota que a mesma já se encontrava fraca demais e o sangramento não parava. Ele então sai correndo do casebre em meio ao temporal, mas isso não foi empecilho para que corresse no escuro em busca de socorro. Já cansado ele avistou luzes ao longe, era sua casa e assim apertou o passo, chegando lá, pediu ajuda a Marcelo que já estava preparando uma equipe para ir atrás do patrão. A esposa de Marcelo ficou preparando algumas coisas para receber sua patroa, aquém gostava muito, enquanto os homens foram em seu socorro. Ao chegarem lá, Carla já havia sangrado tanto que se encontrava a ponto de perder a consciência, para desespero de Leithan. — Vamos ter que tirá-la daqui agora mesmo. — disse o marido para o capataz. — Não vai dar tempo de leva-la para a casa da fazenda. Marcelo assentiu e ajudou Leithan a pôr Carla dentro da caminhonete, ele acelerou rumo à pequena cidade que ficava próximo à sua propriedade. Rapidamente eles a levaram para dentro do hospital onde foi imediatamente atendida pelo médico que estava de plantão naquela noite. — Ela está com uma hemorragia grave. Tem que ser levada para um hospital mais bem equipado o mais rápido possível, caso o contrário... — Caso o contrário, o que, doutor? — perguntou Leithan, bastante nervoso. — Calma, patrão. — disse Marcelo tentando acalmá-lo. — O problema é que, com esse tempo, vai ser difícil removê-la daqui. Pois voar de helicóptero é impossível e de carro vai demorar muito. — falou se voltando para o médico. Leithan entra em desespero ao saber que a situação era bastante grave. Como aquilo tudo foi acontecer? Sua esposa estava tão ainda de manhã e à tarde, o mesmo vendaval que assolava a região parece ter entrado diretamente em sua vida. Qual a razão daquilo tudo? Esses eram os pensamentos que passavam na cabeça do CEO da Angelus naquele momento. Então o médico disse que, o máximo que poderia fazer era uma transfusão em Carla e tentar induzir o parto, caso não funcionasse, eles arriscariam fazer uma cesariana ali mesmo, porém, o hospital não era aparelhado para aquele tipo de procedimento. — Faça o que for preciso, mas salve a minha esposa, doutor. — Implorou o jovem senhor. — Eu farei, mas talvez o senhor tenha de fazer uma escolha. — O médico sendo objetivo. — Fique sabendo desde já que eu escolho, ela. Somos jovens e ainda poderemos ter muitos filhos. O médico balançou à cabeça e pediu que a recepcionista telefonasse para outro médico, ele explicou a situação e antes que seu parceiro chegasse, pediu que providenciasse a transfusão para a senhora Kilmoth. Alguns minutos depois o segundo médico chegou, ele era bastante experiente e já havia realizado dezenas de partos difíceis naquela pequena cidade e todos sem a necessidade de cesariana. Carla foi removida para a sala de partos e ao passar pelo marido, este começou a chorar copiosamente, pois a esposa falou o que ele não queria ouvir. — Se algo acontecer comigo, cuide do nosso filho, amor. — Não, nós vamos cuidar dele, juntos. Você e eu. — respondeu com lágrimas nos olhos. *** Foram longos os momentos de espera por notícias, da parte de Leithan. Ele já ficava num pé e noutro buscando saber o estado de saúde de sua esposa. Várias enfermeiras entravam e saíam da sala com bolsas de sangue nas mãos, o que deixava o empresário ainda mais irritado. Marcelo tentava de todas formas acalmá-lo, porém, sem sucesso, até que os dois ouviram o choro de bebê. — Nasceu. — disseram os dois homens, um após o outro. — NASCEU! — gritou Leithan, bastante emocionado. Enquanto ele abraçava Marcelo, o médico que o atendeu a princípio, saiu da sala para lhe trazer informações, pessoalmente. — Doutor, como está a minha mulher? E o meu filho? — perguntou ele, ansioso. — Ela quer vê-lo. — essas foram as únicas palavras do clínico. Leithan estava emocionado demais para perceber o semblante descaído do médico, mas Marcelo percebeu e sentiu uma forte tristeza quando o médico balançou a cabeça, fazendo um sinal de negativo. Leithan entrou na sala de parto e viu Carla sorrindo, segurando o pequeno Lohan em seus braços, ela estava radiante, porém, um pouco pálida. Mesmo assim Leithan se aproximou achando que aquilo fosse apenas por causa do esforço provocado por ela para dar à luz, mas não era bem assim. O CEO se aproximou e Carla o apresentou o filho. — Este é Lohan, seu filho. — falou entregando a criança ao pai. O jovem segurou seu filho nos braços pela primeira vez e sentiu uma emoção jamais imaginada por ele antes, o bebê dormia tranquilamente como um anjo, então, Carla já muito fraca, novamente falou. — Ele é lindo, não é? — perguntou, Leithan olhou para ela e sorriu, em seguida voltou a olhar para o filho. — Eu quero que novamente você me prometa que vai cuidar bem dele. Nesse momento o rapaz sentiu um aperto em seu peito, ele não entendeu o motivo de tal pergunta partindo de Carla. — Já disse que vamos cuidar dele, juntos. — respondeu encarando a mulher. — Você não entendeu, Leithan. Eu não vou poder ficar. A senhora havia dito ao médico que escolhesse a mim, mas eu não iria conseguir sobreviver se meu filho tivesse morrido para isso. Eu o escolhi, Leithan e a senhora também deveria ter feito o mesmo. — Carla imediatamente começou a desfalecer, para desespero de seu marido. — É melhor se despedir logo, senhor. A moça não tem mais muito tempo. — disse uma enfermeira que estava ao lado de Leithan. O casal então começou a conversar pela última vez e um lúgubre silêncio tomou conta do local. Somente eles eram ouvidos. — Não! Eu me RECUSO A TE PERDER. — gritou entrando em desespero. A enfermeira então pegou Lohan dos braços de seu pai. Leithan se ajoelha ao lado de Carla. — Por favor, fica comigo. Eu não vou saber viver sem você. — O Lohan vai te ensinar. Ele será o seu anjo depois que eu partir. Ame o nosso filho, por favor. Ele não tem culpa de nada e é fruto de nós dois, lembra? — dizia Carla, com dificuldades para respirar. — Ele é fruto meu e seu, amor. Eu te amo e te amarei para sempre! Olhando fixamente para Leithan, Carla exalou seu último suspiro e ele viu sua mão deslizar por entre os seus dedos, ela morreu olhando diretamente para ele, Leithan, o amor da vida de Carla, foi a última visão que ela teve em vida. No mais, um grito que expressava dor e desespero foi ouvido por todos dentro do Hospital. Leithan saiu correndo da sala de parto, com as mãos na cabeça e completamente transtornado pela dor. Marcelo já sabia o que poderia ter acontecido e segurou Leithan conseguindo por fim, abraça-lo com força. — Eu sinto muito, meu amigo. Eu sinto muito. — O capataz também chorou abraçado ao jovem. Não quem não tivesse sido tomado por uma forte emoção naquela noite. A enfermeira segurava o pequeno inocente que dormia, foi melhor para ele, pois não tinha consciência de tamanho sofrimento.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD