Mamãe, Não!

1053 Words
No dia seguinte, minha irmã e eu comemos um arroz com carne moída, que a nossa mãe havia feito a muito contragosto. A comida estava h******l, sem gosto, mas era o que tínhamos para comer. Após terminarmos, minha irmã e eu fomos para a escola, sim, íamos sozinhas. Estávamos esperando o semáforo abrir para os pedestres, quando um homem se aproximou da gente. - O que duas menininhas tão lindinhas fazem sozinhas na rua? O homem não tinha cara de bonzinho, nos olhou dos pés à cabeça e sorriu, fiquei com medo. Peguei na mão da minha irmã e saímos correndo, o homem gritou pela gente, mas por sorte, não nos seguiu. Escutamos uma buzina alta, o que nos assustou e corremos pra calçada, por pouco não havíamos sido atropeladas. Em seguida, chegamos no colégio. May foi correndo para brincar com suas amigas, e eu me sentei em um banco. - Oi. - Ele disse ao sentar do meu lado. - Oi. - Falei. - Você não veio sexta. - Disse Michael. - O que houve? Mike era o meu melhor amigo. Bom, ele e a Jennyfer eram meus melhores amigos, a escola não seria a mesma sem eles. - Estava doente. - Menti. Eu não podia falar a verdade do porquê eu não ter ido à escola, ele não entenderia, ninguém entenderia. - E está melhor agora? - Perguntou. - Aham. - Legal! - Sorriu. - Quer brincar de pega-pega? - Quero! Nós dois começamos a correr pelo pátio, porém, eu parei ao vê-lo acenando para mim com um enorme sorriso. - Papai! Corri até ele e parei na grade que nos separava. - Oi meu amor. Trouxeram lanche hoje? Em silêncio, eu acenei a cabeça de forma negativa. - Ah, essa sua mãe… Como eu pude me casar com ela? - Sério que você está perguntando isso para mim? - Não, meu amor. Esquece! Toma aqui os lanches de vocês. Papai passou os potes dos lanches pela grade e nisso May veio correndo até a gente. - Papai! - Ela disse. - Oi, minha gatinha. - Vem nos buscar hoje. - Pediu. - Oh, meu amor… Eu adoraria, mas hoje não é o meu dia de ficar com vocês Nisso, o sinal da escola tocou. Era a hora de dar tchau. Ah, como eu queria ficar com o meu pai… Nos despedimos dele e fomos para nossas filas. A minha professora chegou em seguida. Ela era uma mulher alta, magra, longos cabelos crespos na cor castanha e olhos verdes, era linda, e muito boazinha, eu gostava dela. Após terminarmos a nossa atividade, a professora falou que poderíamos brincar um pouco até a hora do recreio, mas eu não estava com vontade, estava triste por ter visto o meu pai e não poder ficar com ele. - O que houve, meu amor? - A professora perguntou ao se aproximar da minha mesa. - Não quer ir brincar? - Estou com dor de cabeça. - Menti. - Quer tomar um cházinho? - Perguntou docemente. - Não, obrigada, já vai passar. A professora me deu um beijo na testa e se retirou, indo até a sua mesa, para fazer as agendas, e eu fiquei vendo os meus amigos brincarem, Mike e Jenny até me convidaram para brincar com eles, mas eu realmente não estava com vontade. Na hora do recreio, eu já estava um pouco melhor e acabei brincando com os dois, brincamos de batatinha 1, 2, 3 e pega-pega, minhas brincadeiras favoritas, até que foi legal. (...) Assim que chegamos em casa (sim, também voltávamos sozinhas da escola), vimos mamãe bebendo uma das suas cervejas. Ela estava acompanhada de um homem. - Bom, eu vou indo. Outro dia eu volto pra gente brincar mais, gata. Ele deu um beijo na boca da minha mãe e saiu. Eca! Como os adultos conseguem ser tão nojentos? - Do que vocês estavam brincando? - May perguntou. - Brincadeira de adulto. - Mamãe respondeu. - Agora vão tirar os seus uniformes! May e eu subimos para nosso quarto e trocamos a nossa roupa. Em seguida, ouvimos a voz da nossa mãe, ela parecia estar conversando com alguém. Descemos as escadas, mas ao vê-la, percebemos que não tinha mais ninguém ali, mamãe estava conversando com a parede. - Mamãe, com quem você está falando? - May perguntou. Ela nos olhou, notando a nossa presença, e disse: - Não estão vendo? É a minha mãe, ela veio nos visitar, deem "oi" pra vovó. May e eu nos olhamos em silêncio, e assustadas, e então, eu falei: - Mamãe, a vovó morreu mês passado. Ela paralisou por alguns segundos, olhou para o vazio, colocou as mãos nos ouvidos, e começou a gritar: - Cala a boca! Cala a boca, você está mentindo, é mentira! É mentira! Maytê e eu ficamos muito assustadas, mamãe parecia que havia enlouquecido, nos deixou com bastante medo, eu não gostava quando ela ficava assim. Por que eu não podia ter uma mãe normal como as outras crianças? Eu adoraria saber como é ter uma mãe boazinha, queria uma mãe que me cuidasse, que me contasse histórias para dormir, que me levasse para passear, que me ajudasse na lição de casa, que ficasse comigo nas noites de tempestade, que falasse que me ama… Mas mamãe nunca fez nada disso, ela odiava a gente, e eu nem sabia o porquê, nunca fizemos nada pra ela, pelo contrário, minha irmã e eu sempre fomos obedientes, nunca demos trabalho, por que ela nos odiava tanto? - Chloe, você acha que a mamãe está enlouquecendo? - May perguntou. - Acho que ela já enlouqueceu há muito tempo. - Falei. (...) May e eu recém havíamos saído do banho, quando mamãe (já parecendo normal) entrou em nosso quarto. - Chloe, desce, quero falar com você. Deixei minha irmã terminando de se arrumar e desci até a sala, onde avistei um homem alto, barrigudo e fedorento. - Esse é o Raimundo, um velho amigo meu. - Disse mamãe. - Oi princesa. - Tocou no meu queixo, e eu virei o rosto, me esquivando dele. - Pode ir com ela. - Mamãe disse para o homem. - Mamãe, por favor, não. - Implorei aos prantos, mas ela nem ligou. - Vem, querida. - Me levou a força até o quarto da minha mãe.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD