Olivia
Dias haviam se passado, chegando o fatídico véspera de natal! Embora quisesse fortemente me mostrar não receptiva, não conseguia trazer esse desgosto ao meu marido, que fazia tudo o que estava ao seu alcance para me agradar.
Ele estava concentrado pondo a estrela no ponto mais alto daquela monstruosa árvore de natal. — Seu pai virá a nossa casa para comemorar conosco. Tudo bem com isso?
— Ok, a casa é sua, pode até convidar a Xuxa se você tiver como pagar o cachê dela.
Pablo se virou para mim, torcendo meio de lado aquela boca deliciosa. Fazendo-me recordar daquele beijo de semanas atrás. Desde aquele dia que gozei por cima dele feito uma cabrita no cio, nós não nos encostamos mais, muito menos tocamos no assunto.
Continuei de braços cruzados, toda largadona; blusa grande e folgada, short do piu piu e frajola, cabelos desgrenhados, amarrados apenas com um nó feito pelos próprios fios. Deixando-me completamente desleixada.
Desanimada por esse estágio gestacional levantei a mão na frente do meu rosto, averiguando as unhas sem um esmalte para dar cor na minha vida de grávida que volta e meia passa m*l, mesmo tomando as vitaminas receitadas pelo obstetra.
Frustrada, abaixei o braço dando uma breve bufada, entediada olhei para a janela aberta da sala. Podia-se ver a lua brilhando de tão bonita, a noite estrela. E da alegria que era apenas curtir a noitada sem pensar no dia seguinte.
— Olivia…
Pablo surgiu bem na minha vista, tampando um pouco do vislumbre da minha antiga liberdade.
— Sei o que está pensando.
Olhei seu rosto, me concentrando na linha enrugada no meio da sua testa. Parecia tenso, e com extremo cuidado pegou na minha mão, fazendo-me olhá-lo nos olhos. Encontrando um brilho tristonho em meio a um sorriso forçado.
— Pode estar pensando que eu tenho pouco a oferecer mediante a tudo aquilo que lhe foi arrancado bruscamente, mas… eu…
— Não me culpa por ter me deixado engravidar? — Questionei seriamente.
— Não…
— Não me condena por não ser a esposa submissa que gostaria ter?
Pablo torceu o nariz, provavelmente achando minha pergunta ridícula.
— Nunca quis que se submetesse porque sempre soube que nunca se submeteria. E não preciso de uma mulher que lava, passa e cozinha. Já deixei claro, ainda tem dúvidas disso?
— Tenho, quando ficou chateado por não ter limpando o microondas quando sujei de lasanha. Ou quando não lavei algumas peças de roupa.
Ele sorriu negando com a cabeça, depois ficou olhando para o lado, concentrando-se somente nos presentes em volta daquele símbolo natalino.
— Sobre o microondas, só falei para ter me avisado que eu teria limpado. Por causa disso ficou tudo grudado, e demorei mais tempo para fazer a higienização completa.
— Não podia usá-lo meio sujo? Ficou com nojinho?
Pablo retornou a olhar na minha direção. Sua feição plena enquanto mantinha uma seriedade estampada naquele rosto esculpido, me irritava de certa forma, enquanto uma parte de mim, aparte mais safada, queria dar até a alma para ele.
— Preciso deixar tudo impecável, tenho uma grávida em casa. Me recuso a errar contigo, Olivia.
Essa resposta me pegou desprevenida e me fez engolir seco. Nossas mãos continuavam unidas, como se recusássemos a todo custo a nos largar, como se precisássemos disso mais que tudo, mesmo que tenhamos que arrumar uma briga sem sentido para manter a atração amena. Fria.
— E sobre aquelas roupas, elas eram suas, e você não queria esperar as minhas terminarem de ser lavadas na máquina. E recomendei que lavasse na mão pois eu estava ocupado naquela hora.
— Sei, você estava se cagando todo por causa do pudim de leite condensado. Aliás a sobremesa estava ótima, que pena que depois vomitei na sua camisa novinha. — falei dissolvendo parte do meu mau humor. Malditos hormônios!
— A esquentadinha não tem motivos para criar desentendimentos com o seu esposo.
— Claro, ele se demonstra perfeito o tempo todo.
— Hã?
— Deixa! Detesto quando se faz desentendido.
Tentei me desviar dele, dando meia volta, mas Pablo foi mais rápido e me puxou contra o corpo dele. Abraçando-me com um braço de maneira bastante terna, desfez o laço que tive tanto trabalho para montar. Desfazendo, soltou as madeixas, enquanto deslizava aquela mão grande e quente na linha do meu rosto, segurando-me ali de forma urgente. O soldado tinha pegada e me transformava numa gelatina quando me tocava desse jeito.
— Não sou perfeito, mas tento ser para alguém que amo muito.
Seus dedos audaciosamente deslizam para o meu queixo, e sinto a vagin.a piscar.
— Não brinque com fogo ou vai acabar se queimando soldadinho.
Ele sorriu tão gostos.o que me deu vontade de tirar sua roupa mesmo que me negasse o fruto proibido no final do amasso.
— Hoje é véspera de natal, então depois de uma reunião familiar envolvendo amigos também, podemos confraternizar da maneira que escolher.
Senti uma carga grande de expectativa.
A mão que estava alisando minha pele fazendo-me ficar hipnotizada por aquele olhar faceiro, da qual nunca havia visto nele, foi parar em volta da minha cintura. Colando-me ainda mais naquele abraço quentinho.
— Coloque sua melhor roupa de natal para receber nossos convidados. A comida está quase pronta, mas só vai ver o peru de verdade na nossa cama de madrugada.
Deu uma piscada sacana enquanto minha boca pouco a pouco ficava entreaberta. Logo precisei me recompor, fechando a boca antes que babasse nele todinho.
— Está falando sério? — Bati de leve naquele peitoral duro, tomando posse alisei aquelas duas montanhas rochosas, assistindo de camarote o risinho dele.
— Estou, finalmente vai poder esvaziar o saco do papai noel, como você havia me pedido ontem quando estava no banho e a senhora entrou pondo já a mão nele, hum? Lembra disso danada?
— Lembro. — Dei três pulinhos discretos enquanto alargava um sorriso de ponto a orelha para ele.
— Mas… — Olhei novamente para a rua lá fora, mas ela já não me fazia tanta falta agora. Só fiquei perdida em pensamentos sobre qual lingerie escolher para a nossa noite oficial de marido e mulher. Será melhor usar vermelho ou verde musgo? Ou branco? Melhor aparecer nua de vez e…
— Olivia…
— Oi?
Voltei a olhá-lo, mantendo a alegria, enquanto ele fechava a cara.
— Sente falta da sua vida de antes?
Dei um riso curto, de canto de boca. Na intenção de quebrantar essa pergunta. Era lógico que ainda pensava em festas regadas a bebidas e danças, mas não tinha o porque falarmos disso nesse exato momento. Ainda mais com a possibilidade de desembrulhar meu precioso presente de… natal.
— Pablo eu… Sou grata pelo berço do nosso menino, o quarto dele ficou lindo. O trenzinho ficou muito melhor lá. Não acha?
Passei a mão naquela face que se desarma, ficando contente de novo.
Dei um beijo nele rapidamente antes de me afastar.
— Vou me arrumar, mas queria saber quem vai sentar à mesa conosco nessa noite mágica. — Lancei uma piscadela, reafirmando nosso compromisso.
— Será uma surpresa, meu amigo vai trazer a namorada nova. — disse-me querendo notar alguma indiferença da minha parte.
Quase desmanchei os lábios da felicidade ao entender que teria que aturar o Ronan a nota toda, porém me mantive firme como uma pedra antiga. Esse tal poderia ser o maio purgante, mas no final eu iria vencer essa pequena batalha e conquistaria o pêni.s de ouro.
— Tá bom. — dei uma risadinha ao vê-lo relaxar os ombros, no decorrer deu tchauzinho enquanto ia distraidamente na tomada atrás da árvore gigante ligar mais um dos seus enfeites.
Ao olhar para a frente, desfiz a risadinha para uma careta discreta enquanto pensava na enjoad.a que estaria namorando aquele troglodit.a.