Capítulo 2: KIRA

1385 Words
Algumas semanas se passaram e as coisas tem ido muito bem. A faculdade é um pouco exaustiva, medicina é bem difícil, essa parte é que complica. Eu falei para mamãe que queria cursar moda, mas ela preferiu medicina pois, sempre sonhou em ter uma filha médica. Mas medicina é um curso muito importante não é? Fico muito feliz em ter passado em um curso tão disputado. Me sinto m*l em mentir para minha mãe, mas não posso contar a ela que estou trabalhando. E pior, que meu próprio salário nem mesmo é para mim. Ela nunca quis que eu trabalhasse, sempre me mostrava casos de meninas da minha idade, que saiam sozinhas e eram violentadas, sequestradas, espancadas entre outras coisas. — Vocês são muito parecidas, parecem irmãs. — Ginna afirmou. — Verdade. Mas Kira é mais bonita. — Robby provocou Kim, que logo em seguida lhe deu um tapa no ombro. Estremeci com sua fala, ele estava brincando ou ele pensava assim mesmo?. Mas, por que eu me importaria com isso? — Vocês são parentes ou apenas amigas? — Amigas. Irmãs, mas de coração. — Afirmei. Robby é da mesma turma que Kim, quando ele a viu em sua sala, a cumprimentou achando que cumprimentava a mim. Logo ficamos amigos. Robby nos apresentou sua amiga de infância, Ginna. Que por coincidência, é da minha turma. Fiquei extremamente grata, pois, se dependesse de mim, nunca teria feito amigos. Realmente, desde que Kim apareceu na minha vida, todos dizem que somos absurdamente semelhantes. Robby e Kim parecem estar se entendendo bem. Ela parece estar feliz, isso também me deixa feliz. — Você contou para Tia Lizzy sobre o emprego? — Kim quebrou o silêncio na volta para casa. — Claro que não Kim, você sabe como ela reagiria. — Me sinto m*l por estar mentindo para ela, sinto que ela iria me ver como uma má influência para você. E não gosto de imaginar ela com essa impressão a meu respeito, depois de tudo que vocês já fizeram por mim. — Também me sinto m*l. Mas esse sacrifício vale a pena, você é minha única irmã. Não seria justo ela mudar totalmente a visão que tem de você, por causa de uma escolha minha. O final de semana passou rápido. Na segunda-feira, voltamos a rotina normal. Robby e Ginna não vieram hoje, então o dia foi bem chato. Fiquei esperando Kim no corredor, para a gente voltar juntas para casa. Mas ela apareceu um pouco alterada. — Teve uma urgência no restaurante, estão precisando de mim, tenho que ir. Chama um Uber para você. — Fala com a respiração ofegante, acho que ela veio correndo. — Eu vou junto com você, só vou... — Kimberly me interrompeu. — Não Kira, vá para casa descansar. Você já está me ajudando o suficiente, até porque eles devem estar precisando especificamente de mim. Não te ligaram? — Não. — Tentei ligar meu celular mas ele estava descarregado — Nossa... Meu celular está descarregado. Trouxe o seu? — Sim, vou chamar o Uber para você. — Kim apertou algumas teclas e depois guardou o celular. — Prontinho. Ele vai achar que seu nome é Kim. — Rimos. — Preciso ir, fica bem. Te amo! — Depositou um beijo em minha testa. — Te amo também! — Falei mais para mim de que para ela, pois, já estava longe. Fiquei esperando o Uber um tempão, já estava quase desistindo de esperar e arriscar ir andando sozinha para casa. Não tinha mais praticamente ninguém alí, todos já haviam ido embora. Exceto um casal um pouco distante e um homem, que estava encostado no muro fumando um cigarro comum. Ele tem a pele escura, seus cabelos com dreads até a altura do queixo e mechas caídas sobre o rosto, ele é muito bonito, acabo o encarando por alguns instantes fascinada. Ele me encara de um jeito que já estava me assustando. Fora que eu estava com muito frio, até que veio um carro em minha direção. Era um carro não muito antigo, muito bem conservado e totalmente preto, sem excessão dos vidros. Um homem de mais ou menos uns 26 anos apareceu na janela do motorista. — Kim? — Questionou e suspirei aliviada. — Sim! — Fui caminhando até a porta com a respiração bem mais leve. Porém, quando abri a porta de trás, havia outro homem no carro. Ele possuía muitas tatuagens, cordões, relógio e pulseiras de ouro. Quando vi aquele homem, eu percebi que não era uma boa idéia entrar naquele carro. Saí correndo o mais rápido que pude. Ouvi gritos masculinos atrás de mim e, de repente um dos homens surge em minha frente e me desfere um soco no rosto. Caio no chão quase sem consciência. — Foi mais fácil do que eu pen... — Foi a última coisa que ouvi antes de desmaiar. Acordei em um lugar muito escuro e apertado, estava balançando. Deduzi ser o porta-malas do carro. Meu rosto dóia muito. Comecei a gritar pedindo socorro desesperada, enquanto lágrimas escorriam por minhas bochechas. Gritei tanto que não consegui mais balbuciar nenhuma palavra, minha segunda forma de resistência foi me debater no porta-malas até cansar. Finalmente o carro parou. Ouvi passos vindo em direção na parte de trás do carro. Abriram a porta e meus olhos arderam com a claridade do poste de luz. Agarraram meus cabelos sem nenhuma delicadeza e me arrastaram. Eu estava sem voz, mas com tamanha dor, minha voz voltou como mágica. Gritei por ajuda até meu peito arder e minha garganta pegar fogo. — Cala a boca sua vagabunda. — O homem me jogou no chão e desferiu um tapa em meu rosto. Caí no chão entorpecida com a dor. Dei uma olhada rápida em volta e vi muitas casinhas humildes com algumas pessoas observando de longe. Mas não faziam nada. Me puxavam com extrema força para dentro de uma espécie de galpão. Me jogaram com muita força no chão. Estava escuro, fora que minha visão estava embaçando. Não lembro de mais nada, acho que desmaiei. Senti um frio absurdo. Abri os olhos, eu estava encharcada. Vi uns 5 homens na minha frente, um estava com um balde na mão e no chão havia várias pedrinhas de gelo. — Acordou, finalmente! — Um deles exclamou. Posso estar delirando, mas posso jurar que é o mesmo homem que fumava em frente a faculdade. — O que vocês querem? Eu não sou de família rica, me deixem ir embora, por favor! — Exclamei suplicante. — p***a Kim, depois de tantos anos pensei que você faria qualquer coisa, menos se fazer de sonsa. A não ser que... Não! Eu nunca iria esquecer esse teu rosto de p**a barata. — Liam esbravejou. — Eu não sou a Kim! Me deixem ir embora! — Gritei aos prantos. — Mas que merda! Dá pra parar de se fazer de i****a? — O homem se aproximou. Ele apertou meu rosto com tanta força enquanto parecia me analisar. — Imprestáveis, vocês pegaram a garota errada! — Liam, essa é a Kim! Ela falou que era ela! — Um dos homens tentou convencer Liam. — Não! Não tem como ela ter mudado tanto! Apaga essa filha da p**a, se não ela vai envolver a merda da polícia. — Liam saiu andando e um dos homens tirou um revólver do bolso. Apagar? Apagar é tipo matar? Não. Não. Não. Se eu não falar que sou a Kim eles vão me matar. — Não, espera! — Gritei e o homem que estava quase saindo parou para me olhar. — Eu sou a Kim. — Claro que é. — Ironizou e me deu as costas. Será que é a mesma Kim? Minha melhor amiga? Não tem como, não é possível. Impossível. Mas não custa nada tentar. Não tenho opções. — Kimberly Davies! — Liam parou. Funcionou? — Meu nome é Kim Davies! Ele veio em minha direção e desferiu um tapa em meu rosto, caí no chão e ele me deu vários outros golpes. — Traz uma máquina de cortar cabelo! — Liam ordenou. Tudo estava girando, meu corpo doía demais para mim conseguir reagir. Eu só conseguia chorar. Mas eu só conseguia pensar em uma coisa: é ela, a minha melhor amiga. É ela a quem esses homens estão procurando. Mas por qual motivo?
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