Meu irmão bate na porta pela quarta vez e eu ando de um lado para o outro, na tentiva de não entrar em estado nervoso. Céus, quando eu olho para o calendário e vejo o que pode indicar, meu coração da uma batida mais rápida que a outra.
Parecendo que ele já começava a pensar junto com a minhq cabeça e a se preocupar.
Eu estava com a regra atrasada. Quase dois meses.
A ideia me veio assim que me lembrei desse primeiro detalhe.
Acordei de manhã com o coração acelerado, boca seca e meu estômago se revirando.
A ideia veio na minha cabeça do nada e então agora estou na dúvida.
Eu sempre quis ser mãe.
Eu era modelo tradicional de mulher. Eu queria minha família. Mas queria mais que uma família. Queria companheirismo.
Nesse momento não é bem o que tenho.
Veja, sai de casa ontem a noite.
Precisou disso pra eu me ligar do que estava bem embaixo do meu nariz?
Onde eu estava com a cabeça pra não notar o atraso antes?
Meu Deus, então é assim que surpresas acontecem?
Acho que vou surtar e não vai demorar.
- Sara, abre, estou preocupado. Fiz café pra gente.
Meu irmão grita e eu suspiro devagar.
- Já tô saindo, Sam.
Falo firme e não deixo que nada daquilo passe.
Não quero falar nada com ele ou ninguém tão próximo. Ainda não.
Precisava de um teste rápido ou um de sangue. Meu coração chegava a se apertar.
Não era o melhor momento pra descobrir isso. Não, não mesmo. Era um momento difícil e complicado.
Olhei meu reflexo no espelho.
Precisava respirar fundo.
Quando me senti pronta pra sair pela porta, bem, eu apenas fiz isso.
- Sara, você está bem?
Abri a porta e encarei meu irmão, ele sorriu.
- Bom dia, desculpe a demora, estava me arrumando.
- Bom dia, flor do dia - Vamos direto pra cozinha. - Eduardo está te ligando desde cedo, eu não atendi.
- Eu resolvo isso depois - Falo, enquanto me sento na mesa. - Já está saindo para o trabalho?
- Sim, precisava somente tomar café com você.
- Vou me resolver Sam, vai dar certo.
A questão da regra atrasada vem na minha cabeça, desde então não tomo remédio e era algo que eu esperava, não queria esperar cinco ou dez ano para ter um filho, Eduardo sabia disso e nunca foi contra.
Sorri.
- Gosto desse seu sorriso.
- Eu vou organizar algumas coisas.
- Não esquece de falar com Eduardo, isso é importante, tá bem?
- Eu sei, eu farei isso, não se preocupe.
- Ótimo.
Tomamos o café juntos, de um lado meu coração estava angustiado demais, eu decidi não ligar para Eduardo durante a manhã.
Eu tinha medo de começar a chorar e não saber o que fazer.
A primeira coisa que fiz foi pedir um teste rápido, quando me sentei na cama com o resultado, eu fiquei em choque, minha cabeça girou e eu só conseguia pensar naquilo.
Eu estava grávida.
Eu estava grávida!
- Meu Deus, eu não acredito.
Suspirei fundo, a sensação era boa e angustiante.
De um lado era uma coisa que sonhava e por outro, havia brigado com Eduardo.
Me mexi, antes que pudesse começar a me arrumar, o telefone tocou e o nome dele apareceu, junto a uma foto de nós dois.
Me mobilozei e então deixei a ligação acontecer.
- Até que enfim você me atendeu, me diga que está tudo bem? - Me sento na cama, com um sorriso enorme no rosto e uma vontade ainda maior de chorar. - Sara, fala comigo, por favor, eu preciso escutar sua voz pra saber que você está bem.
- Eu estou bem, Eduardo, eu estou bem - Eu penso em me abrir, mas não é o momento, não é assim que tenho que dar essa notícia.
- Volta pra casa, aqui é o seu lugar - Ele faz uma pausa, escuto somente a respiração do outro lado da linha. - Eu não posso deixar você ir e não fazer nada pra te ter de volta.
- Preciso de um tempo, eh tenho que resolver algumas coisas. Minha cabeça não está legal, Eduardo - Sou sincera. - Como você está?
- Me sentindo um lixo, vi minha mulher saindo de casa e eu não pude fazer nada.
- Eu preciso que saiba que o que estamos levando não é o que quero pra nós, não se trata apenas de você, mas de mim. Não quero disputar com seu trabalho ou nada do tipo, quero apenas o cara com quem eh casei. Você não é uma máquina, você não vivi apenas em função daquilo. Você tem uma vida.
- Eu sei, eu sei Sara, são fases da minha vida, eu preciso resolver tudo, mas não posso perder você. Eu ainda amo você.
Por dentro um sol nasce novamente, meu olhar se abaixa e eu observo meu ventre ainda insistente de volume ou qualquer outra coisa.
- Eu ainda amo você também.
- Quero ver você.
- Depois, agora preciso resolver algumas coisas.
- Sara, por favor.
- Por favor, Eduardo, me dê um tempo e assim que terminar eu vou conversar com você.
- Você tem certeza? Você falou que não iria sair ontem e saiu.
- Eu vou cumprir minha palavra.
Ele parede satisfeito do outro lado da linha.
- Quero apenas você de volta.
- Preciso desligar agora - Minha garganta range com a voz firme.
- Também amo você, Eduardo - Falo e desligo, sabendo que tudo poderia ser resolvido, me dando uma luz no túnel.
Acariciei meu ventre e fiquei de pé.
Era hora de saber a verdade e saber o que fazer, não dava pra ficar parada o tempo todo.
Eu precisava confirmar isso e eu tinha um velho conhecido ótimo pra isso.
Bem, eu tinha que saber antes da conversa com Eduardo.
Aquilo poderia mudar tudo, talvez pro bem ou talvez não.
Céus, que tudo dê certo, por favor.