Capítulo 38 Ponto de Vista — Victor Tolyatti Dois dias. Quarenta e oito horas que pareceram décadas arrastando-se sobre a minha pele como lâminas rombas. Eu, Victor Tolyatti, o homem que herdou um império de sangue e silêncio, estava reduzido a cinzas. Era ridículo. Patético. Se qualquer um dos meus capitães em Moscou, ou até mesmo o mais baixo soldado da Bratva, ousasse me ver assim — desarmado por uma culpa que eu nunca soube que possuía — eles não viveriam o suficiente para descrever a cena. Mas a verdade não precisava de testemunhas para existir. Ela estava impregnada nas paredes deste quarto. Estava no fundo do copo de cristal, onde o uísque mais caro do mundo agora tinha o gosto de amargura pura. Estava nos lençóis de seda que eu não conseguia mais suportar, porque o cheiro dela

