o convite

833 Words
Capitulo 5 Angélica Entrei correndo no apartamento ainda com o coração acelerado e, empolgada, gritei: — Diana! Você não sabe o que aconteceu! — falo, me jogando no sofá enquanto minha amiga assiste a uma série. — O que aconteceu, Angélica? — pergunta Diana, sem um pingo de empolgação, pausando o episódio. — Rafael Ferraz, o cara mais gato da faculdade, me convidou para uma festa na casa dele neste fim de semana! — digo, animada. — Você tá falando do cara mais i****a da faculdade? Aquele que anda com o grupinho que faz bullying com você? — ela fala, arqueando uma sobrancelha e me encarando com desdém. — Quem faz é a Michelle e as amigas dela! Ele só ri... — respondo, meio envergonhada. — Você é muito boba, não é, garota? Ele só ri — repete Diana, cruzando os braços. — Você não vai nessa festa, né? — Mas é claro que vou! É a minha chance de todos me conhecerem e verem que eu sou uma pessoa legal! — falo com um sorriso esperançoso. — É a sua chance de ser ainda mais humilhada e zoada — ela retruca, dura. Cruzo os braços, me sento no sofá e faço cara de irritada. Ela finge nem ligar e volta a ver sua série. — Eu vou sim! E vou te provar que está errada — falo convicta. — Você que sabe. Mas depois não venha chorando pra mim. Eles estão sempre pegando no seu pé. Acha mesmo que te convidaram pra quê? Angélica, a classe social deles é muito acima da nossa. Eles não convidam pobres para as festas — diz, me deixando insegura. Não respondo nada. Me levanto e vou direto para o meu quarto. Tomo um banho e me deito, mas o sono não vem. Fico apenas imaginando... Rafael Ferraz. O garoto mais lindo que já vi. Seus cabelos castanhos, o sorriso fácil, os olhos despreocupados. Na manhã seguinte, acordo cedo para mais um dia de trabalho. Eu e Diana trabalhamos em um restaurante. Não é nada sofisticado, mas é bonito e bem frequentado. Eu sou garçonete, e ela é recepcionista — claro, a linda da recepcionista. — Angélica! Anda logo, vamos nos atrasar! — grita Diana. — Já tô indo! — respondo correndo. Saímos do apartamento e pegamos um Uber, já que o ônibus demoraria e estávamos muito atrasadas. Era dez horas, e o restaurante abria às onze, mas o nosso turno começava às nove. Dormimos demais — como sempre. Entramos correndo, colocamos o uniforme e começamos a trabalhar. Eu arrumo as mesas e confiro os cardápios, enquanto Diana vai para a recepção, onde sempre é recebida com sorrisos dos clientes. Mas minha cabeça está longe. Tudo o que eu quero é que a noite da festa chegue logo. Então me lembro: preciso pedir folga. Subo até o escritório do meu chefe e bato à porta. Uma voz grossa manda eu entrar. O homem de meia-idade parece tenso, falando ao telefone em uma língua que não entendo. Assim que desliga, se vira pra mim e pergunta: — Em que posso ajudar, senhorita Angélica? — diz, com um sotaque carregado. Acho que é alemão... ou russo. — Eu gostaria de pedir folga neste fim de semana. Tenho um compromisso. Posso compensar com horas extras — falo, um pouco receosa. Ele me observa por alguns segundos antes de responder: — Está bem. Mas no próximo fim de semana, você fecha o restaurante. Dou um sorriso de pura alegria. — Obrigada, senhor! — digo, antes de sair quase saltitando. Logo os clientes começam a chegar. Sexta-feira é sempre uma loucura. — Por que essa cara de felicidade? — pergunta Diana, desconfiada. — Porque consegui folga! Vou à festa! — respondo, animada. — Você tem certeza disso, Angélica? Acho perigoso ir à casa daquela gente — diz ela, séria. — Você só tá assim porque não foi convidada — respondo, já irritada. — Tô te dizendo, eles pararam de mexer comigo e me convidaram pra uma festa na casa deles! — Tudo bem, amiga... não vou falar mais nada. Mas tenha cuidado. Aquela gente não presta — diz Diana, voltando para a recepção. Fico observando minha amiga de longe. Eu sei que ela só quer o meu bem, mas às vezes é tão chata... Linda, magra, com o corpo perfeito, todos os garotos babam por ela. Talvez por isso se ache no direito de pegar tanto no meu pé. Eu não sou bonita. Tenho uns quilinhos a mais e sei que a maioria dos garotos nem olha pra mim. Mas não posso mandar no meu coração. Toda vez que vejo o Rafael, meu coração dispara. E o jeito como ele falou comigo ontem... tão educado, tão doce. Me convidou pra festa, pegou na minha mão, beijou meus dedos... fiquei encantada. Então é isso. Eu vou àquela festa. Vou colocar minha roupa mais bonita e provar que posso chamar a atenção dele. Tenho certeza de que, dessa vez, o Rafael vai me notar.
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