Capítulo 24 Ponto de Vista de Victor Tolyatti O contraste era quase poético. Há menos de uma hora, eu estava deitado em lençóis de seda, respirando o perfume doce e a inocência de Angélica. Agora, o ar que enchia meus pulmões era denso, sufocante, carregado com o cheiro salgado do mar misturado com óleo queimado, ferrugem e o inconfundível odor metálico de sangue. Ainda era madrugada quando o carro parou diante do galpão isolado. O prédio antigo de metal enferrujado, abandonado há anos perto da região do porto, era o cenário perfeito. Era um lugar onde gritos se perdiam no som das ondas batendo no cais. Onde homens entravam, mas raramente saíam inteiros. O motorista desligou o motor e abriu a porta para mim em silêncio absoluto. Desci lentamente, abotoando o paletó do meu terno sob m

