Capítulo 65 Ponto de Vista de Angélica A luz fria do hospital parecia nunca apagar. Eu estava sentada na poltrona ao lado da cama do meu irmão, com os braços cruzados sobre o peito e o olhar perdido no nada. O silêncio daquele quarto era estranho, pesado, quebrado apenas pelo som distante de passos no corredor e pelo bip baixo de algum aparelho em outro quarto. Ângelo dormia. Respirava tranquilo, como se nada tivesse acontecido. Como se não estivesse preso. Como se a vida dele não fosse um caos completo. E aquilo doía. Doía porque ele não fazia ideia do preço que eu estava prestes a pagar por aquela tranquilidade. Passei a mão pelo rosto, tentando afastar o cansaço, mas era inútil. Eu não tinha fechado os olhos desde que saí do carro do Victor. Desde que ele me fez aquela proposta

