Capítulo 3
Victor Tolyatti
Depois de torturar aquele desgraçado e descobrir o que ele sabia — o que não era muita coisa, mas já me dava uma pista —, decidi que em três dias iria pessoalmente para o Brasil. Vou descobrir quem está roubando o meu dinheiro e depois farei o maldito e toda a sua família sofrerem lentamente. Vou reaver o que é meu.
Três dias depois, estou embarcando no meu jato particular para São Paulo. Infelizmente, Vladimir não pode vir comigo. Ou melhor, por enquanto. Ele disse que me encontra depois, pois tem "uns assuntos" para resolver. Sei muito bem qual é o assunto dele.
Assim que o avião pousa no aeroporto, depois de várias horas cansativas de viagem, tudo o que eu quero é relaxar antes de começar minha investigação. Tenho várias propriedades em muitos países; vindo para o Brasil, preferi ficar em uma das minhas casas em um condomínio fechado, com total segurança e conforto.
Um dos meus sócios me convidou para um jantar e me apresentou a sua filha. Há anos, eles vêm me perturbando para que eu me case e tenha um herdeiro para continuar a minha linhagem. Até mesmo o meu braço direito e amigo, Vladimir, vivia me falando para arrumar uma noiva apenas para ter um herdeiro e dar continuidade ao nosso nome.
Com o tempo, todos me convidavam para jantares, almoços e festas; apresentavam filhas, sobrinhas... mas nenhuma delas era Valeska.
O jantar foi em um dos restaurantes mais sofisticados da cidade. Meu amigo Vladimir— um assassino temido por toda a máfia e outras organizações — não me acompanhou porque tinha "assuntos inacabados" para resolver. Na verdade, ele estava atrás de uma garota que vive fazendo ele de bobo. Um assassino perigoso e temido, apaixonado por uma mulher que ele devia matar. Agora, sempre que ela foge, ele enlouquece à sua procura. Os dois ficam brincando de gato e rato.
Sou tirado do meu pensamento por Antônio, o anfitrião do jantar, que fala:
— Senhor Tolyatti, esta é minha adorável filha Anitta — o velho diz, mostrando uma mulher muito bonita, com um olhar arrogante e uma cara de quem já rodou muito.
— É um prazer conhecê-la, senhorita Fofanff — falo, cumprimentando a mulher, que exibe um sorriso imenso, com um belo diamante no pescoço e brincos a acompanhá-lo.
— Senhor Antônio Fofanff, não estou neste país para encontros sociais. Há um ladrão, alguém que pegou o que é meu. Logo pego o desgraçado — falo, servindo-me da bela comida do país.
O jantar seguiu agradável. A mulher tentava de todo jeito me seduzir, mas nada nela me atraía. Apesar de ser filha deste país, os pais dela são russos. A garota é linda, alta, de cabelos loiros, olhos azuis, corpo magro... mas nada nela me atraía.
As investidas dela foram insuportáveis a noite toda. Ela chegou a me sugerir ir dormir em seu apartamento, uma verdadeira cara de p*u. Quando finalmente aquele jantar (ou melhor, aquela tortura) acabou, respirei aliviado.
A mulher pegajosa grudou no meu braço, insistindo em me acompanhar, mas eu não sou um homem agradável.
— Tenho assuntos importantes para resolver, não tenho tempo para coisas triviais — falei, arrancando as mãos dela do meu braço. Minha vontade era gritar e xingar aquela mulher, mas mantive a diplomacia com a família dela.
— Voltar direto para casa — falo para o meu motorista, assim que entro no carro.
Meu celular toca. Olho para a tela e vejo o nome "Vladimir".
— Me diga que você já chegou na cidade? — falo, ao atender o telefone.
— Aconteceu um probleminha, mas tenho boas notícias. Acho que sei quem são alguns dos envolvidos que estão te roubando. Daqui a dois dias eu chego aí — ele fala com a voz cansada, e eu sei com quem ele está: com certeza, com a mulher que destruiu seu coração.
— Vladimir, não quero ficar muito tempo aqui. Tenho planos para resolver em Moscou — falo, irritado.
— Victor, eu sei muito bem quais são seus planos. Aquele bordel é o seu plano. Por que você não aproveita que está aí e arruma uma noiva? Há muitas famílias com filhas doidas para casar com você — meu amigo fala.
— Não me diga isso. Acabei de sair de um jantar onde Antônio tentava empurrar a filha — falo para ele.
— E a mulher era bonita? — Vladimir pergunta.
— Sem personalidade, arrogante e bastante rodada.
Com minhas palavras, meu amigo cai numa gargalhada do outro lado e, ainda sorrindo, ele diz:
— Onde você acha que vai achar a donzela, cara? Estamos em outros tempos — Vladimir fala.
— Eu sei muito bem disso, Vladimir. Se nem há dez anos atrás eu encontrei, imagine agora. O problema é que aquela mulher não faz o meu tipo — falo, já um pouco irritado.
— Está bem, Victor. Não precisa ficar irritado. Em dois dias eu chego aí. Até logo — ele fala, encerrando a ligação.
Eu desligo o celular e olho algumas mensagens. Meu carro está entrando no condomínio onde fica a minha casa, quando, de repente, meu motorista freia com tudo, fazendo-me quase voar para a frente.
— Sukin Syn!