Capítulo 100 Ponto de Vista de Angélica O chão frio daquela cela improvisada era a única coisa real que me restava. Eu chorei até que meus olhos ardessem, até que o reservatório de lágrimas secasse e sobrasse apenas um soluço seco e dolorido que sacudia meus ombros. Adormeci por exaustão, um sono pesado e sem sonhos, daqueles que a gente busca para fugir de uma realidade que estilhaça a alma. Quando abri os olhos lentamente, a primeira sensação foi de desorientação. Por um milésimo de segundo, meu coração deu um salto de esperança. Foi um pesadelo, pensei. Vou acordar nos lençóis de seda do Victor, sentir o cheiro de sândalo da pele dele e ele vai rir da minha bobagem enquanto me puxa para um abraço. Mas o cheiro que invadiu minhas narinas não era sândalo. Era mofo, poeira e o odor me

