Capítulo 03

2866 Words
Castiel on: Eu sabia que Jessica estava me esperando com aquele pedaço de camisola na sua casa e sabia que ela surtaria quando descobrisse que eu vim para casa da Ely em vez de ir para casa dela. Mas quer saber? Que se f**a! Todos sabem que Elisa sempre foi e sempre vai ser a minha prioridade, era ela acima de qualquer uma e é por causa dela que eu pensava duas vezes antes de fazer qualquer merda, ela era tão importante para mim quanto a Maria, mas sem o laço de sangue e sendo dez vezes mais gostosa. A guria mexia comigo como nenhuma outra conseguiu mexer e mesmo sem me dar um beijo sequer fazia eu perder a minha pose bandido m*l em segundos. Se ela me falasse senta, eu sentada e ainda puxada uma cadeira com a esperança que ela sentasse ao meu lado . Mas eu sobrevivo com o peso de nunca poder pegar ela, de nunca poder me declarar para ela ou sequer poder dá um selinho naquela boca gostosa, porque correr o risco de perder tudo o que temos e nos esforçamos para construir por causa de uma paixãozinha de infância, não valia a pena. Eu amava a Elisa, mas nunca a imaginei como algo além de minha amiga, nunca fui de admitir que eu estava apaixonado, nunca gostei desse lance de romance ou coisa do tipo e tô acostumado a ser bicho solto. Mas ela? Ela sonhava com um relacionamento como o dos pais e saber disso é o que faz toda a minha chance de investir descer pelo esgoto, eu não sei se poderia dar tudo de mim a ela, mas sei que magoar ela é tudo o que eu não quero. Ela merecia mais, mas do que eu poderia lhe dar e mais do que eu achava que eu era. Ela merecia um homem capaz de mover o mundo por ela, capaz de fazer todas essas babaquices de buquê de flores, jantar romântico e passear na praia, digo isso mesmo fazendo qualquer homem que se aproximasse dela me faria querer cometer um assassinato. Olhei para a dona dos meus pensamentos que agora estava deitada em meu peito rindo de alguma coisa que o branquelo na tela do notebook disse, isso fez com que um sorriso i****a aparecesse na curvatura dos meus lábios. Eu nunca vou entender por que ela gosta disso, mas se assistir com ela significa ficar um pouco mais de tempo ao seu lado, comer de graça, poder encher a sua paciência mais um pouquinho e ainda entender mais sobre o que se passa na cabeça dela. Tô dentro! Comecei a fazer cafuné em sua cabeça enquanto comia cheetos e tomava o meu achocolatado em caixinha, esse troço é bom demais seloko, não demorou muito para que a dona do quarto dormisse no meu peito o que me fez rir baixinho para não acorda-la. Ela chama de maratona, mas na verdade só aguentava assistir dois ou três episódios antes de cair no sono e provavelmente só acordava no outro dia me xingando por pensar que eu gosto disso o suficiente para assistir sem ela. Pausei o drama e tirei o notebook do seu colo devagar para que ela não acordasse, coloquei minha mão em sua cabeça e fui colocando a mesma no travesseiro com cuidado. Comecei limpar a cama improvisada a qual ela dormia essa noite e a tirei os lanches do local os guardando de uma forma que não venha a dar formiga, por que a pele dela era sensor e provavelmente acordaria com um hematoma enorme por causa de uma mordida Quando estava prestes a me levantar, senti a mão macia da Elisa segurar meu punho com força, olhei para a adorminhoca que estava com os olhos sonolentos, de maneira curiosa e esperei para ver o que acontecia depois. — Vai pra casa da Jessica? - Perguntou ainda sonolenta, podia ser impressão minha, mas parecia que alguma coisa a estava incomodando, eu afirmei com a cabeça fazendo a mesma resmungar algo incompreensível e olhar para mim - Pode… Ficar até eu dormir? Eu confesso que aquela era a última coisa que eu esperava ouvir dela, ela normalmente me pedia isso quando assistimos algum filme de terror ou suspense pesado. Mas nunca com um dorama, eu permaneci calado e afirmei com a cabeça, por que era óbvio que eu não perderia a chance de ter essa mulher nos meus braços outra vez. Como resposta eu apenas ganhei um espaço no seu colchão e um sorriso meio embriagado de sono, voltei para a posição que estava antes de levantar e ela se deitou ao meu lado. — Foi m*l, sei o quanto você tá afim de ficar com ela. - Disse envolvendo seu braço e aconchegando a cabeça no meu peito e eu dei um sorriso. Como se eu preferisse está em qualquer outro lugar, sem ser aqui. — Ta de boa. - Foi tudo o que eu disse, tentando controlar meus batimentos cardíacos e a vontade louca de beijar a dona dos olhos verdes mais lindos que me encaravam com sonolência. — Eu te amo Cas. - Não foi no sentido que eu temia e de alguma forma desejava que fosse, o que — por outro lado — me deixava aliviado, embora essas palavras sempre me deixavam boiola a ponto de não conseguir tirar o sorriso do rosto. — Eu também te amo Ely - Disse dando um beijo em sua testa, que deu um sorriso e fechou os olhos cedendo para o sono. Meu objetivo era ficar até que ela caísse em um sono mais profundo. Mas fui vencido pela vontade interna de ficar e pelo sono que me atingiu de uma forma absoluta, fazendo com que eu fechasse os olhos devagar. . Elisa on: Acordei sentindo um peso estranho na cintura, olhei para a mesma que estava envolta de um braço e parei de respirar quando vi que era o Castiel. Virei para o mesmo devagar e soltei o ar que eu nem sabia que tinha prendido quando vi que o mesmo estava dormindo, analisei o seu rosto adormecido por um tempo e passei os dedos devagar. Apesar de todos esses anos de amizade, meus pais pararam de deixar a gente dormir junto quando fiz 14 anos, apesar de saberem que o Rato era incapaz de fazer algo que eu não queira comigo. Mas olhando para esse rosto e analisando a expressão de calmaria, eu concordo com meus pais, era capaz de eu pular em cima desse homem e fazer absurdos. Rir dos meus próprios pensamentos e me levantei, abrindo o meu guarda roupa pegando uma roupa íntima e um vestido qualquer me dirigindo até o banheiro, fiz minha higiene e vesti a lingerie, seguindo com o vestido vermelho e solto. Quando sair do banheiro Rato ainda estava dormindo, mas agora se encontrava agarrando o meu travesseiro, fui até ele devagar e me abaixem o sacudindo. — Rato, acorda. - Chamei sem parar de sacudir e ele apenas resmungou se virando para o outro lado. - Rato, meu pai tá vindo. - Forcei uma voz de desespero e acabei rindo quando o mesmo deu um pulo quase de imediato se sentando no colchão, olhou para todos os cantos do quarto e eu recebi um olhar de indignação quando ele percebeu que era tudo mentira. — Vá se fuder Elisa. - Ele levanta irritado e suspira colocando a mão no peito - Eu vou infartar qualquer dia aÍ. — Para de ser dramático - Disse me levantando ainda rindo e o mesmo deu com os ombros resmungando alguma coisa e seguindo para o meu banheiro - Não usa a minha escova. Ordenei sem receber uma resposta e continuei arrumando o meu quarto. Guardei tudo o que tinha que guardar e esperei o Rato sair do banheiro para que pudéssemos ir para a cozinha tomar café, como hoje era sábado provavelmente meu pai estaria na boca desde cedo, minha mãe estaria no mercado para comprar algo diferente para o almoço e Guilherme ainda estaria dormindo. Quando o mesmo saiu resmungando do banheiro, como aqueles velhos que vivem reclamando da mesma coisa por horas, nos dirigimos para fora do quarto, eu ainda dava risada com a sua atitude revoltada, mas o meu sorriso foi desmanchado quando encargo meu pai sentado na poltrona e olhando para nossa direção com a cerveja na boca e os olhos arregalados. — Posso saber por que toda vez que eu vejo esse guri ele tá saindo do seu quarto? - Ele pergunta irritado olhando para mim e olha para Rato, que apenas deu com os ombros e se sentou no sofá grande, se inclinando para pegar uma das cervejas que estavam em cima da mesinha de centro e cruza as pernas abrindo a mesma. — Você deveria se importar com as vezes que você não ver - Arregalei os olhos com a provocação de Rato, que agora goleava a cerveja calmamente. — Como é… - Ele ia para cima do mais novo, quando minha mãe apareceu saindo da cozinha com um olhar de repreensão - Eu vou matar esse moleque. — Castiel, para de perturbar o seu padrinho.- Ela disse fazendo Rato ri e assenti com a cabeça, dei risada da careta de meu pai e me sentei ao lado do rato, pegando a sua cerveja e dando uma goleada - Se bem que não seria tão m*l assim os dois serem um casal. Eu me engasguei na mesma hora com a cerveja e Castiel parece ter se engasgado com a própria saliva, por que ele não parava de tossir. Olhei para a mesma com um olhar de repreensão e ela deu com os ombros quando viu que meu pai olhava para ela da mesma forma. — Alá, quer morrer também né loirinha? - Ele pergunta fazendo a mesma rir e negar com a cabeça, Castiel pela primeira vez naquela manhã se encontrava quieto. — Qual é João, a gente viu ele nascer, que m*l ele faria a ela? - Ela pergunta como se fosse o óbvio e eu reviro os olhos, me levantando e caminhando até a cozinha. Peguei duas xícaras, dois pratos e comecei a colocar o café, ainda ouvindo meus pais terem uma mini discussão sobre o assunto. Logo Castiel entrou na cozinha rindo e se sentou na banqueta em minha frente. — Até a sua mãe sabe que eu sou um partidão - Diz com um sorriso de orelha a orelha se achando o maioral e eu neguei com a cabeça rindo. — Isso porque ela não sabe quem você é de verdade. - Disse rindo e ele deu com os ombros pegando o prato que eu tinha acabado de colocar um bolo. — Seria tão estranho a gente acabar junto? - Ele pergunta me fazendo parar o que estava fazendo para olhar para ele, que comia o bolo calmamente. — Claro que sim Rato, você é praticamente meu irmão - Digo rindo e o mesmo olha para mim com uma expressão diferente, mas sem parar de mastigar, eu ia falar alguma mais alguma coisa para completar o meu raciocínio, mas o meu celular vibrou me fazendo pegar o mesmo e abrir o w******p. Número desconhecido: Oi, aqui é o Gabriel. Ely: Oii, de onde conseguiu meu número? Gabriel: Sou amigo da Maria, fazemos faculdade juntos. Ely: Ah. Gabriel: Tá livre pra tomar um sorvete amanhã? Senti um sorriso se formar nos meus lábios quando li a mensagem e Rato parecia uma girafa esticando o pescoço com curiosidade, olhei para o mesmo que voltou para a sua antiga posição e começou a disfarçar tomando o seu suco e dei risada. Ely: Tô sim. Gabriel: Posso te pegar amanhã às 18:00 então? Ely: Certo! Guardei meu celular e voltei a tomar café junto com o Rato, que agora se encontrava calado e pensativo mais que o normal. Não demorou muito para ele terminar de comer e sair para a boca junto com meu pai. Me sentei no sofá para assistir um filme e minha mente se voltou para a pergunta que meu amigo me fez. Eu não conseguiria imaginar ele como algo além de meu amigo, crescemos juntos e nossas mães sempre foram melhores amigas. Ele nunca fez o meu tipo, Castiel é dramático, irritante, abusado e um pouco lerdo. Mas também é dono do sorriso mais lindo, do melhor abraço e de uma presença insubstituível na minha vida. Fui tirada dos meus devaneios com uma mensagem a Maria me chamando para se arrumar na casa dela, como de costume, hoje também teria baile e eu não perderia por nada. Me levantei animada e praticamente corri para fora de casa, tinha algumas roupas na casa dela e por isso eu não precisava me preocupar com mais nada. Cheguei cumprimentando meus padrinhos e subir para o seu quarto me sentando na cama que antes era do Castiel, até o mesmo começar a se achar grande demais para dividir o quarto com a irmã. E como ele trabalha tanto no asfalto quanto fazendo uma correria para o Pai aqui no morro, ele teve condições de alugar uma casa na mão da Dona Jô e começar a sua vida longe do teto dos pais. — Como estou? - Pergunta vestida em um short de pano metálico preto, uma blusa branca e um tênis, seu cabelo moreno iluminado estava solto e com alguns cachos nas pontas. — Eu pegava. - Disse fazendo uma cara de malícia e a mesma faz uma careta me puxando da cama. — Sai da minha cama com a sua luxúria e vai se arrumar - Diz fingindo esta prata me fazendo gargalhar e me entrega uma toalha — Eu tô falando sério, tem certeza que quer ser hétera? - Pergunto fazendo a mesma me olhar com um olhar de repreensão e eu levanto as mãos em sinal de redenção ainda rindo. Ela literalmente me empurrou para dentro do banheiro e fechou a porta atrás de mim. Maria sempre se estressa fácil quando brincávamos com a religião, opinião política ou gênero escolhido. Comecei a me despir e entrei no box ligando o chuveiro no frio, tomei um banho rápido e saí do banheiro me deparando com o quarto completamente vazio. Vesti a roupa que ela tinha separado para mim, um vestido colado preto e uma jaqueta jeans, fiz um r**o de cavalo nele e uma make para ressaltar os olhos e colorir a boca. Não demorou para que eu terminasse de me arrumar e saísse da casa acompanhada com minha amiga, que conversava animadamente sobre o fato do Gabriel ter perdido meu número para ela. Quando chegamos na quadra, já tinha algumas pessoas bebendo e dançando, fomos em direção aos meninos que nos cumprimentaram com a cabeça e alguns com um toque de mão. Parei ao lado de Rato que estava encostado na parede com uma latinha de energético na mão. — Sem álcool hoje? - Perguntei rindo e ele afirmou com a cabeça. — Tô na ronda! - Afirmou sério enquanto observava todo o baile, fazer ronda não era desculpa para os outros vapores beber, mas Rato levava isso bem a sério. Ele deu outro gole e sinalizou com o queixo para algum lugar - O engomadinho chegou. Olhei para o lugar que ele sinalizava e rir quando vi o Gabriel vestindo uma calça jeans e uma blusa de manga longa, ele estava bonito, mas nenhum homem que tenha vergonha vestiria aquilo em um baile de favela. Caminhei até ele sem dizer mais nada para o Rato e o mesmo sorriu quando viu a minha aproximação. — Parece que o mocinho gostou de frequentar os baile de favela - Disse fazendo o mesmo rir, olhar para os lados e depois pousar sem olhar sobre mim. — É.. Digamos que tem coisas que me interessem aqui - Ele pergunta olhando para mim, fazendo minhas bochechas arderem. - Vocês tem algum rolo? - Ele pergunta olhando para algum lugar, sigo o seu olhar e dou risada quando vejo Rato olhar para a nossa direção com uma cara fechada e goleando seu energético. — Nada além de amizade - Olho para ele rindo e ele assentiu com a cabeça. — E ele sabe disso? - Perguntou goleando a cerveja que só agora eu percebi que estava na sua mão, dei com os ombros e olhei para Rato, que agora estava conversando com outros meninos. — Ele é como um irmão, super protetor - Digo olhando para o mesmo que pareceu sentir o meu olhar, por que ele olhou para mim fazendo nossos olhares se cruzarem. A maneira como ele me olhou fez com que eu me esquecesse por alguns segundos como se respirava, eu não sabia dizer o motivo para essas sensações estranhas que eu estava sentindo sobre o Castiel de uma hora para outra, mas era uma sensação boa e ao mesmo tempo amedrontadora. — Que bom, porque eu estava doido para fazer isso - Ele me puxou pela cintura e selou nossos lábios, fazendo com que eu arregalasse os olhos com o susto, mas logo cedi ao beijo.
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