Capítulo 02

2810 Words
Elisa on Abrir os olhos e sentir a minha cabeça latejar por causa da luz que invadia o quarto pela janela que eu, sem querer, deixei aberta. Eu não fazia ideia do que havia acontecido depois daquele beijo e sequer me lembrava do nome da criatura que eu beijei a noite toda, tudo o que eu me lembrava dele era do quanto ele era lindo e tinha uma boa pegada. Depois disso todas as minhas lembranças é o Rato praticamente me carregando até em casa depois de me encontrar bêbada sozinha em um canto, da minha pessoa vomitar em seu sapato completamente novo que eu o ajudei a escolher e dele me jogando debaixo do chuveiro com roupa e tudo enquanto praguejava mil palavrões sobre o seu sapato. Me sentei na cama e deslizei a mão pelo rosto em uma falha tentativa de me fazer ficar um pouco mais acordada. Rato deve está puto comigo e com razão, ele sempre cuida de mim nos bailes, mesmo protestando todas as vezes e dizendo que essa séria a última. Me arrastei até o banheiro devagar e sentir o meu estômago revirar, me fazendo ir com mais pressa e jogar tudo o que eu tinha comida, ou melhor, bebido ontem pela privada. — Parece que alguém amanheceu grávida. — Olho para a porta assim que terminei de colocar tudo para fora, vendo a peste do meu irmão mais novo me olhando com uma careta de nojo — O papai já sabe? Ele vai brocar sua testa. Posso ficar com o seu quarto? Eu estava com ressaca, dor de cabeça e o loiro na minha frente não parava de falar. — Sai daqui Pigmeu - Digo com m*l humor e logo voltei a vomitar, não precisava olhar para o rosto do meu irmão para saber que ele estava fazendo mais uma de suas caretas enojada, que em qualquer outra ocasião, sem ser essa, me deixaria com um belo sorriso sastifeito no rosto. — A mamãe mandou avisar para você que o churrasco tá pronto. Vai dá a notícia que tá buchuda na frente de todos? - Olho para ele como se pudesse arrancar a sua cabeça só com o olhar, por que de fato essa exatamente isso que eu faria de pudesse e ele dá com os ombros - Eu só perguntei por que a Madrinha ficava assim quando tava grávida da Laura. Tá ligada? — Eu não estou grávida, Guilherme, agora dá pra sair do meu quarto agora? — Pergunto entre os dentes e ele dá com os ombros outra vez. — Mas se você estivesse, o pai seria o Rato, né? Ele é o único que eu já vi entrar no seu quar… — GUILHERME SAI DAQUI - Alterei a voz fazendo o mesmo se assustar e interromper o que iria falar, mas logo voltou ao normal e deu de ombro com outro de seus sorrisos diabólicos, menino chato. — Se fosse o RATO no meu lugar, você deixava - Ele fala praticamente gritando o nome "rato", mas sai correndo e rindo antes que o punhado de água que eu joguei em sua direção pudesse o atingir. Lavei a boca para tirar o resto de vômito e comecei a escovar os dentes, eu odiava ficar de ressaca, eu não me lembrava de quase nada do que acontecia no dia anterior, somente alguns fragmentos e isso me deixava bem preocupada com as histórias que o Rato poderia me contar quando eu acordasse Tomei um longo banho frio para me despertar, a sensação da água gelada escorrendo pelo seu corpo e levando consigo todas as impurezas era uma das melhores, quando fechei os olhos para aproveitar ainda mais aquela sensação, minha mente viajou até um par de olhos castanhos escuros, quase pretos, que me olhavam de uma maneira diferente. Eu só posso está ficando louca! Abrir os olhos me maneira imediata e fechei o chuveiro, saindo do box, me enrolando em uma toalha e saindo depressa do banheiro antes que aqueles pensamentos estranhos e as borboletas que ameaçaram dançar pudesse me alcançar outra vez. Vesti uma calcinha confortável com as letras da Calvin Klein na frente, coloquei um short jeans lavagem escura e um top de renda azul escuro ao qual não precisava de sutiã. Amarrei o meu cabelo que batia até um pouco abaixo dos p****s em um coque afogado e passei uma base no rosto para esconder as olheiras e sair do quarto quase arrastando os pés naquele chão gelado, eu amava sentir o chão frio com a sola dos pés. Caminhei em direção a varanda, onde estavam todos, Minha mãe que conversava com a tia Vitória e minha Madrinha animadamente enquanto bebiam latinhas de cerveja, Guilherme que brincava com a Laura de cavalinho e meu pai junto com o meu padrinho e tio Vinny conversando de maneira agitada enquanto tragavam os cigarros. Continuei olhando para o ambiente até que vi Castiel com uma bermuda de pano azul e sem camisa, o que deixava todo o seu abdômen a vista, seus ombros largos e braços um pouco músculosos, sentado em uma das cadeiras de plástico comendo um prato de farofa com feijão tropeiro, arroz e cheio de carne. Dei risada negando com a cabeça quando o mesmo sorriu para mim com um frango na boca e me sentei na cadeira ao seu lado. — Sabia que em 10 vezes que eu te encontro, em 9 você tá comendo? - Olho para o mesmo que devorava a asinha de frango com gosto, se virando para mim sem tirar ela da boca. — Zero papo contigo, tô bolado por causa do sapato, tava novinho velho. - Diz parecendo bravo enquanto gesticula com a asinha na mão, me fazendo rir e inclinar um pouco a cabeça para cima, apreciando o céu azul que Deus tinha colocado sobre nossas cabeças. — Eu sei que vacilei, foi m*l, prometo nunca mais vomitar em seu sapato. — Coloquei uma mão no peito e estendi a outra ao lado da minha cabeça como uma promessa, ele deu com os ombros e desviou os olhos, se dando por vencido — Como foi o resto do baile? — Depois de eu trocar o sapato que você vomitou? Suave! Fiquei com a Jéssica - Ele deu risada da careta que automaticamente surgiu em meu rosto , eu realmente não me importava que ele ficasse com alguém, ele era solteiro e não tínhamos nada além de uma amizade incrível, embora só de imaginar ele me trocando por algum r**o de saia faça meu estômago revirar... Mas aquela guria em especial parecia ter sido enviada de presente pelo capeta, ela sempre falava m*l de mim pelo morro achando que as coisas não chegavam ao meu ouvido, nunca cheguei a falar com ela ou dela para alguém, mas também não tenho a mínima vontade. — E você está feliz com isso? Ainda bem que foi só uma vez —Digo com uma careta de nojo e ele riu negando com a cabeça. — Para a sua informação, quem pega uma vez quer pegar sempre, se ligou? — Diz convencido fazendo uma dancinha que na sua cabeça era sexy e eu dei uma gargalhada. — Na verdade, você tá mais para covid — Digo fazendo ele me olhar desentendido, eu coloco um sorriso maroto no rosto antes de continuar: — Quem pegou uma vez, não quer pegar nunca mais. — Hahaha - Forçou uma risada irônica, me fazendo rir do seu brilho que se apagou ao poucos enquanto ele tirava um pedaço do frango com raiva - Só não te provo do contrário, por que sou o seu melhor amigo e se eu te comesse do jeito que eu te comeria, nem isso você mais séria. Diz goleando sua cerveja e me encarando com uma expressão maliciosa, deixei que meus olhos encarassem os seus por alguns segundos, ainda imóvel pela reação que suas palavras me causaram e sentir meu corpo se arrepiar com uma única encarada dele para a minha boca, engolir em seco e tentei desviar os meus pensamentos para algo que não fosse o seu sorriso ladino ou seus olhos castanhos que parecia queimar a minha pele. E como uma resposta para uma oração que eu fazia mentalmente, meu pai se jogou na piscina fazendo com que os respingos de água caísse sobre nós, olhei para sua direção e rir quando meu vi meu pai balançando a cabeça como um cachorro molhado tentando se secar — Qual é parceiro, eu tô quebrando minha larica. - Rato diz irritado olhando para meu pai que mostra o dedo do meio - Vou lhe mostrar em que buraco enfiar esse seu dedo, velho. Castiel praticamente jogou o prato em minhas mãos e me entregou o celular, tirou o chinelo e saiu correndo em direção a piscina, pulando perto da borda e dando um mortal antes de entrar na água com sucesso. Logo os dois começaram uma briga na água, fazendo com que TH e Vinny finjam preocupação e pulem na água para "separar". Eu fiquei rindo da palhaçada dos quatro enquanto comia toda a carne que tinha no prato de rato, desbloqueei o seu celular e comecei a tirar um monte de fotos e postar no story do seu i********:, com um monte de elogios. Me levantei da cadeira já entediada, caminhei até a carteira de meu pai e peguei cinqüenta reais, ele não se importava com isso, desde que eu avisasse depois que pegar, não gastasse o seu dinheiro todo e não mentisse para ele sobre o que comprei. Calcei os chinelos do Rato porque eu não fazia ideia de onde estava o meu e sair de casa, descendo o morro enquanto cumprimentava alguns moradores que sorriam para mim e caminhando até o mercado. Quando acabei me esbarrando com alguém que quase me fez cair. — Você tá legal? - Olho para o menino que parecia preocupado e me surpreendo quando vejo que é o mesmo de ontem a noite, que também parece surpreso com a descoberta - Oi! — Oi! - Disse de um jeito abobado enquanto sorria, ele era lindo com sua pele n***a, seu cabelo cortado bem baixinho, seus dentes brancos e um pequeno bigode em cima da sua boca. Também era alto, bem mais do que eu e parecia um pouco menor do que o Rato. Por que estou pensando nesse guri agora? Credo! — Tava pensando em você, está melhor? Ontem parecia meio grogue. - Ele pergunta com um sorriso simpático e eu afirmo com a cabeça sentindo a vergonha de imaginar ele me vendo bêbada. — Eu sei me virar sozinha. - Disse rindo para não parecer grosseria e ele afirma com a cabeça sem tirar o sorriso do rosto. — Sim, você não me parece o tipo de menina que precisa ser protegida o tempo todo. - Diz me olhando de cima a baixo com desejo e eu não consigo segurar o sorriso que aparece no canto da minha boca. — Por que ela não é - Rato aparece do nada ao meu lado me fazendo tomar um pequeno susto, ele se abaixa e coloca a minha sandália em minha frente - Você saiu com a minha. - Diz em um tom gentil e depois olha para o homem a minha frente - Castiel. — Gabriel - Os dois dão um aperto de mão para se cumprimenta, eu troquei as sandálias e quase gargalhei quando percebi que o cumprimento ainda estava acontecendo, por causa de Castiel que o olhava como se quisesse ver todo o histórico da sua vida fazendo com que Gabriel o encarassem sem saber o que estava acontecendo. — Que bom que já se conheceram - Eu recebo a atenção dos dois de maneira imediata - Vamos? - Me virei para Rato que assentiu com a cabeça e finalmente soltou a mão do Gabriel fazendo uma careta. Me despedir do moreno e puxei a mão do Rato até o mercado Hoje era dia de fazer maratona de dorama, o que significa comprar vários doces e pipocas para hoje a noite. Desde que descobrir que doramas existiam, comecei a fazer maratona todas as sexta-feira a noite e quando Castiel descobriu isso ele ameaçou contar para meus pais se eu não deixasse ele assistir também, mas quando os anos se passaram a regra da Maratona ficou e até hoje ele assisti comigo, reclamando, mas assisti. Chegamos na parte dos doces e eu imediatamente comecei a jogar todos os meus doces, salgadinhos e biscoitos favoritos dentro do carrinho. Castiel que até alguns segundos atrás estava desaparecido, começou a caminha em minha direção abraçando três litros de achocolatado e com uma embalagem de jujuba nos dentes. — Agora sim - Diz orgulhoso olhando para o carrinho de compras e eu dou risada do mesmo, mas meu sorriso vai se fechando aos poucos quando vejo Jéssica vindo na direção do Castiel. — Oi Rato, tá comprando balas? - Ela pergunta olhando para mim com desdém e virando a sua atenção para o carrinho. — Imagina - Digo com ironia, insinuando que aquilo era óbvio e ela olha para mim com uma careta, que é retribuída com um falso sorriso sem mostrar os dentes. — Eu tava pensando, por que não passa lá em casa hoje? Meus pais vão passar a noite em um motel - Ela diz mordendo os lábios, tentando parecer sexy, não que ela não fosse bonita, mas eu sei lá, algo na existência dela me incomoda. Eu revirei os olhos quando vi meu amigo olhar para ela com uma cara boba, puxei o carrinho e dei meia volta para procurar mais algumas coisas. Porém meus olhos pareciam ter vontade própria, porque hora ou outra ele pousava sobre Castiel que ainda conversava com a Jéssica, continuei escolhendo algumas coisas e senti algo no meu peito pesar quando Jessica fica na ponta dos pés e deposita um selinho na boca do Rato. Que agora caminhava em minha direção com um sorriso no rosto. — O pai tá requisitado. - Ele diz todo convencido me fazendo rjr e negar com a cabeça. — Parece que o pai vai perder a noite de maratona. - Disse erguendo a sobrancelha e o mesmo desmancha o sorriso na mesma hora olhando para mim e coloca a mão na cabeça como se acabasse de atropelar alguém. — p**a que pariu, é verdade. - Disse parecendo ter se lembrado da noite de maratona só agora e eu dei risada - Foi m*l Ely, essa vou ter que perder. De todas as respostas que eu esperava que saísse da boca do Castiel, nenhuma delas era ele desmarcando a noite de maratona que a gente fazia todas as sextas durante cinco anos, era como um ritual de passagem para o final de semana. Eu estava me sentindo traída e um pouco magoada por saber que às sextas feiras não era tão importante para ele quanto era para mim, talvez ele só ia por não ter nada melhor para fazer. — De boa! - Disse forçando um sorriso e caminhei até o caixa com o mesmo me encarando, o caminho de volta a minha casa foi mais silencioso do que costumava ser. Eu odiava o fato de está me importando tanto com o fato dele não poder participar dessa noite. O mesmo me deixou em casa e foi jogar bola com alguns vapores que esbarramos no meio do caminho, entrei em casa entregando o troco para meu pai e mostrando a ele os lanches que eu tinha comprado. Fui direto para a geladeira colocar os sucos e fiquei ainda mais decepcionada quando vi os litros de achocolatado. Tentei afastar os pensamentos e fiquei jogando Guardians of Cloudia no meu celular, um joguinho de rpg que eu estava viciada. Quando faltavam apenas cinco minutos para as dez eu fui para a cozinha pegar os lanches que tinha comprado com o Castiel e respirei fundo indo para o quarto. Arrumei o colchão no chão rodeado de travesseiros, como sempre fazia desde que era pequena e espalhei os lanches. Coloquei o notebook no meu colo e comecei a procurar pelo site de drama um que eu e Castiel ainda não tínhamos assistidos, foi um pouco difícil, mas quando finalmente achei eu me posicionei deitava no colchão e comecei a assistir. — Não gostei desse carinha - Tomo um pequeno susto quando ouvir a voz de Castiel, mas não deixei de sorrir quando vi o mesmo sentado na minha janela. — Pensei que você tinha companhia pra hoje. - Deu com os ombros me virando para a tela do pc e ouço os passos do mesmo vindo em minha direção. — Hoje é dia de me estressar com esses asiáticos - Ele passou por cima de mim e deitou ao meu lado e me olhando com um sorriso simpático. - Jéssica pode esperar.
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