BRIAN SANCHES Quando minha pequena termina de contar tudo, estou com os punhos tão cerrados que m*l sinto os dedos. A raiva que corre nas minhas veias é bruta, c***l, assassina. Como um desgraçado foi capaz de tocar nela daquele jeito? Me aproximo devagar, como se ela fosse feita de porcelana rachada. Sento ao seu lado na cama e a puxo com todo o cuidado do mundo pro meu colo. Ela desaba. Chora como uma criança quebrada — mas tudo que vejo é uma mulher forte, sobrevivente, machucada… e linda. Eu só a seguro. Em silêncio. Deixo que as lágrimas dela encharquem minha camiseta. E, por Deus, isso me mata mais do que qualquer tiro já me atingiu na vida. Quando ela se acalma e me encara com aqueles olhos inchados e marejados de dor, eu não aguento. Inclino o rosto e tomo sua boca com a minha.

