NA MANHÃ SEGUINTE as luz do sol invadia a cozinha pela gretas da janela de madeira enquanto eu continuava na mesma posição de ontem e nos milhos já se podiam ver alguns respingos de sangue. Pela madrugada o Robson veio até a cozinha e me preparou dois sanduiches com um suco que a tia Rosa havia feito pela manhã e dois copos de água antes de lavar tudo e ir dormir novamente, ele e a tia Rosa brigarem quase a noite toda.
Passei a mão no rosto quando ouvir passos na escada que dava no segundo andar e fechei os olhos para fingir que estava dormindo.
Rosa: Vamos Jamine, levanta desse chão eu preciso sair e o Robson vai para aula de futebol. Quando eu chegar eu quero essa casa um brinco e sem nenhum lixo – Disse simples enquanto bebia um copo d'água.
Balancei a cabeça concordando e quando tentei me levantar do milho voltei a cair de joelhos sentindo minhas pernas fracas e bambas, por ter passado metade da noite naquela posição o meu joelho ficou roxo sinalizando sangue acumulado num só local.
Rosa: Os meus ficavam piores que isso quando eu desafiava meus pais na sua idade, espero que com isso você aprenda quem manda e quem obedece – Sorriu cínica dando uma leve piscada e saindo da cozinha.
Apoiei as mãos no chão e me sentei para poder olhar meu joelho e era de assustar o estilo que eles estavam e as marcas dos caroços de milho com certeza se transformariam em feridas, morde os lábios tentando prender o choro mas foi uma missão impossível quando eu passei a mão e o joelho começou a latejar.
Jasmine: ROBSON ME AJUDA POR FAVOR, EU NÃO CONSIGO ME LEVANTAR – Gritei enquanto numa tentativa falha me arrastava pelo chão para chegar na sala.
Robson: Ta maluca Jasmine se arrastando que nem cobra ? – Desceu as escadas correndo – Seus joelhos Jas , meu Deus você precisa ir na emergência – Olhou-me assustado enquanto me pegava no colo.
Jasmine: Eu não consigo andar Robson, vai ser impossível ir no hospital ainda mais toda suja e fedendo – Choraminguei enquanto mantinha meus braços em volta do seu pescoço.
Robson: A dona Tereza nossa vizinha ela é enfermeira vai te ajudar , fica aqui no sofá que vou chamar ela – Me pós no sofá e saiu de casa às pressas.
Peguei uma almofada e a coloquei contra meu rosto abafando o grito agudo que eu dei sentindo meu corpo tremer.
Jasmine: Mãe ser Gentil e Corajosa não está adiantando, tudo que a vida me dá em troca por mais que eu plante mil morangos são limões sem direito a por um açúcar – Murmurei baixinho entre os soluços.
Funguei passando a mão no rosto, eu estava frustada com tudo de r**m que me acontecia e desanimada com as coisas da vida.
Tereza: Menina o que aconteceu com seu joelho? Isso é uma lesão grave – Passou a mão de leve por eles com um semblante amedrontado.
Robson: Dona Tereza tem como a senhora amenizar essa situação? Eu preciso tirar a Jasmine daqui ainda hoje – Disse simples e a olhei sem entender.
Tereza: Sim querido eu consigo amenizar isso aqui mas ela só vai conseguir andar daqui algumas semanas – Alertou-nos e eu suspirei pesado.
As mãos enluvadas de dona Tereza escorregavam circulamente pelos meus joelhos com um produto gélido, o choro foi inevitável a dor era insuportável parecia que alguém arrancaria minhas pernas a qualquer minuto.
Robson: Jas tenta morder essa almofada para você não chamar a atenção da vizinhança – Apareceu do nada com a minha mochila azul de brilhos nas costas – Isso tudo já vai acabar e eu vou poder te tirar daqui – Sorriu de lado sem mostrar os dentes e eu assentir com a cabeça.
Pressionei a almofada conta meu rosto tapando os soluços e fungadas até que ouvir o estalar das luvas plásticas que me fizeram abaixar a almofada e olha para dona Tereza que arrumava suas coisas.
Tereza: Esse curativo tem que ser trocado todo os dias para a melhora rápida do joelho e aqui está o analgésico – Informou enquanto entrava duas caixas para o Robson que a acompanhou até a porta.
Robson: Não vai dar para te dar um banho gatinha, então trocar sua calçinha e te por nessa vestido mas não precisa ter medo de mim – Assente apenas.
Meu primo tirou minhas roupas e em nenhum momento me olhou diferente ou me tocou apenas me vestiu a calcinha e o vestido. Robson ajeitou meus cabelos e por fim me carregou pegando minha mochila e saímos de casa.
Não dermos nenhuma palavra desde de saímos de casa, Robson estava atento olhando para todo canto. Assim que paramos no ponto de ônibus já tinha um buzu e foi nele que entramos, por recomendação do cobrador e motorista ficamos no banco na frente e não foi preciso pagar a passagem.
Robson: Jas eu vou te deixar num lugar seguro com pessoas boas de um colega de classe meu, sua mãe morreu após perder o bebê e o pai dele é louco para adotar uma menina – Me explicou baixinho e eu apenas assentir – Esqueça tudo que você passou e siga sua vida sem olhar para trás – Advertiu e Assente novamente – Me prometa que você vais e cuidar e fazer o que sobrou daquela família tudo de bom – Me olhou cabreiro.
Jasmine: Prometo Rob, agora me promete que você vai mandar cartas pra mim ? – Sorrir de canto e ele soltou um riso fraco.
Robson: Eu prometo gatinha – Piscou deixando um beijo na minha testa.
Depois de horas olhando pela janela do ônibus os borrões coloridos da cidade, soltamos enfrente a um morrão depois do Rob agradecer a carona ao motorista.
Robson andava em passos rápidos enquanto entrava e saia pelos becos do tal lugar ainda desconhecido por mim e com lindas casas mas somente uma me chamou atenção e foi nela que Robson parou comigo.
Robson: Essa é sua nova casa gatinha, agora tá tudo por sua conta – Beijou minha testa fazendo um leve carinho em meus cabelos.
Jasmine: Deixa comigo Rob e obrigado por tudo, se cuida – Falei um pouco mais alto pelo fato dele já ter tocado a campainha e ter corrido.
A porta foi aberta revelando um rapaz e um menino que me olharam curiosos e preocupados.
Vanderlei: Oi menininha, o que faz aqui? Quem te deixou aqui? O que aconteceu com suas pernas? – Bombardeou-me de perguntas mas não conseguir responder.
Aladdin: Pai ela é tímida, vamos colocar ela aqui dentro – O garoto se pronunciou e o pai concordou me pegando no colo.
Antes de entrar na casa olhei para o canto do refletor de lixo vendo Robson que balançou a mão e eu apenas lhe dei um sorriso fraco sentindo uma lágrima molhar minhas bochechas, eu iria sentir falta dele mas agora eu começaria tudo de novo.