Celleney Peny.
Eu lanço como lançaria se eu estivesse de ressaca com o meu corpo querendo expelir todo o álcool que eu tenha consumido.
Mas, eu não consumi álcool nenhum.
Eu estava aqui torcendo para não lançar os meus órgãos para fora também, quando senti a mão do Henrik acariciar subtilmente a minha nunca, prendendo o meu cabelo num r**o-de-cavalo logo em seguida, com uma facilidade, que mesmo eu morrendo, fez o meu corpo vulcanizar instantaneamente.
E sinto a sua outra mão acariciando as minhas costas, eu não consegui falar nada, porque já estava demasiado ocupada, morrendo.
Batem na porta.
- Argh… - ele suspira e se levanta. - Eu fecharei a porta da casa de banho, apenas para que não a ouçam. - ele diz e eu nem me preocupo em respondê-lo, como ele também não esperou por nenhuma resposta minha, e assim o fez.
- Oh… que d***a. - eu falo sentindo que todas as minhas forças foram embora.
Eu continuo nauseada, mas me levantei e puxei a descarga, indo para o lavatório do Henrik em seguida, faço tanto o meu enxague o**l como lavei o meu rosto, que perdeu a cor, me apoiando nele também, porque eu estou realmente me sentindo fraca.
Depois de um tempo a porta do banheiro é aberta e eu vejo o Henrik entrar com a expressão toda preocupada.
Que bonitinho.
- Desculpa por isso. - eu falo para ele e baixo o meu olhar para a sua mão, ele está com uma taça.
- O que é isso? - eu questiono-o.
- É uma mistura, se realmente está sob efeito de alguma substância venenosa, isso neutralizará. - ele diz, me entregando.
- E eu só bebo assim? - eu questiono pegando na taça e ele assente.
E nem mais, eu tomo de uma vez, porque eu estou a sentir a minha alma ir embora.
- Venha. - ele diz, me guiando para o seu quarto e eu sento-me na sua cama, e termino de tomar esse negócio que não é nada saboroso.
Tem sabor do próprio veneno.
- Isso tem um sabor h******l! - eu falo fazendo careta.
- Se soubesse bem, não seria um remédio. - ele diz e é verdade. - Precisa tomar tudo de uma vez. - ele diz e com a minha careta eu me forço a acabar.
- Ew… - eu balbucio passando a palma da minha mão nos meus lábios, e entregando a taça para ele. - Obrigada. - eu agradeço-lhe, e ele pega a taça para deixar na sua cabeceira.
Isso é h******l.
- Você acha que fui realmente envenenada? - eu o questiono para confirmar e os seus olhos penetram nos meus observando-me atentamente.
Eu estou falando de envenenamento com um príncipe que me acolheu no reino e no palácio dele, e que a qualquer momento pode executar-me e acreditar na irmã.
Você tem-me saído muito racional esses dias, Celleney.
- Se tiver sido, após ter colocado tudo para fora, não está mais em perigo. - ele diz e eu me calo.
Eu não deveria estar a falar sobre isso justamente com ele.
- Eu não falei isso no intuito de acusar ninguém. - eu falo, e ele me observa. - Eu acho melhor eu sair daqui. - eu falo, intimidada, me levantando, sem saber o que se passa na cabeça dele, e desequilibro-me momentaneamente por conta de uma tontura.
- Sente-se, você não está em condições nem de se sustentar em pé. - ele diz, me segurando, super paciente graças a Deus.
Mas depois de tudo isso, nem eu posso exigir paciência dele mais.
- Você é demasiado teimosa, já tinha notado? - ele questiona enquanto eu me sento na sua cama novamente.
- Eu não vejo em que momento eu fui teimosa, vossa alteza. - eu lhe digo e ele fica se contenta em me encarar.
O olhar se prolonga e com isso o calor em mim se intensifica.
Como pode ser tão estupidamente atraente?
- Você parece nervosa. - ele comenta propositalmente.
- Eu não devia estar aqui sozinha com você. - eu o respondo, arranjando uma desculpa, para a minha sem vergonhice.
- Da outra vez não pareceu se importar, Celleney. - ele diz e o meu rosto aquece.
- Isso porque eu não sabia que era um crime estar no seu quarto, Henrik. - eu lhe digo e ele sorri, me observando.
- Se sente melhor? - ele questiona-me e eu suspiro.
- Não, mas espero que esse remédio ajude. - eu lhe digo.
- Visto que está mais calma, pode explicar-me com clareza o que aconteceu? - ele questiona-me e eu previa que isso vinha.
- O quê exatamente? - eu o questiono ainda meio atordoada.
- Tudo, foi difícil concentrar-me na maioria das coisas que falou. - ele diz e eu encaro-o curiosa agora.
- E por quê? - eu questiono-lhe e vejo as suas bochechas corarem levemente.
Que lindinho, como senão tivesse literalmente me levado para um bordel.
- Eu procurava lidar com a sua teimosia e falta coerência. - oh!
- Eu penso que fui mais do que coerente, vossa alteza. - eu lhe respondo e suspiro o encarando.
- Tente explicar-me o que aconteceu detalhadamente e com clareza, dessa vez. - ele diz e eu encaro as esmeraldas no seu olhar.
- Está duvidando de mim, Henrik? - eu o questiono confusa, porque até pouco ele disse que me protegeria e do nada… ele muda.
- Trata-se da minha irmã mais nova, Celleney. - ele afirma, e eu assinto.
Claro, não deve ser fácil escutar de uma completa estranha, falar que a sua irmã mais nova fez algo tão s*******o quanto o que fez.
- Claro. - eu afirmo sob o olhar dele. - Então, ontem, tal como vocês, eu não esperava que o Leopoldo traria um cavalo de presente para mim. - eu falo e vejo o seu maxilar cerrar.
Por que isso é tão atraente?
- Desde quando o chama pelo primeiro nome? - ele questiona e eu passeio o meu olhar pelo dele, sorrindo.
- Henrik, é impressão minha ou você quer que eu apenas chame você pelo nome? - eu questiono-lhe.
- Seria mais aceitável. - ele me responde e eu sorrio.
Neyney, pelo amor do senhor Peny, agora não é hora para as suas coisas, por favor…
- Bem… - prossiga, Celleney. - Por alguma razão você ficou chateado comigo, e m*l olhou na minha cara o resto do dia, eu presumi que estava se preparando para me expulsar daqui a qualquer momento, pela sua irmã ter ficado com ciúmes de mim, quando eu não fiz absolutamente nada, para causar isso. - eu falo.
- O resto do dia, eu fiquei com a Cora ou sozinha, e depois do jantar eu fui para o meu quarto e foi quando eu comecei a sentir-me m*l, e acabei adormecendo. - eu conto-lhe e enquanto ele me escuta, ele encara-me atentamente.
- Eu literalmente apaguei de cansaço, e estava no décimo sono, quando eu me senti sendo sufocada. - eu conto me recordando do quão h******l aquela sensação foi.
- E era a Lyra. - eu afirmo e eu consigo ver a decepção cruzar o verde dos seus olhos, mas ele não esboça reação alguma. - Ela não pretendia parar, e só o fez porque eu consegui empurra-lá para longe de mim. - eu conto para ele.
- Ela estava com raiva de mim, ela claramente me odeia por um motivo claro, ela ordenou, que eu pegasse o que me pertencia naquela hora, e fosse embora daqui, e ainda fez questão de deixar claro que se eu não o fizesse, nem você conseguiria impedir ou me proteger, de ter a minha cabeça tirada fora e ter o meu cadáver atirado a animais selvagens. - eu lhe digo ainda incrédula com o que ela disse.
Ela aparentava ser angelical, mas ficou claro que ela está mais para o outro lado.
- Eu sei que talvez isso não seja algo que você alguma vez quis escutar, mas eu jamais fui ameaçada de forma tão c***l assim, Henrik. - eu digo-lhe. - E eu estou vulnerável como jamais estive, a vocês. - eu acrescento colocando o meu cabelo detrás da orelha.
- Eu não tenho irmãos, mas eu tenho primos, e por mais cafajestes que eles são e coisas loucas que eles fazem, eu não gostaria que ninguém falasse deles, como eu imagino que você não gostaria de estar escutando isso sobre a sua irmã mais nova. - eu deixo claro e ele encara-me minuciosamente
- Eu quis falar com você, e foi o que tentei fazer, porque eu saí do meu quarto para o seu da forma em que estava com essa intenção. - eu falo. - Mas eu pensei, que entre uma moca completamente desconhecida, que você m*l olhou na cara e a sua irmã, quem você tomaria partido? A sua irmã. - eu despejo mesmo tudo o que eu estava a pensar, e ele me escuta.
- Eu sou príncipe regente e futuro rei de Eldravia, Celleney. - ele diz, me encarando. - Eu fui criado para saber ser imparcial e ofende-me saber que duvidou da minha palavra. - ele fala e eu suspiro entendendo o ponto dele.
Mas não é como se fosse fácil assim.
Além de eu não ser daqui...
Eu não sou desse século, mas essa é a parte que eu preciso manter oculta.
- Você me deu a sua palavra, mas tal como você, eu também não conheço você. - eu falo e ele só me observa e eu suspiro fundo. - Eu vi você saindo, e deduzi que sairia do palácio. - eu falo.
- E como deduziu isso? Isso é o que menos entendi. - ele questiona e o meu coração acelera enquanto o encaro.
- Da mesma forma que você deduziu que eu queria ir para aquela floresta. - eu o respondo.
- Isso não responde a minha questão Celleney. - ele diz e eu suspiro fundo.
- Da outra vez que estive lá em baixo de madrugada, eu escutei um cavalo saindo por algum lugar que não era a entrada, logo presumi que havia alguma saída clandestina por aqui. - eu falo e o encaro. - E obviamente, ela só podia ser usada por um dos membros da família real. - eu digo e ele sorri, incrédulo eu diria.
- E como tem tanta certeza? Tem experiência com saídas clandestinas, Celleney? - ele questiona-me e eu sorrio.
Mais do que você pode imaginar, vossa alteza.
- Onde eu morava também tinha uma, e só quem mora lá e pretende sair às escondidas é quem a conhece. - ou seja, eu. - Não têm por que os funcionários saírem por lá, não é? - eu questiono-o e eu vejo o olhar curioso dele em mim.
Mas eu não posso me denunciar mais que isso.
- E bem, depois não foi difícil saber para onde alguém como você ia de madrugada. - eu falo sentindo o meu sangue ferver. - Quando vi você saindo, eu deduzi que sairia para o lugar que ia, do lugar clandestino, e eu achei melhor eu fazer o que eu queria ter feito antes. - eu lhe digo. - Ir para o lugar onde eu despertei e sei lá encontrar alguma coisa que me ajudasse a descobrir de onde eu venho e como voltar, porque eu realmente não pretendia voltar mais para cá. - eu lhe digo.
- E o que você encontraria no chão de uma floresta, Celleney? Isso é o que eu não percebo? Porque acharia respostas no meio da terra? - ele questiona-me, e eu engulo em seco.
- Eu não sei, Henrik. - eu falo. - Eu estou desesperada, ninguém estava lá, eu caí no meio da lama, eu procurava algo substancial, talvez alguma carta, alguma coisa que me explicasse o que aconteceu, porque eu despertei lá. - eu falo confusa.
- Você provavelmente nunca ficou desesperado ao ponto de querer achar que até uma pedra é sinal ou resposta para todas as suas perguntas. - eu falo profundamente frustrada com absolutamente tudo e ele não me responde.
- Eu não pertenço a aqui. - eu falo sentindo o meu peito apertar. - Eu estou longe de casa, e sem ninguém, Henrik. - sem absolutamente ninguém.