Henrik Cartier.
Era suposto uma cavalgada noturna que era presumido ser mais prazerosa e interessante que o dia de hoje.
Prazerosa, não foi, mas com certeza, se tornou intrigante, interessante.
No meio do caminho, eu senti e vi a Celleney seguindo-me em plena madrugada.
Eu questionava-me por que razão seria? Que eu a despistei por alguns instantes, para entender o que ela realmente pretendia com isso.
Se ela me procuraria, e tentaria seguir-me de algum jeito...
Se regressaria ao palácio...
Mas muito pelo contrário e de certa forma perturbador, ela simplesmente foi para o mesmo local, para o lado da floresta onde a encontrei.
E eu observei-a por algum tempo, tentando compreender o que ela estás a fazendo, procurando, algo que não era visível, no chão, sem iluminação nenhuma, apenas a luz do luar, e com o céu ameaçando fechar cada vez mais.
Eu esperava que talvez ela tivesse pretendendo se encontrar com alguém, mas absolutamente ninguém habita essa floresta, ela é inabitável.
Absolutamente ninguém passa por aqui, porque é propícia para ataques, ataques esses que ela podia sofrer, estando principalmente desarmada, sozinha, e apenas com o seu vestido de noite.
E eu cheguei a conclusão que ela é insana.
Moça alguma, sairia de madruga para uma floresta, trajada da forma em que estava, ainda mais sozinha, e desarmada, e ainda por cima sem nenhuma fonte de iluminação, confiando apenas na luz do luar.
Eu não encontro outro adjetivo para ela, depois disso.
Ela nem sequer amarrou o cavalo, parece que ela não tem medo de nada, nem do cavalo sair daqui, e deixa-lá mais desamparada do que ela está, sem ter como fazer absolutamente se algo fosse a acontecer.
Não se passou muito tempo, até eu perceber ela chorando, procurando por algo que visivelmente ela também não sabe o que é, com risco de algum animal sair dessa floresta e ataca-lá a qualquer momento.
E eu tive de intervir, sem descontrair, obviamente, e tentando tirar a verdade dela, porque fim ao cabo, alguma explicação para o que ela fazia tinha que haver.
Talvez eu tenha sido demasiado ríspido com a minha tentativa de obter a verdade dela, visto que ela ficou visivelmente ofendida, e simplesmente voltou ao que fazia, procurando ignorar a minha presença.
Primeiro, ninguém ignora a minha presença.
Bem, até agora só ela ousou fazê-lo e não estou necessariamente ultrajado.
Segundo, se ela não parou o que fazia, é porque ela não tinha pretensão de esconder isso.
Claramente, ela não está bem.
Ela chorava de forma inconsolável, recusava-se a voltar comigo, e só o fez porque os seus dias de donzela iniciou, e aparentemente ela não calculou a data, pois o sangue, verteu pela sua perna, presumi instantaneamente que ela não estava preparada.
Por instantes pensei que ela tivesse machucado-se, ou cavalgando, visto que nem equipamento completo ela usou, ou fazendo o que ela fazia, mas não foi por isso.
Eu tenho duas irmãs mais novas das quais, uma, a Cora, teve que ser levada até às suas damas de companhia por mim, pois ela veio até mim assustada, comparando com a Lyra, ela não necessariamente foi muito cautelosa, por algum tempo.
Enfim, eu tomei a sua falta de preparo como um felizmente, mas do que um infelizmente, pois consegui tira-lá de lá, sem ter que a forçar e sem chances de leva-lá daquele jeito para o palácio, a única solução, mais próxima e onde ela teria a assistência que necessita, é o bordel.
Com certeza não é um lugar onde eu devia levar uma jovem moça, eu tenho plena consciência disso, e não o faria se realmente não achasse que ela receberia assistência imediatamente, sem que mais ninguém a visse no palácio.
Definitivamente, a sua reação não foi a que eu esperava quando lá chegamos, ela não pareceu necessariamente escandalizada com o que viu, como presumi que ficaria, o que implantou vários questionamentos em mim, porém, presumi que ela não quis constranger as mulheres aqui, ou simplesmente quis acabar com tudo isso logo.
Por outro lado, a Márcia, uma das minhas meretrizes, porém a única que por alguma razão, eu senti-me confortável para conversar sobre o que jamais devia ter sido falado, não teve as melhores das reações quando viu a Celleney.
Reação essa que resolvi ignorar, e manter-me focado na Celleney e deixa-lá confortável aqui, dentro do possível aqui, tanto que fui para o quarto com ambas e esperei que ela terminasse.
- Ela não precisa de ajuda? - eu questiono para a Márcia que sai da casa de banho.
A Celleney realmente não me parece bem.
- Não, vossa alteza. - ela responde, e eu noto a ironia na sua voz que eu decido ignorar. - A senhorita Mille, prefere estar sozinha. - ela afirma.
- Ela realmente é muito bonita, como todo o reino afirma. - ela comenta e eu apenas a observo vir até mim.
Não custa entender que está com ciúmes, todas as mulheres são óbvias quanto a esse sentimento, mas vindo dela, eu decidi ignorar, afinal, ela sabe que esse não devia ser um sentimento benéfico para ela e que ela devia nutrir.
- Mas eu questiono-me o porquê de ter trazido uma jovem nobre, que acompanho certeza acha que mulheres como nós devíamos ser queimadas vivas, para cá, meu príncipe? - ela questiona.
- Se incomoda em ajuda-lá, Márcia? - eu questiono-lhe e reparo ela engolir em seco.
- Não. - é óbvio que a sua resposta não é essa. - Eu apenas não compreendo onde possivelmente ela estaria trajada de tal forma, com vós e distante do palácio. - ela fala e eu sorrio a observando.
- Eu adoro vê-lá assim. - eu falo e o seu rosto ruboriza abruptamente. - Apenas não faça isso consigo mesma. - eu aconselho-a e ela retira o seu olhar do meu, jogando os seus cabelos para o lado, procurando disfarçar as suas claras expressões faciais.
- Eu apenas nunca o vi tão preocupado com... nenhuma nobre, além das suas irmãs. - ela diz, e talvez seja verdade, mas talvez seja porque ela realmente tenha trago remanescentes suficientes para não me preocupar apenas, mas para intrigar-me bastante. - Está interessado nela? Eu sei que não está interessado na princesa de Lysandria, mas todos nós sabemos que é uma das candidatas que atraiu os seus olhos e o restante do reino. - ela fala.
- Agora não. - eu lhe digo, realmente sem vontade alguma de lidar com ela e ela sorri, olhando para o chão desnorteada.
- Eu, preciso subir. - ela diz e eu assim a deixo fazer.
“Eu estou procurando por respostas, Henrik! Eu acordei aqui, e eu queria sair do seu palácio para cá, a procura de alguma coisa, alguma explicação para que eu tenha acordado e aparecido justamente aqui.”
Ela procura por respostas, não é a primeira vez que ela diz isso e por alguma razão essa frase soa camuflada.
O que ela procurava na terra?
Eu entendo o porquê de certas coisas, como ela ter regressado ao lugar em que ela despertou, mas as outras parecem estranhas.
Eu procurei analisar toda a situação por algum tempo, quando vi, que ela parou de emitir sons através da casa de banho, e faz muito tempo que ela está lá dentro.
Ela não parecia bem, e se ela perdeu a consciência, ou do jeito preocupante que estava, fez alguma coisa contra si mesma?
- Celleney? - eu chamo-a, várias vezes e como em nenhuma delas obtive respostas, eu não tive outra reação senão entrar.
E fiquei aliviado em vê-lá bem do que me importei com o quão brava ela ficou.
Ela consegue ficar mais atraente quando aparenta chateada.
E esse vestido, cooperou bastante para que eu não me importasse, mas resolvi manter-me quieto para não deixá-la desconfortável, e para que eu continue no controle da situação.
Quando as marcas de mãos nessa luz ficam visíveis ao meu olhar, e numa intensidade atroz, eu não me recordo da última vez em que tive tanta vontade de m***r alguém…
Bem, eu senti essa manhã, basicamente todos os dias para ser sincero.
Mas dessa vez, com uma intensidade maior que o normal.
Quem fez isso com ela?
- Quem fez isso com você? - independentemente da sua resposta, eu tinha a certeza que eu colocaria a sua cabeça na frente do povo de Eldravia.
Isso até os seus lábios balbuciarem o nome da minha irmã, que inclusive, ameaçou-a do mesmo jeito.
Desapontamento e raiva, foi o que senti, mas com ela eu sei que consigo resolver-me, porém, chateia-me que ela esteja assim por causa daquele i*****l que já deveria estar morto a esse instante.
Daí eu compreendi melhor como ela me viu e conseguiu seguir-me para fora do palácio.
Mas consegui ficar ainda mais intrigado pelo fato dela lá estar há dias e ter analisado o fato de eu sair a cavalo a um certo horário, ou saber para onde vou.
Ela é observadora demais, e lê-me com mais facilidade que alguém alguma vez o fez.
Eu só não tenho certeza se isso é bom, mas por enquanto, eu quero certificar-me que ela não se sente ameaçada ou abandonada, ou até em perigo como ela mencionou.
Argh… Lyra.