Capítulo 2
Lily Foster
Foram horas de viagem até a capital, e quando finalmente cheguei em meu destino, tive um choque de realidade, pois aquele lugar, aquela mansão, era diferente de tudo que eu havia visto em minha vida.
No momento em que coloco os meus pés em frente ao portão de entrada, sou questionada pelos seguranças, homens altos e fortes que mais parecem armários de tão grandes, e ao falar que eu sou a filha da Ava Foster, eles me recebem com atenção, e me guiam até salão da mansão, onde enfim, posso ver minha mãe.
O jardim é enorme, esse lugar deveria ocupar facilmente um quarteirão inteiro, se não mais.
— O dono daqui deve ser rico pra caralhö. — penso alto, seguindo até a porta de entrada, e de longe, posso ver minha mãe a minha espera.
— Lily… querida, eu estava com tantas saudades — ela vem com passos rápidos, seus olhos repletos de lágrimas e o rosto completamente vermelho, como de alguém que se continha para não chorar.
Faz muito tempo que eu não a vejo pessoalmente, e poder abraça-lá depois de tanto tempo, é algo que não tem preço.
— Mãe, eu estava com tantas saudades, ainda não acredito que estou aqui. — digo lhe abraçando com força, olhando ao redor daquele imenso salão que mais parece um cômodo de um palacete.
Tem cortinas de linho italiano por todas as partes, peças de cristais e quadros que eu não faço ideia de quem são os pintores, mas tenho certeza que devem valer uma fortuna.
— Venha, vou mostrar seu quarto. — Ela pega em minha mão, e com a outra me ajuda com a bagagem.
— Estou tão orgulhosa, você se esforçou tanto para entrar na W. Lyons, eu queria poder te dar algo de presente. — ela lamenta me guiando pelo extenso corredor, e eu posso reparar em quanto ela está cabisbaixa, se forçando a manter o sorriso no rosto.
— Mãe, não se preocupa com isso, de verdade, só de poder ficar perto de você já é o maior presente que você poderia me dar. — a abraço novamente e ela fica sem jeito, limpando as lágrimas que havia deixado escapar.
— Aqui, a partir de hoje esse é seu quarto. — Ela se vira para um cômodo que está atrás de nós, e eu quase não acredito quando olho para aquela suíte. — Esse quarto? Você tá falando sério? — entro boquiaberta, admirando tudo ao redor.
Imaginei que ficaria em um quartinho qualquer, algo pequeno e distante dos outros cômodos da casa, mas estava enganada.
— Minha querida, todos os quartos dos funcionários de senhor Carter são assim, ele é um amor de pessoa, é claro que tem alguns defeitos, mas é uma ótima pessoa. — Minha mãe fala colocando uma de minhas malas em cima da cama que parecia ser de algum hotel de tão bem arrumada, e continua após suspirar profundamente.
— Falando no Sr. Carter… — ela fez uma pausa dramática, e então olha séria para mim. — Quero que o evite ao máximo, ele não é o tipo de homem que quero sozinho com você em um cômodo fechado, me entendeu? — Ela fala com tanta seriedade, que começo a me preocupar.
— Como assim? — Eu pergunto confusa, até que ela é direta em sua resposta.
— Ele é um cafajeste Lily… ele é um ótimo patrão, mas como homem, não posso dizer o mesmo, você não tem ideia da quantidade de mulheres que ele trás para essa casa, eu me pergunto como ele consegue agir assim tão naturalmente. — Ela comenta balançando a cabeça como sinal de desaprovação, e aquilo me fez gargalhar.
— Não acredito que tá pensando que vou me interessar por um velho, mamãe, por favor sabe que eu tenho minhas preferências. — digo sorrindo e ela solta um suspiro aliviada.
— Apenas faça o que falei, e a propósito, a casa tem regras de horários, as portas de todos funcionários devem estar trancadas as 20:00. Sr. Carter prefere assim pra manter sua privacidade preservada. — Ela fala enquanto me ajuda a desfazer a mala.
— As 20:00? Não é meio cedo para dormir? — questiono com minha sobrancelha levantada, já imaginando como seria complicado me acostumar com aquilo.
— Pelo sálario que ele paga, não posso reclamar, vou deixar os detalhes sobre as regras anotados para você não esquecer. Agora preciso terminar meu trabalho, haverá uma reunião na casa daqui uns dias, e estão todos loucos com os preparativos. — Ela termina vindo até mim novamente, e com carinho, me dá outro abraço.
— É bom ter você comigo filha. — Ela fala com um sorriso tão puro e verdadeiro nos lábios, que quase me sinto uma criança novamente.
— Ah, vou trazer algo para você comer, tá bom? Eu já volto. — Eu assinto com a cabeça, e ela segue até a porta.
Depois que ela sai, eu foco em organizar minhas coisas, é tudo tão diferente, tão bonito e caro.
Realmente não parece real eu estando aqui.
Sorrio enquanto começo a deixar aquele quarto organizado.
— Mulherengo é? — Começo a rir enquanto penso nas preocupações da minha mãe.
Durante toda a tarde, fico ocupada arrumando minhas roupas e itens que havia trazido comigo de casa.
Eu estou animada, e não vejo a hora de ir até a famosa faculdade que tanto ouvi falar nos cursos preparatórios.
Faço uma pausa e como o lanche que minha mãe deixou para mim, está bem gostoso. Eu como tudo, e tento terminar de arrumar as coisas.
O tempo pareceu voar, e quando eu finalmente termino, já está escuro lá fora, assustada, olho meu telefone e vejo que são quase nove horas.
— Que merdä! Como o tempo passou tão rápido assim? — Indago comigo mesma, sentando na cama desacreditada, e naquele momento, sinto como minha boca está seca.
Droga, eu devia ter pegado uma garrafinha. Ou algo pra beber durante a noite.
Minha mão vai até minha cabeça, e eu suspiro caminhando até a porta e colocando meus ouvidos sobre ela.
— Está silencioso.. Acho que não deve ter ninguém acordado. — Penso alto, imaginando que talvez, se eu fosse rápida o bastante, vou conseguir ir até a cozinha sem que ninguém me notasse.
É apenas um pouco de água, não vou ficar andando pela casa nem nada, amanhã eu explico pra minha mãe, tenho certeza que se eu explicar a ela, não terá problema nenhum.
Empurro a porta vagarosamente, e depois de olhar com cuidado, reparo que não havia ninguém pelo corredor, e com passos leves, sigo silenciosa até o salão.
Quando finalmente pego a água, caminho até a sala em direção ao corredor, mas antes que eu pudesse chegar até ele, um barulho alto vindo da porta de entrada me faz dar um pulo de susto.
E como se minha vida dependesse daquilo, eu me escondo entre as poltronas e sofás, rezando para que não fosse nada. Que não fosse ninguém.
— Merdä, espero que não dê pra me ver aqui. — sussurro, cerrando meus olhos com força, rezando para que não fosse vista, e quando penso que tudo aquilo não havia passado de um alarme falso, eu ouço um som, que faz o meu rosto queimar ao entender o que sugere.
— Ahhh... Carter, alguém vai acabar nos ouvindo desse jeito. — uma voz feminina ecoou pela sala.
— Resposta errada Grace. — A voz grave e madura de um homem responde, com tamanha autoridade que faz minha espinha gelar. — Você devia ter falado, por favor, Sr. Carter, coma minha b*******a.
Assim que ele termina de falar, posso ouvir um tapa tão forte que quase senti minha própria pele arder. Meus olhos se arregalam e sinto meu coração acelerado, meu rosto esquenta, apenas assistindo a cena explicita na minha frente.
— Senhor Carter? — O nome dele se repete em minha mente, e naquele instante, eu não consigo mais permanecer escondida, e enquanto ouço os gemidos vindos da mesa próxima a mim, eu me esgueiro para ver o que acontece. Quando coloco meus olhos naquele homem, me pergunto se ele é mesmo o velho para quem minha mãe diz trabalhar.
Ele tira a sua camisa, e eu consigo ver seu peito bem definido, suas costas largas e malhadas, havia alguns pêlos levemente grisalhos e a medida que meu olhar sobe, mais ele parece ter saído de uma revista de modelos.
Seu rosto parece ter sido esculpido por anjos, e sua barba cerrada dá ainda mais charme a seu rosto maduro, sua boca… Parece macia, e bem gostosa, ele tem traços que jamais vim eu um homem, percebo que o observo demais e quase me fez esquecer da situação em que eu me encontro.
Escondida, presa em um cômodo e vendo Sr. Carter föder uma de suas amantes.
Foi quando Grace geme alto, que eu volto a mim, meu olhar desce pelo abdômen de Carter, e eu consigo ver o motivo de tanta euforia.
Aquilo que ele segura em suas mãos depois de descer parte de suas calças não é qualquer coisa.
É grande, grosso, e faz os caras com quem eu havia ficado, parecerem moleques, aquilo sim, é um päu de verdade.