Capítulo 03
Lily Foster
Eu permaneço calada, perplexa, observando cada movimento que aquele homem faz, e por um momento, esqueço completamente do perigo que corro.
— Merda… Se eles me encontrarem. — eu penso, voltando a mim. — Eu não deveria ter saído fora do horário.
— Lembrei da conversa que tive com minha mãe mais cedo, e naquele momento, entendi o porquê das regras.
Balanço a cabeça tentando não pensar na bagunça que havia me metido, e me esforço para me manter focada no meu plano de fuga. Porém, quanto mais eu tento imaginar um meio de sair, mais intensa fica a cena dos dois à minha frente.
Carter puxa os cabelos de Grace, o enrolando em seu braço, o segurando com força enquanto mete nela cada vez mais com força.
— Aah.. Carter… — ela geme cada vez mais alto, claramente mostrando que está em seu limite, mas ele não para, muito pelo contrário, ele parece estar apenas começando.
Escuto sua risada, e sua voz grave.
— Estou apenas me aquecendo, querida… Você quer mais fundo, hum? Me diga o que quer.
Cada segundo ouvindo aqueles dois, me deixa cada vez mais envergonhada, Sr. Carter parece que gosta de se sentir no poder.
A mulher debruçada na mesa diz com a voz fraca e rouca.
— Por favor, mete com força Carter, bem gostoso.
Ele parece estar sorrindo e então retira seu päu grande de dentro dela e a vira de frente para ele. Carter coloca ela sentada em cima da mesa e abre bem as pernas dela.
Grace entrelaça suas pernas sobre as costas largas e másculas dele e ele começa a föder ela de novo, bem mais forte que segundos atrás.
Ele puxa os cabelos dela com força e a mulher não para de gemer implorando que ele meta mais forte.
— Assim está bom para você Grace? Está gostoso? — ele coloca suas mãos na cintura dela, se movendo mais rápido dentro dela.
Vendo aqueles dois transando, eu não consigo desviar o olhar.
— Eu não aguento mais ficar aqui. — Sussurro apertando forte o tecido da minha roupa, me forçando acreditar que isso é nervosismo, mesmo sabendo ser outra coisa.
Eu respiro fundo, olhando ao redor procurando uma rota de fuga, e quando encontro, crio coragem para seguir, ainda ouvindo os gemidos e palmadas que parecem ecoar cada vez mais alto à medida que eu me distancio.
No meu quarto, eu me jogo na cama assim que entro, e enterro meu rosto no travesseiro.
“Eu vi mesmo aquilo? Ou foi minha imaginação?”
Me questiono, mas não tem lógica eu ter inventado aquilo.
Minha cabeça rodopia, e mesmo tentando dormir, fechando meus olhos e me forçando a pegar no sono, eu não consigo. Quando percebo, já é de manhã e aquela cena ainda não tinha saído da minha cabeça.
— Droga… — bocejo resmungando, me levantando da cama e indo até o banheiro.
No reflexo do espelho eu consigo ver o resultado da noite sem dormir, olheiras manchando meu rosto.
Eu tomo um banho e me visto para sair. — Vai ser difícil cobrir isso com maquiagem. — penso me arrumando, e quando tudo está pronto, finalmente saio do quarto, receosa, com medo de encontrar com aquelas pessoas novamente.
Relaxa Lily… eles devem estar dormindo essa hora. Ainda mais depois daquela fodä de ontem.
Penso e sigo até a faculdade, a tão famosa e prestigiada W. Lyons. Antes de chegar compro algo para comer. Felizmente para mim, há uma boa cafeteria perto da faculdade, assim que entro peço um café e o bebo enquanto sigo até a universidade.
Meus olhos brilharam quando vejo o campus, e por um momento, toda aquela bagunça da noite anterior desapareceu da minha mente.
Foi cansativo, corrido, mas no fim, eu consegui resolver toda a questão da papelada, sobre a bolsa de estudos que havia ganhado.
— Espero que a senhorita entenda que nossos alunos são modelos de disciplina. — A diretora fala olhando pra mim, de uma forma que me fez entender bem como as coisas funcionam ali.
Suspiro, fingindo um sorriso para ela.
— Sim, Senhora Dulce. Vou me empenhar tanto quanto qualquer outro aluno, isso posso te assegurar. — respondi, e então vejo um sorriso forçado brotar em seu rosto, mascarando sua indignação por ver uma bolsista pobre estudando em sua tão cara e glamourosa universidade.
Finalmente assinei os documentos e voltei para casa animada.
— Não vejo a hora de contar pra minha mãe sobre a faculdade.. — Penso entusiasmada, mas após procurá-la pela casa, não a encontro, e então, decidi descansar, tomar um bom banho e finalmente dormir.
Me vesti com uma das minhas camisolas preferidas, com renda branca e uma saia que ficava por cima do joelho, as costas eram abertas e o tecido bem fresco.
Enquanto termino de me arrumar, ouço o familiar som do celular tocar.
Eu corro até ele, e atendo com pressa.
— Mia? Como você adivinhou? Eu ia te ligar agora! — Falo com um enorme sorriso no rosto, ouvindo a voz alegre da minha melhor amiga através do telefone.
— Acho que lemos a mente uma da outra às vezes. — ela gargalha e continua. — E então… Você foi à faculdade? — Ela pergunta curiosa, e eu m*l consegui fazer suspense na hora de responder.
— Sim, vou começar na semana que vem. — comento e ela comemora do outro lado da linha, me deixando ainda mais animada. — Estou feliz por você, Lily, finalmente vai poder realizar seu sonho.
“Depois de tanto tempo eu vou poder cursar aquilo que amo, vou ser uma excelente designer de moda e ganhar bastante grana, assim minha mãe e meu pai não vão mais precisar trabalhar tanto” Penso enquanto converso, até que o som do meu estômago faminto interrompe a conversa.
— Eu vou até a cozinha pegar algo. — digo a Mia, mas ela insiste em continuar a conversar, e como sempre, eu cedo.
— Como estão as coisas aí em Sonora? Eu estou fora apenas um dia e já estou morrendo de saudades. — pergunto curiosa, sigo até a cozinha, completamente focada na conversa, pois se tem uma coisa que eu gosto, é de fofoca.
— Bem, não aconteceu nada demais, só aquele cara que você conheceu, acho que é Joseph o nome dele. Bem.. Ele não parou de perguntar de você, fiquei até com inveja. Um gato daqueles sendo jogado de escanteio por você. — ela comenta, e eu me lembro na hora dele.
Ele é um homem um pouco mais velho do que eu, é alto, cabelos negros, olhos esverdeados levemente puxados, é bem másculo, e sua pele clara como porcelana. Ele é muito lindo, mas foi só uma paquera de um dia, nada de mais, não entendi o porquê dele ficar tão interessado em mim.
— Não tivemos nada, só ficamos uma vez, e eu deixei claro pra ele que não era nada sério. — Respondo já na cozinha, colocando um pouco de suco no copo, e num momento de distração, percebo que a casa aparenta estar vazia, mesmo com tantos funcionários.
Que estranho!
— Lily? Você tá aí? — Mia me chama, e eu volto a mim, lembrando da noite anterior, eu preciso contar pra ela, ou vou acabar ficando doida guardando aquilo só pra mim.
— Sim… Eu estava apenas lembrando de umas coisas. — falo despertando curiosidade em Mia, e ela começa com suas perguntas.
— O que foi? Me fala tudo! Quero saber o que aconteceu. Tem algum gato na faculdade? — ela questiona com entusiasmo, e eu me pergunto se era uma boa contar pra ela .
— Vai Lily! Sabe que eu sei guardar segredo! — Suspiro, deixando escapar alguns detalhes .
— O que você faria … Se visse um casal transando. No meio da sala ? — pergunto me debruçando sobre a mesa de vidro, virando o copo de suco lentamente em minha boca enquanto sorrio. Imagino a expressão que Mia está fazendo ao ouvir o que perguntei .
— O QUE? Isso é sério ? — Ela quase grita, e eu dou uma risada, me segurando para não cuspir a bebida.
— Sim, com direito a vista de camarote. — digo brincando, e ela grita surpresa, quase fazendo meus tímpanos estourarem .
— Sua safada pervertida! Me fala, quem foi a vítima? Quem você anda bisbilhotando ? — começo a tossir indignada, não foi como se eu tivesse feito de propósito .
— Eu quem fui a vítima, me pegaram de surpresa quando vim pegar um pouco de água. — Desabafo e continuo. — Foi o dono da casa, ele e uma tal de Grace. — Solto, me lembrando da cena, de como ele metia nela sem dó e aquilo fez meu corpo esquentar .
— O patrão da sua mãe ? — Ela questiona perplexa, ainda não acreditando no que eu estava falando. — Pensei que ele era um velhote. — Ela terminou zombando .
— Se você visse ele pessoalmente . — Ao falar isso, me lembro de cada detalhe do corpo dele. Aqueles braços fortes , tão fortes que era possível ver suas veias saltando, as costas largas e definidas . Ele nem mesmo parecia ser mais velho, de tão atraente que estava , nu daquele jeito .
Nunca vi um homem tão gostoso em toda minha vida .
— Sei, tô achando que alguém gostou do que viu. — Mia me provoca, e eu sinto meu rosto esquentar .
— Não mesmo, sabe, ele até transa bem, mas não faz meu tipo . — Bufo tentando aparecer estressada e convincente até para mim mesma, mas Mia não desiste fácil quando se trata de me provocar, isso é um fato .
— Aposto que você ficou doidinha pra dar pra ele. — Ela gargalha. — Vai, fala logo que gostou do que viu … eu não vou contar pra ninguém que você tem uma quedinha por daddys . — Ela não para e eu me vejo estressada, tentando fazê-la parar de falar .
— Chega de brincadeiras . Sério , nunca vou transär com um velho como ele . — Solto sem pensar, e no mesmo instante posso ouvir um som grave vindo de trás de mim , um som forte , de um homem mais velho limpando a garganta , nitidamente demonstrando sua presença .
Eu gelo na hora , minhas pernas travam e quando olho para trás , vejo que Carter está na porta , me olhando como se soubesse que eu havia cometido um pecado . Meu rosto esquenta e sinto que estou vermelha . Largo o copo de suco na mesa , e assustada , olho para aqueles olhos de predador que me encaram .