Capítulo 04
Dylan Carter
A luz do sol bate no meu rosto, e eu desperto cerrando meus olhos para evitar que a luz me cegue.
Virando na cama, sinto que a alguém do meu lado.
Sim, Grace dormiu comigo noite passada, depois de föder gostoso na sala, viemos para o quarto e eu pude ficar mais a vontade, terminar as coisas do jeito que eu gosto.
Me levanto vendo ela nua na cama, e diferente das outras vezes, sinto que não havia sido o suficiente, que aquilo não me satisfazia mais como antes.
— O que está acontecendo comigo? — Suspiro, me enrolando a toalha e indo para o banheiro tomar uma ducha.
Eu sei o motivo dela sempre estar perto, de sempre me ligar e ficar no pé, no fim ela não é diferente das outras que tentam me laçar.
Talvez elas pensam que sou burro, acham que eu só penso com a cabeça de baixo, que só ligo pra sexo, mas na realidade, eu sei bem o que quero. Se elas acham que vou me prender a elas apenas porque transamos e dormimos uma noite ou outra, estão completamente erradas.
Me seco saindo do banheiro da suíte, e me deparo com Grace sentada na cama, se fazendo de manhosa e desentendida, como sempre, assim que ela me vê, vem em minha direção com suas falas que eu já havia praticamente decorado.
— Querido… Você dormiu bem? — Ela pergunta se aproximando, passando sua mão em meu peito, me acariciando enquanto se aconchega em meus braços, me forçando a dar um abraço o qual eu sequer queria dar, e continuou — Eu pensei que talvez, poderíamos ir para uma viagem juntos. Talvez para Madrid? Paris?
— Nós já conversamos sobre isso Grace. — Eu sou direto na hora de falar, a fazendo lembrar dos limites. — Nossa relação não passa disso. Você concordou com tudo desde o início. Eu não quero uma namorada ou esposa, lembre-se disso. — Digo sério e me afasto, indo até meu closet para vestir minhas roupas, e ela me segue, como alguém que havia feito algo errado. Agora está implorando por atenção para poder se desculpar, para conseguir o que quer, e eu sei exatamente o que é.
— Por que você é tão frio comigo? Parece até outro homem quando acorda depois do sexo. — Ela resmunga e faz bico, tentando parecer triste, me fazer sentir mäl, e continua. — Sobre o acordo entre as transportadoras… — Ela solta, indo direto ao ponto, mostrando que eu não era nada além de alguém com dinheiro e poder.
— Está falando sobre o contrato de exportação? Sim, iremos assinar, acredito que foi por isso que você me chamou para jantar, ou estou errado? — a questiono e olho para ela de forma fria, pois parte de mim sabia desde o início que tudo não passava de interesse, sempre foi, e se ela quer se fazer de vítima por dormir comigo e não ganhar um anel de noivado de presente, ela está errada.
— Iremos trabalhar juntos a partir da próxima semana, e espero que sua empresa cumpra com o combinado — Falo vestindo minhas calças, e colocando meu cinto.
— E sobre a reunião? — Ela pergunta, segurando o lençol envolta de seu corpo.
— Você está convidada, vamos falar de alguns detalhes importantes, por isso, seja profissional. Agora..estou saindo, preciso ei a empresa. — Finalizo a conversa saindo do quarto.
Minha fome havia ido completamente embora depois daquela conversa.
— Bom dia Ruan, peça um táxi para Grace por favor. Hoje quero dirigir, amanhã precisarei dos seus serviços.
— Claro Senhor Carter, tenha um ótimo dia! – ele mostra um curto sorriso me olhando.
Vou até o estacionamento e entro no meu carro, coloco minha pasta de documentos no banco copiloto e dou a partida.
— Talvez dirigir um pouco faça eu me sentir melhor. — Penso, imaginando o porquê de não me sentir satisfeito com sexo como antes.
Durante o dia, trabalho de mau-humor, estressado e sem paciência.
Quando a fome voltou a bater, tive que pedir uma de minhas secretárias para comprar algo, trabalhar com a barriga vazia não deixa o dia produtivo.
— Preciso por limites na Grace, tem momentos que ela me tira do sério. — bufo — Não era pra ser assim. Tudo por causa dessa manhã estressante. – penso sentando na mesa em meu escritório, sentindo minha cabeça doer por conta do estresse. — Hoje eu quero descansar. Só isso.
Lendo os amontoados de papéis em cima da mesa, sinto minha cabeça querer explodir, mas continuo, eu preciso adiantar as coisas.
Já a tarde, ligo para uma de minhas secretárias, pedindo para trazer um café, um extra forte para me dar energia, só assim para poder terminar algumas coisas pendentes e poder ir para casa.
— Já vou trazer Sr. Carter. — a voz dela é mansa e suave. Apenas digo para se apressar, e encerro a chamada.
Depois da tarde cansativa, vou direto pra casa, mas parecia que o cansaço só acumulava cada vez mais, os problemas na empresa CaliTrade Imports Inc e as reuniões importantes que estavam por vir drenavam toda minha energia.
— Preciso de férias.. Talvez de umas duas semanas, pra eu ir até França… pra föder bem a Estela, talvez assim eu finalmente relaxe. — Suspiro imaginando, e sigo direto para o quarto sem falar com ninguém, tudo que eu quero é descansar e beber um pouco.
Assim que piso em meu quarto, vou até o aparador e lá, viro algumas doses de whisky.
O gosto é forte, e isso é bom, me faz despertar, e depois de tomar um banho quente, percebo que havia bebido tudo, não restava mais nada na garrafa.
Pego meu telefone para ver as horas e quando o desbloqueio me deparo com diversas ligações perdidas de Grace, como sempre, ela está tentando me controlar, me sufocar com seu “Amor” que surgia apenas quando tínhamos negócios a tratar.
Respiro fundo, e desço até a cozinha, está cedo e eu quero aproveitar a noite, porém, quando chego naquele cômodo, me deparo com uma mulher que nunca havia visto em minha vida.
De costas, usando uma camisola de renda chamativa, quase transparente, debruçada sobre a mesa com suas nádegas viradas para a porta.
— Talvez Deus ouviu minhas preces. — Penso dando um sorriso, isso é bom demais pra ser verdade.
— Chega de brincadeiras, sério. Nunca vou transär com um velho como ele. — Ela fala, sua voz doce e de tom estressado chama a minha atenção, e quando eu percebo do que se tratava a conversa, não consigo me conter.
Eu chamo atenção dela, mostrando minha presença, e quando ela se vira, posso ver seu rosto, assim como seu decote, que parece estar ali de propósito para me hipnotizar.
Ela arregala os olhos e sua boca se abre, surpresa em me ver.
Seu rosto começa a ficar vermelho de vergonha, e sem conseguir me controlar, começo a sorrir vendo o pânico estampado em seu rosto.
Que mulher ousada, tendo uma conversa dessas de forma tão natural.
Mostro um sorriso para ela, de forma provocativa e começo a me aproximar, lentamente, enquanto observo mais de perto, admirando o seu rosto, seu corpo que parece ter caído ali como um presente divino pra me relaxar, aliviar minha tensão.
Nunca a vi antes, mas de certa forma, ela me é familiar.