Sierra narrando
Os meses foram passando e a gente tinha sumido do mapa, mesmo com o caso da morte de Renato tenha sido arquivado por causa de muito dinheiro que rolou, sua esposa Samara ainda dizia aos quatro ventos que ela não aceitava o arquivamento do processo e sempre que conseguia, batia na tecla de que a gente era amantes.
Renato me causou feridas enormes e que eu levaria para sempre, não só em minha alma, em meu emocional, mas em meu corpo também, a sua morte ainda me aterrorizava e ele me assombrou todos os dias nesses últimos meses.
Eu fui abusada por ele de todas as formas possíveis, eu era uma menina, vivendo um sonho tão grande, alcançando objetivos enormes e ele fazia questão de me mostrar que era ele que estava me ajudando a conquistar tudo, no começo achei que ele sentia um carinho por mim, como de um pai para uma filha, depois os olhares foram ficando maldosos,
— Você não deveria estar de pé – Minha mãe fala entrando no quarto – precisa descansar Sierra.
— Eu não consigo mãe.
— Mas deveria – ela passa a sua mão sobre o meu rosto – você precisa descansar, passou por um momento muito difícil.
— Onde está ela?
— Está sendo cuidada.
— Quando vão vir buscar?
— Ainda essa madrugada – eu assinto com os olhos cheios de lagrimas – vai ficar tudo bem, ela vai ser muito bem cuidada. Agora vem – ela me leva para cama e me faz descansar.
Eu me remexia na cama, mesmo sentindo dor depois de horas incansáveis de dor, eu não conseguia dormir, eu escutava a discussão da minha mãe e de Josh.
— Podemos ficar com a criança – minha mãe fala.
— Você está louca? E vamos explicar como o nascimento dela? – Josh questiona.
— Nossa filha – minha mãe fala.
— O melhor a fazer é desaparecer com essa criança – Josh fala – você imagina como está a cabeça da sua filha, fruto de um e*****o.
— Você tem razão, eu preciso pensar em Sierra.
Eu nem sei o que seria pensar em ‘’Sierra’’ , eu estou tão perdida em meus pensamentos e em minha dor, toda vez que eu procurava pelo meu nome nas redes sociais, era sempre o mesmo assunto.
‘’ Onde está Sierra? Por que ela se escondeu após o assassinato?’’
‘’ Será que ela realmente era amante do seu empresário?’’
‘’Seus fãs pedem pela cantora’’
Minhas redes sociais eram lotadas de mensagens de apoio e outras me destruindo ainda mais, a última foto do meu feed, era uma foto minha sorrindo no palco , um sorriso falso que nunca foi verdadeiro.
Eu me pergunto todos os dias, como a minha mãe demorou para ver a verdade? Para perceber que tinha algo de errado? Não só ela, mas como Mariana e Josh também.
Eu sinto um barulho de carro e luzes invade pela cortina fina do quarto, eu me levanto com dificuldade e vejo que tinha sangue pela cama e em minha camisola também, escuto um choro de criança mas não conseguia sentir nada ao escutar esse choro, eu só conseguia sentir nojo, nojo de mim e do meu próprio corpo por ter suportado tanta coisa para ter levado a esse ápice do sofrimento, eu olho pela janela.
Era um casal, uma moça de 1,60 com os cabelos dourados, está vestindo um vestido vermelho longo, o homem tinha 1,80 loiro com um terno preto, minha mãe entrega a criança a eles e ela sorri ao pegar a menina no colo, lagrimas desce sobre o meu rosto e eu nem sei porque eu estava chorando. Aquele homem insiste algo com a minha mãe e a minha mãe acaba assentindo com a cabeça, ela me encara e me ver olhando através da janela.
O homem e a mulher parecem me encarar e eu abro a janela lentamente.
— Sierra? – Aquele homem se aproxima de mim.
— Quem é você?
— Fique tranquila, iremos cuidar bem dela.
— Eu não me importo com ela – eu falo e ele assente com a cabeça – levem ela embora daqui o mais rápido possível – a minha voz sai no tom amargo misturado com dor e medo.
Ele vai até o carro e volta com um buque de flores, ele me entrega.
— Não destrua as flores e nem as jogue fora – ele fala – leve com você, elas vão te ajudar. – Ele insiste que eu pegue aquele buque de flores, mas eu jogo eles no chão.
— Eu não preciso de flores vermelhas – eu o encaro fechando a janela e fechando as cortinas.
Eu apenas preciso que me leve essa criança daqui que era o fruto de toda a minha dor e sofrimento.