Lúcifer
Conseguimos despistar os cana e fomos rápido para o morro. Quando chegamos lá, estava tudo calmo. Fui correndo pra casa para ver a doida da Luna — certeza que ela fez alguma coisa. A mina não consegue ficar quieta!
Entrei em casa e tinha só o Faísca deitado no sofá com a perna sangrando. Se ele tá aqui, quem tava no comando?
Lúcifer: Cadê a Luna, mano? – pergunto e ele fica nervoso.
Faísca: Que mina teimosa, irmão! Mandei ela ficar aqui e ela saiu correndo pro tiroteio! Depois só vi ela quando ela mandou o Tito vim me deixar aqui.
Lúcifer: p**a que pariu! – passei a mão na cabeça – Alguém viu a princesinha? – falei pelo rádin.
X2: Vi ela subindo o morro com um mlk chefe.
Lúcifer: Se virem ela de novo, me avisem! – desliguei.
Pelo menos bem ela tá! Que mina maluca, irresponsável! Meu filho tá lá na barriga dela e a mina fica se arriscando desse jeito! Se tiver acontecido alguma coisa com o bebê, eu mato quem tiver feito m*l a eles!
Depois de alguns minutos, a porta se abre e ela passa por ela.
Lúcifer: A ONDE VOCÊ TAVA c*****o? – fui pra cima dela putão – Responde, c*****o!
Luna: Tá louco de tá gritando comigo? – veio pra mais perto de mim – Tá vindo pra cima de mim porque? Tá querendo me coagir?
Lúcifer: Você é maluca! Se você se machucasse, cara! Se o meu filho se machucasse? – falo bravo, afastando dela.
Luna: A gente tá bem. O Faísca se machucou; se eu não tivesse lá, eles poderiam ter conquistado todo o morro. – fala me olhando nos olhos – Eu sei que não fiz certo, mas eu fiz o que senti que era certo no momento, cara...
Lúcifer: Você poderia ter se machucado... – falo respirando fundo.
Luna: Desculpa...
Faísca: Eu tô machucado aqui ainda! – fala puto e eu vou até ele.
Luna: p**a merda! Ele perdeu muito sangue! – ela tira a blusa e amarra na coxa dele um pouco a cima do ferimento.
Lúcifer: Você sabe o que tá fazendo, né?
Luna: Fiz cursinho de primeiros socorros... Pega o kit de primeiros socorros no móvel da cozinha! – vou até lá e pego.
Ela pega da minha mão e abre — tinha muita coisa lá, nunca tinha visto aquelas coisas em um kit de primeiros socorros. Ela limpa o ferimento com álcool em gel e o Faísca geme de dor; ela coloca uma luva e toca dentro do ferimento, respirando aliviada.
Luna: Não tem nada aqui, acho que só passou raspando. – fala e pega uma agulha e uma linha estranha – Isso vai doer... Pega uma bebida pra ele..
Vou até o armário da cozinha, abro meu whisky, coloco uma dose no copo e volto correndo, entregando a ele. Ele bebe de uma vez e a Luna fura a pele dele, costurando — ele gemia de dor e apertava o travesseiro.
Luna: Terminei! – ela limpa com soro, faz um curativo com gazes e uma faixa.
Faísca: Valeu! – ele senta.
Luna: Coloca remédio e evita tirar essa faixa.
Faísca: Tenho que ir pra casa agora, a minha coroa deve tá preocupada...
Lúcifer: Eu te levo lá. – ele coloca o braço no meu ombro como apoio e vai mancando.
(...)
Luna
Quando eles saem, eu subo, tomo banho, troco de roupa colocando um pijama e me jogo na cama. Tô muito cansada! Acabei dormindo.
Acordo sonolenta e escuto Lúcifer falando com a minha barriga.
Lúcifer: Sua mãe é bem louca, bebê. Espero que você não seja igual ela, senão vai me dar muito trabalho! – alisa a minha barriga – Eu te amo, tá? Fica bem, neném. Quero ver você aqui fora grandão pra gente jogar bola junto, muleque..
Luna: Vai ser menina! – falo sonolenta e ele me olha rindo, me dando um selinho.
Lúcifer: Te acordei?
Luna: Não, acordei sozinha... Como foi lá?
Lúcifer: Deu certo. Tenho uma coisa aqui pra você... – levanta e volta com uma caixinha.
Pego a mesma e abro, vendo um anel — aquele mesmo anel de turmalina que eu tinha visto antes... Sorri pra ele e dei um selinho.
Luna: Te amo! – beijo a sua testa.
Coloco o anel no dedo e ele deita a cabeça no meu peito, ficando mechendo no meu cabelo.
Lúcifer: Te amo, princesa.
Logo volto a dormir.
(...)
Acordo e pego o celular, vendo que já são 10:30. Levanto, tomo banho, troco de roupa, desço ainda com a toca de cetim na cabeça e vou fazer o almoço.
Nunca gosto de comer algo simples — eu gosto de fazer coisas diferentes para almoçar e jantar. Fiz um macarrão com creme de batata, arroz branco, feijão e frango assado. Corto salada e deixo a mesa posta enquanto lavo os pratos que sujei.
Lúcifer: Oi, amor – fala entrando na cozinha.
Luna: Oi, vida. O almoço já tá pronto. Vai lá comprar uma coca? Esqueci de pedir pra você trazer.
Lúcifer: Tá, vou mandar um menor trazer uma aqui. – ele sai por um tempo e depois volta – Uma mulher veio atrás de mim hoje... – olho com a sombrancelha erguida, não gostando nada do que ouvi.
Luna: Que mulher? – olho brava.
Lúcifer: Calma, Luna! – ri – Ela tava me procurando pra saber de você; ela quer te agradecer por salvar um garoto ontem. Ele é filho, ou neto... Não sei direito.
Luna: Ata. Eu tenho que agradecer aquele garoto. Se não fosse por ele, talvez eu nem estaria aqui.
Lúcifer: Como assim, Luna? – me olha puto.
Luna: Eu tô bem agora, isso que importa! – a campainha toca e ele me dá uma olhada antes de sair.
Logo volta com uma garrafa de coca. Sentamos, colocamos a nossa comida e começamos a comer em silêncio. Eu não falo nada pra ele não voltar no assunto e a gente terminar discutindo.
Lúcifer: Se você não tivesse grávida, eu até deixaria você me ajudar com algumas coisas do morro. – fala enquanto come.
Luna: Sério? – sorri animada.
Lúcifer: Se você não estivesse! Mas como você está...
Luna: Aí não, Diego! – ele riu pelo nariz e logo terminamos de comer.
(...)
Termino de lavar os pratos e coloco a ração do Duque. Logo pego as coisas e começo a arrumar a casa: varro, passo pano, depois tiro a poeira das coisas, coloco cheirinho em tudo e me jogo no sofá cansada.