A ligação veio cedo, tão cedo que Laura ainda estava preparando o café das crianças. O celular de Gabriel tocou uma, duas, três vezes. Ele atendeu irritado — até ouvir a voz do outro lado. — Gabriel, é a sua família. Venha agora. Era o tio dele, Marcelo Duarte, o homem que praticamente mandava na empresa. Gabriel fechou o semblante. — Eu estou ocupado. — Não é um pedido. É uma convocação. — Eu não sou empregado de vocês. — Mas e herdeiro, sim. — Eu não estou indo. — Gabriel… — a voz ficou mais dura. — Se não vier hoje, não precisa voltar mais. Laura, que tinha ouvido sem querer, sentiu o chão sumir. Gabriel desligou antes de responder. Por um instante, ficou parado no meio do corredor, respirando fundo, tentando controlar a raiva que subia. — O que eles querem? — Laura pergu

