A casa estava silenciosa naquela tarde. Demasiado silenciosa. Laura lavava a louça, tentando manter a mente ocupada, quando ouviu a campainha tocar. Um som firme. Direto. Quase arrogante. Ela sabia quem era antes mesmo de abrir a porta. Helena Duarte. A mulher estava ali, elegante como sempre, os cabelos impecáveis, a expressão calculada. Mas havia algo diferente. Os olhos. Eles estavam mais sombrios, como se a derrota da manhã tivesse envenenado cada centímetro de orgulho que ela carregava. — Podemos conversar? — perguntou Helena, sem sorrir. — Pode entrar — respondeu Laura, com educação forçada. Helena entrou. Olhou o ambiente simples como quem analisa uma peça de mobiliário barata num leilão de luxo. Laura fechou a porta. — O Gabriel não está. — Eu sei. Vim falar com v

