A madrugada estava silenciosa. O som distante do mar entrava pela janela, misturado ao sussurro do vento. Laura estava sentada à mesa, o caderno aberto diante dela. O mesmo diário que um dia fora o único lugar onde podia existir. Mas agora, ao olhar para aquelas páginas, sentia algo diferente. Não era mais o esconderijo da vergonha. Era o testemunho da sobrevivência. Pegou a caneta, hesitou por um instante e escreveu: “Hoje, não escrevo pra fugir. Escrevo pra lembrar. Cada lágrima, cada noite, cada queda — tudo me trouxe até aqui. Se alguém encontrar esse diário um dia, quero que saiba: eu não sou a menina que vendeu o corpo. Eu sou a mulher que comprou a própria liberdade.” As lágrimas vieram, mas eram leves. Como se chorasse não pela dor, mas pela libertação. Na manhã seg

