Moedas trocadas.

834 Words
Eu fiquei imóvel e quando ele passou em frente ao quarto automaticamente se calou me encarando. - Hum, Chefe... Eu preciso desligar. - Eu continuava em silêncio encarando Pedro. Eu engolia em seco e olhei o celular em sua mão, então ele o guardou respirando fundo. Uma ira tomou conta de mim eu me aproximei furioso e soquei o seu rosto com toda minha força! Eu me abria para ele! Ele sabia como eu era doente e fascinado para descobrir ao menos quem trabalhava para o meu avô. Ele se ajeitou cuspindo sangue e limpou a boca. - Boa... Mas se você quiser apagar alguém com um soco precisa ser mais em baixo perto da mandíbula. - *DESGRAÇADO! - Gritei quase vomitando de ódio. - O que você quer moleque?! - Pedro me encarava levantando as sobrancelhas. Meus olhos formaram lágrimas sem eu chorar. Era tanta raiva! Eu estava com meus punhos cerrados o encarando, mas não conseguia falar nada. Enquanto eu tentava achar alguma pista nesses sete longos anos, aquele filho da *p**a que se dizia ser meu melhor amigo a dois anos, era nada mais e nada a menos do que um dos homens do meu avô! Eu não iria gastar minha saliva conversando com ele. Então ele me deu espaço e eu passei pela porta. - Eu não me chamo Pedro. - Ouvi a voz dele soar pelo corredor e parei sentindo o meu coração disparar. - Como se chama? - Perguntei sem olhar para atrás. - Johnny - Ele respondeu baixo e eu o encarei. - Obrigado pela sinceridade Johnny! - Respondi irritado e saí da casa sem rumo. Subi na moto e pilotei acelerando pelas ruas, minhas lágrimas escorriam! Meu pai me tirou de casa, meu melhor amigo era uma farsa e meu avô sabia que eu o procurava. Eu estava no meu limite e não aguentava mais aquela pressão. Eu parei em um bar pronto para encher a cara e ficar o mais bêbado o possível para criar coragem e jogar minha moto debaixo de algum caminhão, sequei meu rosto e sentei no banco em frente a uma atendente que estava servindo bebidas. - Quero duas doses de absinto! - Respondi com sangue nos olhos e a mulher percebeu como eu sofria. Ela confirmou e colocou duas doses para mim. Eu virei uma dose rápido secando mais resquícios de lágrimas querendo sair. Quando eu ia tomar mais uma dose, alguém se sentou ao meu lado. - Para de tomar essa *merda Gabriel! - Eu não me dei o trabalho de olhar e peguei aquela dose mas aquele homem foi mais rápido e tirou a dose de minha mão e então meus olhos seguiram seu dedo com aquele anel da máfia e eu o encarei. Ele tinha alguns cabelos grisalhos e era um cabelo grande amarrado em um r**o de cavalo. Ele usava uma barba grisalha e me encarou, depois ele tomou a minha dose de absinto. Eu estava paralisado e meu rosto adormecido talvez pela bebida ou pelo susto. - Por que você tanto me procura Gabriel? - Maurício meu avô me encarou e eu perdi a fala. Sabe quando a gente encontra com algum ídolo e simplesmente ficamos com cara de i****a*? Pois bem, eu estava com cara de exatamente assim. - Vamos! Temos alguns assuntos para conversar. - Meu avô se levantou dando um tapinha em meu ombro. Eu custei conseguir me levantar! Era difícil, eu encarei meu avô e ele era alto e forte e não parecia estar na terceira idade. Eu me esforcei com os braços no balcão para me levantar e meu avô deixou uma nota de cem reais em cima do balcão e encarou a mulher confirmando com a cabeça. Eu segui meu avô e ele parou em frente a um carro preto blindado e alto. Um motorista abriu a porta do carro e entramos. Eu não sabia como agir dentro daquele carro, meu avô estava com suas pernas cruzadas e mexia em seu celular. - Quanto tempo você sabe que te procuro? - Perguntei com a voz engasgada. - Desde os seus onze anos. - Ele respondeu calmo e parou de mexer no celular me encarando. - Por que você está dando trabalho para minha filha Gabriel? - Meu avô me encarou e senti minha alma sair do corpo. - E-eu não... - Não minta. Eu sei de tudo! Hoje seu pai mandou você morar em outro lugar, ele não consegue mais segurar suas rédeas. - Eu não sei. - sussurrei querendo desabar. - Você vai para a Fazenda comigo. Eu já deixei um recado para sua mãe. Agora você vai entrar nos eixos nem que seja a última coisa que eu faça. - A voz do meu avô e soou assustadora. Ele voltou a olhar seu celular. - E não é um pedido, é um ordem! - Meu avô parecia irritado e eu decidi me calar. Engoli seco. Eu não estava acreditando que o meu sonho estava se tornando realidade.
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