Eu fiquei sentado no muro tragando o cigarro e me lembrando do gemido baixo da professora em meu ouvido.
Eu ri comigo mesmo e Pedro voltou para varanda com uma bolsa de acampamento.
- Estou perdendo alguma coisa? - Perguntei curioso enquanto ele terminava de arrumar a bolsa.
- Vou acampar. - Pedro respondeu firme e baixo.
- Do nada?! E ainda não iria me chamar?! Desci do muro confuso.
Pedro tinha vinte e quatro anos, era cinco anos mais velho que eu... Eu o conheci em uma festa quando tinha dezesseis anos, ele comprou bebidas para mim e desde então nos tornamos muito amigos, apesar dele ser um cara fechado.
- Eu estou conhecendo uma menina... Ela parece ser bacana e gosta de aventuras, eu vou acampar com ela. - Pedro respondeu colocando sua mochila nas costas.
- Pronto! Perdi meu melhor amigo. - Pedro riu da minha resposta.
- Quando você se apaixonar pela primeira vez você vai saber o que é bom. - Pedro sorriu e eu revirei os olhos entediado com aquela conversa.
- Eu prefiro minha liberdade. Então! Eu vou nessa e tenha um... bom acampamento com sua... Ela é o que sua mesmo?! - Perguntei com as sobrancelhas juntas.
- Estou conhecendo ela... Ainda não posso chamá-la de minha! Seria estranho.
- Beleza! Tenha um bom acampamento e espero que você possa ouvir ela gemer alto! - Depois da minha resposta Pedro riu balançando a cabeça em negação.
Eu saí da casa dele e decidi parar na cachoeira. Havia um monte jovens naquele verão, eu vi alguns colegas da escola e vieram me cumprimentar. Eu não me importava com eles e sim com a bebida!
Eu cagava para essa posição " Popular" que eles colocaram em mim.
Ainda bem que eles não enrolaram em me entregar uma cerveja. Eu tirei minha blusa e as garotas me encaravam, eu adorava ser endeusado pelas meninas. Elas simplesmente abriam as pernas se eu mandasse. Elas tinham quedas por garotos fortes e tatuados. Mas eu estava determinado a não ficar com mais ninguém naquele dia... Eu queria beber e esquecer de pisar em minha casa.
Passei a tarde toda na cachoeira rindo das palhaçadas daqueles garotos bêbados. Mas a minha graça foi interrompida quando vi meu pai de longe com os braços cruzados e me encarando irritado.
Eu me levantei me despedindo da galera e fui até ele.
- Boa tarde pai.
- Você está fedendo a cigarro e bebida Gabriel!
- Putz... Eu vou tomar um banho.
- Quando eu ia passar ele segurou meu ombro irritado.
- Gabriel eu não sei mais o que fazer com você! - Eu podia ver dentro dos olhos do meu pai a sua raiva. Eu não respondi até porque eu estava um pouco bêbado.
- Você vai morar com seus avós! Meus pais já confirmaram e irão te pegar hoje ainda.
Ouvir meu pai falar aquilo fez a raiva aumentar em mim e então o encarei apertando a mandíbula.
Meus avós por parte de pai eram gentis o tempo todo e eu não me sentia a vontade com alguém sorrindo para mim o tempo inteiro. Eu não iria morar com eles mesmo, nem pensar!
- Esquece pai. - Eu iria passar mas ele me segurou novamente.
- Não é uma sugestão Gabriel! Você vai.
- Se você quer que eu saía de casa eu saio! Eu sei que eu sou um péssimo exemplo para essa família de propaganda de margarina! Eu posso ir embora e morar sozinho! Já sou maior de idade e sei me cuidar! Agora não tente me obrigar a morar em um lugar que eu não quero. Isso não vai acontecer!
- Você sabe se cuidar Gabriel?! Você já se olhou no espelho hoje?!
Eu ouvi meu pai me confrontar e respirei fundo.
- Tá...tá...tá... Eu estou um pouco bêbado! Mas depois de um banho e um almoço eu vou ficar ótimo dormindo em meu quarto! - Respondi sem paciência.
- Você não vai Gabriel! Você vai morar com seus avós! Sem mais conversa ouviu bem?! - Eu acenti e saí mesmo sabendo que eu não iria para a casa dos meus avós. Meu pai foi até a casa e quando ele pensou que eu iria entrar... Eu me desviei e subi em minha moto a ligando.
Ele me olhou preocupado e irritado.
- Gabriel volta aqui! - Meu pai se alterou. Eu sorri, neguei e praticamente fugi dele.
Eu não iria voltar. Não mesmo! Já que ele não quer a minha presença em sua casa... Eu moro em outro lugar! O que eu mais fiz em minha vida foi economia e meu problema nunca foi o dinheiro e sim o meu avô por parte de mãe que nunca apareceu e se apresentou como o chefe da *p***a toda!
Eu voltei até a casa do Pedro e a invadi entrando pela janela. Eu estava com sono e um pouco bêbado... Entao fui até um quarto vago, deitei e apaguei a luz.
Eu só queria dormir! Mas escutei a porta dele se abrindo. Eu iria avisar que eu estava no quarto, mas escutei ele falar no telefone.
- Sim chefe. Ele continua rebelde... Hoje falou que pegou a professora novamente, não não... Ele não vai aparecer! Ele acha que estou acampando. Sim senhor! Eu vou colar mais nele e tentar arrumar a cabeça dele. - Ouvir Pedro falar aquilo me fez levantar da cama na mesma hora.
Meu melhor amigo?! Não é possível!