Durante toda a viagem, o celular dele não parava de tocar. Ele sempre resolvia tudo, e era inevitável não prestar atenção em algumas conversas dele.
- Capa! Pode arrancar dedo por dedo. Uma hora ele não vai aguentar e vai falar aonde ela está! Se caso acabar os dedos da mãos, prossiga arrancando os dos pés! - Era incrível escutar aquilo! Meu coração estava acelerado e olhei para ele pelo canto do olho tentando adorá-lo e ao mesmo tempo decifrá-lo em meus pensamentos.
- Quem é? - Perguntei baixo.
- O que? - Maurício perguntou largando o celular em sua perna.
- Ouvi você dizer que quer saber aonde ela está... Quem é ela? - Perguntei curioso.
- É uma conversa que eu não terei com você Gabriel. Você não vai entrar para a máfia e tão pouco vai ficar envolvido em meus problemas e nem em meus negócios.
- Eu só queria...
- Gabriel. - Maurício me interrompeu no intuído de cortar aquela conversa. Mas não era fácil me calar.
- Eu só queria saber... - Eu precisei me calar novamente quando ele estendeu um dedo pedindo silêncio quando o celular dele voltou a tocar novamente.
Então eu olhei ele atender.
- Já falou?! Eu sabia que não iria precisar arrancar os dedos de outra mão... Agora pode dar um tiro na cabeça e mande limpar esse quarto, pegue a garota e leve-a para a Fazenda! Lá cuidaremos dela. - Maurício não brincava de ser Mafioso, ele desligou suspirando olhando a janela do carro. Eu estava em choque ao ver a naturalidade que ele carregava depois de mandar torturar e matar aquela pessoa.
- Quem é a garota? - Voltei a perguntar.
- Gabriel não insista!
- Eu estou indo para a fazenda não estou?! De qualquer forma eu irei saber dessa garota.
- Quero você longe dela. - Maurício me encarou e percebi muita raiva em seu olhar.
- É só uma curiosidade! - insisti.
- Eu sei quem você é Gabriel. Ela vai está se recuperando e afastada de você! Eu não quero que você olhe na direção dela e nem que chegue perto, está entendendo?
- Quanto mais você insiste em não falar... Mais curioso eu vou ficar. - Eu o confrontei e ele se calou estudando minha face.
- Você tem um temperamento difícil mesmo...
- Minha mãe fala que puxei a sua personalidade. - Respondi sorrindo mas ele não esboçou nenhum sentimento e se manteve em silêncio apenas me encarando.
- Essa garota é da família? - insisti novamente.
- Da máfia. É a filha do meu sócio! E é por esse motivo que eu quero que você mantenha distância! Eu não quero precisar ligar para sua mãe e avisar que você levou um tiro na cabeça por ter tocado na filha do meu sócio.
- Eu vou... - Respondi calmo. Eu não seria nem louco de me aproximar dessa menina.
- Bom... - Meu avô se calou e fizemos o restante da viajem em silêncio.
Chegamos em uma fazenda luxuosa e uns capangas abriram a porteira armados.
Era o meu sonho se tornando realidade! Eu olhei o pasto imenso com vários gados. Pararam o carro e meu avô desceu primeiro. Eu desci o seguindo. Era incrível como aquela fazenda era gigante.
- Foi aqui que eu nasci?! - Perguntei apertando os passos para alcançá-lo.
Meu avô parou em frente a casa e olhou para o chão de terra vermelha.
- Foi aqui que seu pai levou um tiro no peito e foi aqui que a bolsa se rompeu. Era líquido amniótico se misturando ao sangue do seu pai.
- Mano! Isso daria enredo para um filme sério! - Eu brilhava ao escutar meu avô falar. Ele me encarou sério colocando as mãos no bolso.
- Isso não é um filme Gabriel... Por acaso você já levou algum tiro? ou alguma facada?
- Não... Mas uma vez quebrei meu braço. - Respondi orgulhoso e pela primeira vez vi meu avô sorrir.
- Você começará os estudos amanhã. - Meu avô respondeu baixo voltando a andar.
- Mas, eu pensei que...
- Que você entraria para a Máfia? - Ele perguntou abrindo a porta da casa.
- É... Eu quero aprender a segurar em uma arma e quero aprender a atirar!
- Você quer matar alguém? - Meu avô me encarou dando espaço para eu entrar.
- Bom... Se for algum *e********r ou algo do tipo eu não hesitaria!
- Na prática é outra história Gabriel... Depois que você suja suas mãos de sangue, você nunca mais se torna a mesma pessoa. -
Eu me calei quando vi Jhonny parado na sala com uma arma na cintura. Ele estava com a buchecha vermelha pelo soco que eu havia dado.
- Gabriel. Chefe... - Ele nos cumprimentou sério. Eu o cumprimentei com a cabeça e meu avô passou direto ignorando a presença dele.
- Gabriel. Eu quero o seu celular, enquanto você estiver na fazenda você não irá ter contato com ninguém! - Meu avô parou esticando sua mão aguardando eu entregar celular.