Fazendinha do vovô.

847 Words
Durante toda a viagem, o celular dele não parava de tocar. Ele sempre resolvia tudo, e era inevitável não prestar atenção em algumas conversas dele. - Capa! Pode arrancar dedo por dedo. Uma hora ele não vai aguentar e vai falar aonde ela está! Se caso acabar os dedos da mãos, prossiga arrancando os dos pés! - Era incrível escutar aquilo! Meu coração estava acelerado e olhei para ele pelo canto do olho tentando adorá-lo e ao mesmo tempo decifrá-lo em meus pensamentos. - Quem é? - Perguntei baixo. - O que? - Maurício perguntou largando o celular em sua perna. - Ouvi você dizer que quer saber aonde ela está... Quem é ela? - Perguntei curioso. - É uma conversa que eu não terei com você Gabriel. Você não vai entrar para a máfia e tão pouco vai ficar envolvido em meus problemas e nem em meus negócios. - Eu só queria... - Gabriel. - Maurício me interrompeu no intuído de cortar aquela conversa. Mas não era fácil me calar. - Eu só queria saber... - Eu precisei me calar novamente quando ele estendeu um dedo pedindo silêncio quando o celular dele voltou a tocar novamente. Então eu olhei ele atender. - Já falou?! Eu sabia que não iria precisar arrancar os dedos de outra mão... Agora pode dar um tiro na cabeça e mande limpar esse quarto, pegue a garota e leve-a para a Fazenda! Lá cuidaremos dela. - Maurício não brincava de ser Mafioso, ele desligou suspirando olhando a janela do carro. Eu estava em choque ao ver a naturalidade que ele carregava depois de mandar torturar e matar aquela pessoa. - Quem é a garota? - Voltei a perguntar. - Gabriel não insista! - Eu estou indo para a fazenda não estou?! De qualquer forma eu irei saber dessa garota. - Quero você longe dela. - Maurício me encarou e percebi muita raiva em seu olhar. - É só uma curiosidade! - insisti. - Eu sei quem você é Gabriel. Ela vai está se recuperando e afastada de você! Eu não quero que você olhe na direção dela e nem que chegue perto, está entendendo? - Quanto mais você insiste em não falar... Mais curioso eu vou ficar. - Eu o confrontei e ele se calou estudando minha face. - Você tem um temperamento difícil mesmo... - Minha mãe fala que puxei a sua personalidade. - Respondi sorrindo mas ele não esboçou nenhum sentimento e se manteve em silêncio apenas me encarando. - Essa garota é da família? - insisti novamente. - Da máfia. É a filha do meu sócio! E é por esse motivo que eu quero que você mantenha distância! Eu não quero precisar ligar para sua mãe e avisar que você levou um tiro na cabeça por ter tocado na filha do meu sócio. - Eu vou... - Respondi calmo. Eu não seria nem louco de me aproximar dessa menina. - Bom... - Meu avô se calou e fizemos o restante da viajem em silêncio. Chegamos em uma fazenda luxuosa e uns capangas abriram a porteira armados. Era o meu sonho se tornando realidade! Eu olhei o pasto imenso com vários gados. Pararam o carro e meu avô desceu primeiro. Eu desci o seguindo. Era incrível como aquela fazenda era gigante. - Foi aqui que eu nasci?! - Perguntei apertando os passos para alcançá-lo. Meu avô parou em frente a casa e olhou para o chão de terra vermelha. - Foi aqui que seu pai levou um tiro no peito e foi aqui que a bolsa se rompeu. Era líquido amniótico se misturando ao sangue do seu pai. - Mano! Isso daria enredo para um filme sério! - Eu brilhava ao escutar meu avô falar. Ele me encarou sério colocando as mãos no bolso. - Isso não é um filme Gabriel... Por acaso você já levou algum tiro? ou alguma facada? - Não... Mas uma vez quebrei meu braço. - Respondi orgulhoso e pela primeira vez vi meu avô sorrir. - Você começará os estudos amanhã. - Meu avô respondeu baixo voltando a andar. - Mas, eu pensei que... - Que você entraria para a Máfia? - Ele perguntou abrindo a porta da casa. - É... Eu quero aprender a segurar em uma arma e quero aprender a atirar! - Você quer matar alguém? - Meu avô me encarou dando espaço para eu entrar. - Bom... Se for algum *e********r ou algo do tipo eu não hesitaria! - Na prática é outra história Gabriel... Depois que você suja suas mãos de sangue, você nunca mais se torna a mesma pessoa. - Eu me calei quando vi Jhonny parado na sala com uma arma na cintura. Ele estava com a buchecha vermelha pelo soco que eu havia dado. - Gabriel. Chefe... - Ele nos cumprimentou sério. Eu o cumprimentei com a cabeça e meu avô passou direto ignorando a presença dele. - Gabriel. Eu quero o seu celular, enquanto você estiver na fazenda você não irá ter contato com ninguém! - Meu avô parou esticando sua mão aguardando eu entregar celular.
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