INTENÇÕES PERIGOSAS
Intenções faziam morada naquele corpo audacioso, que insistia em esconder os desejos mais profundos, como se o mistério fosse a chave para desestabilizar qualquer oponente. O oculto a cativava, criando uma vantagem que poucos conseguiam prever. Entre devaneios e a inclinação por jogos arriscados, sua natureza era atraída pelo perigo, especialmente aquele que a envolvia de forma inebriante, tirando seus pés do chão. Talvez fosse semelhante a uma bebida quente, que, com dosagens diárias e sutis, criava uma dependência irresistível.
Dentro de si queimava uma chama devastadora, impossível de ser completamente dominada. E talvez sua maior fraqueza também tivesse o potencial de ser sua cura. Contudo, ninguém em plena lucidez ousaria entrar de forma voluntária nesse jogo incerto. Confessar significaria renunciar ao controle, revelar a entrega. Cada célula de seu corpo exalava o aroma do prazer, um convite tentador e impossível de ignorar. Pobre daquele que desconhecesse o poder fatal que carregava em si. Era um gosto marcante de desejo insaciável, onde o proibido e o inferno na terra se encontravam.
Incontrolável e voraz, aquele corpo se alimentava lenta e fervorosamente de suas próprias vontades, expondo-o como carne viva diante do desejo incessante. Fantasias ou realidade? Era essa a essência da menina-mulher. E aqueles que ousavam participar desse jogo já sabiam: acabariam como presas fáceis, enredados na infinita teia de prazer e sedução que ela habilmente tecia.
Sandra Ferreira
Avassaladora Livro Poético