SOMBRAS DA NOITE

208 Words
Destinada aos mais profundos instintos de pecado, o veneno percorre meu corpo, um fluido inquieto que vagueia pelas minhas veias, em busca do antídoto que possa amenizar sua intensidade, algo capaz de atravessar esse veneno mortal. Corro pelas sombras da noite, onde a escuridão engole meu ser. O efeito se torna quase insuportável, sinto-o consumir minhas entranhas, enquanto minha mente se perde em um torpor caótico. A necessidade de me nutrir é urgente, quase uma urgência visceral. Ao longe, uma brisa selvagem agita meus cabelos e traz consigo o aroma inebriante do pecado que invade minhas narinas, tomando de assalto meu corpo inteiro. Sem hesitação, sem medo do juízo final, sigo seu rastro, avançando com determinação cega. Minha pele arde como se tomada por chamas invisíveis. Não quero parar, não posso. O veneno já consumiu cada parte de mim. É uma viagem intensa e inevitável, como submergir em um oceano profundo e implacável. Meu íntimo se contrai sob a força indomável da natureza que não oferece redenção. O movimento incessante dos corpos transforma o veneno em algo ainda mais fatal. Assim marcados, tornam-se criaturas mortais, cativas desse ciclo irreversível. Por que todo inferno tem seu próprio paraíso, e todo pecado seu insaciável inferno. Sandra Ferreira Avassaladora Livro Poético
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