A cobertura estava em alerta máximo, mas nem todas as guerras eram travadas contra inimigos externos. Alguns começavam no olhar, no silêncio carregado, no encontro de respirações que não deveriam se misturar. Helena estava no quarto reservado a ela, debruçada sobre a varanda, olhando a cidade como quem buscava respostas que não vinham. Tinha sido forte para Julie, sorridente para não transparecer medo, mas agora a solidão a corroía. A mente repetia as ameaças, os riscos, os fantasmas. E foi nesse turbilhão que André apareceu. Ele encostou na porta, sem bater, o terno impecável ainda no corpo, a gravata frouxa, o olhar cansado — mas não menos afiado. — Você devia descansar. — disse, a voz baixa, rouca, como quem se esforçava para não parecer envolvido. Helena virou-se, arqueando uma sob

