A manhã nasceu com passos de seda. Pelas frestas das cortinas pesadas, a luz atravessava em lâminas morno-douradas que tocavam a pele como bênção. O quarto de hotel continuava impregnado da noite anterior: o cheiro de vinho e sabonete, o suor já seco nos lençóis, o rastro invisível de dois corpos que finalmente deixaram de ser trincheiras para virarem abrigo um do outro. Julie despertou com o peso conhecido de um braço em sua cintura. Não se encolheu. O primeiro impulso de proteção, esconder a garganta, criar espaço, medir saídas, foi substituído por um reconhecimento doce. O coração batia compassado, acompanhando o de Romeu; o peito dele era quente e firme atrás dela, a mão grande encaixada na curva de sua barriga como um cadeado terno. Ficaram assim por longos segundos, respirando o mes

