O envelope ainda repousava aberto sobre a mesa, mas a biblioteca inteira parecia respirar junto com aquelas páginas. A fotografia do pátio do internato, a borboleta branca na parede, a assinatura de M. Valença. Tudo aquilo não era apenas uma lembrança, era uma ferida reaberta. Julie manteve os olhos fixos na imagem, os dedos trêmulos percorrendo o contorno borrado da pintura. O passado não estava morto; ele havia sido cuidadosamente mantido vivo. — Aqui. — Freud quebrou o silêncio pesado, puxando uma folha dobrada entre os relatórios de conduta. O papel estava amarelado, o traço da tinta já um pouco desbotado. André esticou a mão, abrindo-o com cautela. A letra pequena, apressada, tremia em algumas curvas, como se tivesse sido escrita às pressas, num canto escondido. A voz dele falhou

