Quando amar significa preparar-se para a guerra O papel amarrotado ainda estava sobre a mesa. As palavras de Antônio, escritas em letras tremidas, ecoavam na sala como um veneno impossível de sugar de volta. "Borboletas não se escondem de quem as criou." Julie tremia. As mãos enroscadas no próprio corpo, como se tentasse arrancar a tatuagem do pulso. O peito arfava em sobressaltos curtos, o olhar perdido entre o passado e o presente. Ela se sentia presa de novo, como criança, como no dia da fuga com a mãe. Romeu, porém, não vacilou. O choque nos olhos dele se transformou em aço. Fechou a carta com um único gesto e chamou, a voz grave, firme: — Freud. O segurança surgiu de imediato. — Senhor. — Quero André aqui. Agora — Romeu ergueu o olhar, a autoridade de CEO e de general no mesmo

