O cheiro de orégano e massa assada invadiu o quarto antes que Julie pudesse responder. Helena entrou sem pedir licença, como sempre, espalhando vida onde só havia medo. Os cabelos, presos em um coque torto, o casaco grande demais para o corpo miúdo e aquele sorriso — meio desafiador, meio abraço — pareciam abrir clarões em qualquer sombra. — Achei que você fosse se esconder de mim também — disse ela, apoiando a caixa de pizza na cômoda e empurrando de leve a mala fechada. — Mas eu sei onde você mora, mocinha. Julie soltou um riso curto, quase esquecido. Era como se o som estranhasse a própria boca. Helena percebeu e arqueou a sobrancelha. — Aí está. — Ela estalou os dedos, satisfeita. — Eu só queria ouvir isso. Você ainda sabe rir. Julie encostou-se à parede, os ombros finalmente c

