Capítulo 30— Ela Foge, Ele Persegue

1481 Words

A cobertura respirava com Julie. Cada sombra que se alongava nas paredes parecia um vulto pronto a agarrá-la; o vento que batia nos vidros soava como dedos ansiosos, batendo na janela, anunciando a presença de olhos que vigiavam. E o coração dela, alto demais, urgente demais, marcava o tempo como um sino exposto ao vendaval, como se Antônio pudesse ouvir, a quilômetros de distância, cada batida que ainda teimava em chamá-lo. Ela ficou deitada por um tempo que não se mediu. O sono, quando se permitia, era um ladrão que já não vinha. No lugar dele, as palavras em tinta escarlate chamusca sua memória: “A borboleta já pousou. Agora, eu só preciso arrancar as asas.” Era uma sentença que se repetia em loop, pegando nas laterais da garganta e queimando como ferro em brasa. O ar no quarto tornou-

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