Capítulo 2 — O Bilionário Recluso

1489 Words
O ar ainda estava pesado quando a porta do escritório se fechou atrás dele. Julie manteve os olhos fixos na tela do computador, mas as mãos tremiam levemente sobre o teclado. Romeu tinha o dom de transformar cada diálogo em uma arena. Ele não gritava, não levantava a voz, mas a frieza dele cortava mais do que qualquer ofensa. Ainda assim, ela não recuou. “Eu não nasci para ser suficiente. Eu nasci para ser insuportavelmente boa.” As próprias palavras ecoavam em sua mente, como um tapa que ela mesma tinha ousado dar no homem que ninguém desafiava. Julie respirou fundo, os olhos fechados por um instante. Não se arrependia. A tatuagem de borboleta em seu pulso parecia pulsar sob a pele, como se a lembrasse da promessa feita anos atrás: nunca mais se curvar a nenhum homem, nunca mais se perder em silêncios. Ela se levantou e caminhou até a janela panorâmica, deixando a cidade correr sob seus olhos. Ali, entre arranha-céus e buzinas, era fácil acreditar que ela poderia voar, mas também era fácil sentir o peso das correntes invisíveis que a mantinham. — Ele acha que pode me dobrar… — murmurou, mordendo o lábio. — Mas eu já aprendi a sobreviver ao pior. De volta à mesa, passou os dedos pela asa desenhada em seu pulso. Cada vez que Romeu a olhava, parecia enxergar além da tinta, além da armadura que ela usava para esconder cicatrizes. Isso a irritava. Isso a assustava. E, de um jeito perigoso, isso a atraía. Julie digitou as alterações exigidas, cada palavra marcada pelo desafio. Não porque queria agradá-lo, mas porque queria provar que ele não era o único capaz de comandar. Ela podia vencer no próprio jogo dele. No fundo, sabia: se Romeu queria controle, teria que arrancar o dela. E isso, ela jamais permitiria. Um toque vibrante no celular a tirou do transe. Helena. A mensagem era curta, mas certeira: “Você ainda sabe como cutucar um dragão. Cuidado para não se queimar, borboleta.” Julie sorriu sozinha, aquele sorriso amargo de quem sabe que a amiga tinha razão. Mas já era tarde. O fogo estava aceso e ela não tinha a menor intenção de apagá-lo. O ar ainda estava pesado quando a porta do escritório se fechou atrás dele. Julie manteve os olhos fixos na tela do computador, mas as mãos tremiam levemente sobre o teclado. Romeu tinha o dom de transformar cada diálogo em uma arena. Ele não gritava, não levantava a voz, mas a frieza dele cortava mais do que qualquer ofensa. Ainda assim, ela não recuou. “Eu não nasci para ser suficiente. Eu nasci para ser insuportavelmente boa.” As próprias palavras ecoavam em sua mente, como um tapa que ela mesma tinha ousado dar no homem que ninguém desafiava. Julie respirou fundo, os olhos fechados por um instante. Não se arrependia. A tatuagem de borboleta em seu pulso parecia pulsar sob a pele, como se a lembrasse da promessa feita anos atrás: nunca mais se curvar a nenhum homem, nunca mais se perder em silêncios. Ela se levantou e caminhou até a janela panorâmica, deixando a cidade correr sob seus olhos. Ali, entre arranha-céus e buzinas, era fácil acreditar que ela poderia voar, mas também era fácil sentir o peso das correntes invisíveis que a mantinham. — Ele acha que pode me dobrar… — murmurou, mordendo o lábio. — Mas eu já aprendi a sobreviver ao pior. De volta à mesa, passou os dedos pela asa desenhada em seu pulso. Cada vez que Romeu a olhava, parecia enxergar além da tinta, além da armadura que ela usava para esconder cicatrizes. Isso a irritava. Isso a assustava. E, de um jeito perigoso, isso a atraía. Julie digitou as alterações exigidas, cada palavra marcada pelo desafio. Não porque queria agradá-lo, mas porque queria provar que ele não era o único capaz de comandar. Ela podia vencer no próprio jogo dele. No fundo, sabia: se Romeu queria controle, teria que arrancar o dela. E isso, ela jamais permitiria. Um toque vibrante no celular a tirou do transe. Helena. A mensagem era curta, mas certeira: “Você ainda sabe como cutucar um dragão. Cuidado para não se queimar, borboleta.” Julie sorriu sozinha, aquele sorriso amargo de quem sabe que a amiga tinha razão. Mas já era tarde. O fogo estava aceso — e ela não tinha a menor intenção de apagá-lo. … Romeu fechou a porta atrás de si com a calma ensaiada de quem sempre vence. Mas, no instante em que a madeira abafou o som do corredor, a máscara de controle começou a rachar. Ele girou os punhos, ajustando as abotoaduras, tentando recuperar o ar. Não porque lhe faltasse fôlego, mas porque Julie havia tirado dele mais do que qualquer executivo da mesa de fusão. "Eu não nasci para ser suficiente. Eu nasci para ser insuportavelmente boa." As palavras martelavam na mente dele, repetindo-se com a insolência de uma vitória que não lhe pertencia. Ele, Romeu Guierrez, homem capaz de dobrar presidentes de conselhos e rivais em aquisições milionárias, tinha sido desafiado… por ela. Pela mulher que deveria apenas organizar sua agenda, não incendiar sua pele. Romeu caminhou até a própria mesa, apoiando as mãos largas sobre o tampo de vidro. Sentiu o calor subir pelo corpo, não de raiva, mas de algo que não admitiria nem sob tortura. Desejo. Julie não sabia o efeito que tinha sobre ele. Ou sabia? Talvez aquela insolência fosse calculada, aquele fogo proposital. O jeito que ergueu o queixo, o olhar que não se abaixou diante dele, a boca firme cuspindo palavras afiadas… tudo isso era um convite perigoso, uma promessa não dita. Ele fechou os olhos por um segundo, lembrando-se do traço escuro que viu escapar pela manga dela. Uma borboleta. Uma tatuagem que parecia gritar histórias que ele ainda não conhecia, mas já o perseguiam. — Insolente… — murmurou entre os dentes, mas um meio-sorriso queimava nos lábios. — Insolente e deliciosa. Romeu se recostou na cadeira de couro, o olhar fixo no teto, tentando recuperar o domínio que ela acabara de lhe roubar. Ele não podia se dar ao luxo de se sentir. Amar havia lhe custado tudo. Desejar, porém, era inevitável. E Julie se tornava, a cada minuto, mais impossível de ignorar. Ele sabia que precisava manter o controle. Mas, pela primeira vez em anos, sentia a centelha do caos dentro do peito. E o nome desse caos tinha um corpo insolente, uma boca desafiadora e uma tatuagem de borboleta. Romeu permaneceu na cadeira, com a respiração compassada apenas por fora. Dentro, era um incêndio em expansão. Ele não admitiria para ninguém, muito menos para si mesmo, que uma mulher pudesse mexer tanto com sua estrutura de ferro. Mas Julie não era “qualquer mulher”. Ela era a exceção que ele nunca planejou. Pegou a caneta Montblanc e começou a girá-la entre os dedos, hábito antigo que surgia sempre que perdia a calma. A lembrança do olhar dela voltava como um golpe certeiro: firme, desafiador, insolente. Nenhum conselho de administração, nenhum inimigo corporativo, jamais ousará encará-lo assim sem tremer. "Eu não nasci para ser suficiente." A frase ecoava como pólvora dentro dele. Romeu fechou os olhos e deixou escapar uma risada curta, seca, quase perigosa. — Maldita insolência… Levantou-se de súbito, caminhando até a estante. Tirou de lá um copo de cristal e serviu uma dose de uísque. Não era hora, não era adequado, mas precisava sentir algo que não fosse apenas a lembrança dela. O líquido queimou na garganta, mas não apagou o fogo que Julie havia acendido. A mente dele voltou à tatuagem. Borboleta. Símbolo de leveza, de voo, de metamorfose. Símbolo também da menina que seus pais tentaram salvar anos atrás. O destino tinha uma ironia c***l: a mesma borboleta agora desafiava suas regras, sua ordem, sua lógica. Romeu passou a mão pelos cabelos, frustrado. — Você não sabe no que está se metendo, Julie… Mas sabia que ela sabia. Julie não era ingênua. A cada resposta atravessada, a cada provocação, ela o puxava para um campo de batalha onde ele não tinha controle. E isso o enlouquecia. O celular vibrou sobre a mesa. Uma notificação do departamento jurídico: “Cláusula revisada conforme solicitado. A fusão segue para assinatura.” Ele digitou apenas “Aprovado”, mas sua mente estava em outro lugar. Não no contrato milionário, não na mesa de reunião. Estava na antessala, onde Julie digitava com a mesma determinação com que o enfrentava. Estava no jeito como ela se recusava a se curvar. Estava no gosto imaginado de uma boca que só lhe oferecia guerra. Romeu largou o copo sobre a mesa, decidido. Não podia me permitir amar. Essa fraqueza já havia custado a vida de seus pais. Mas resistir… resistir ao desejo que Julie provocava parecia impossível. Ele sabia o que faria: controlaria esse fogo. Transformaria aquela insolência e submissão. Ou queimaria junto.
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