Capítulo 44 — Helena Revela

1611 Words

A cobertura respirava como um animal grande e cansado. Corredores largos, luzes discretas, vozes baixas no rádio. Depois do vídeo ameaçando “queimar as asas da borboleta”, Romeu se trancara na sala de guerra com Freud e os analistas digitais; André articulava telefonemas em voz contida, como quem amarra cabos de aço num navio em meio a um temporal. Julie, porém, buscou abrigo no quarto de hóspedes. Ficou à janela, a testa contra o vidro frio, observando a cidade brilhar como se nada tivesse acontecido. O coração batia fora do compasso, não era só medo do inimigo; era medo daquilo que arde mais fundo: admitir que já amava um homem que podia destruir e curar, na mesma intensidade. A maçaneta girou. Helena entrou sem bater, como sempre. Trazia duas canecas de chocolate quente equilibradas

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