O helicóptero cortava o céu cinzento, as hélices rugindo como um coração mecânico. Freud ocupava a dianteira, comunicando-se pelo rádio com a escolta em terra. Romeu, ao lado de Julie, mantinha a postura de ferro; o CEO frio, calculista, cada detalhe da rota mapeado na mente. Mas, para Julie, aquele não era apenas um voo de retorno. Era o eco da noite passada, da primeira vez em anos que adormeceu sem pesadelos contínuos. Da primeira vez em que não se sentiu sozinha dentro de si mesma. Ela olhou para Romeu. O terno impecável parecia mais uma armadura, o maxilar travado denunciava a tensão, mas a mão repousada sobre o joelho; firme, controlada; era a mesma mão que a tinha segurado no meio da noite, como se a vida dele dependesse dela. Julie inspirou fundo, vencendo a timidez que lhe pesa

